Editorial Outono 2018/2019

Esta edição do Diferencial chega com uma nova direcção e uma nova imagem. Ao procurar a derivada de uma função pretendemos conhecer como varia: o comportamento que tem no seu domínio. Da mesma forma, a escolha do d/dt como símbolo surge do desejo de derivar conclusões e desemaranhar certas temáticas na sociedade e no mundo. Com a (arbitrariamente pequena) humildade de um diferencial, aspiramos a inflamar – de forma honesta e ponderada – o diálogo estudantil através da exposição e análise dos assuntos que consideramos mais merecedores da atenção dos nossos colegas.

 

A questão mais célebre da filosofia: “Como viver bem?” extende-se trivialmente a “Como viver bem com outros?” – “Como viver bem em grupos de milhões?” por encadeamento chegamos a uma pergunta central à democracia: “Como colaborar em grande escala?” Como coordenar o capital, espaço, esforço, para que o todo seja mais que a soma das partes? Parece surpreendente que uma boa solução não tenha surgido. No entanto, a melhor até agora consiste num modelo em que toda a gente pode votar regularmente para escolher as pessoas que tomarão depois as decisões do dia a dia no melhor interesse dos eleitores.

 

A democracia representativa oferece benefícios quando comparada com as alternativas: evitam-se disputas de sucessão; o indivíduo tem mais voz na vida pública sem ter de se envolver nos detalhes penosos; e a vontade colectiva é traduzida (ou devia) em decisões políticas. No entanto, também tem fragilidades: nomeadamente, as decisões tomadas serão apenas tão sensatas quanto a maioria da população adulta; e enquanto que um eleitorado iluminado consegue eleger governos competentes e sensíveis, também é verdade que a saúde do voto pode ser atacada por obscurantismo, desinformação, e apelos aos preconceitos dos quais, apesar de tudo, nem  sempre nos conseguimos separar.

 

Guiados por estas perguntas, encontramos um ponto de utilidade crítica para a saúde do nosso “motor de colaboração”. O ensino, que nos acolhe e molda a todos ao longo de (pelo menos) 12 anos. Quando facultadas a cada indivíduo, um mínimo de ferramentas básicas como espírito crítico, literacia de media, sustentabilidade, e educação para a democracia, pode fazer um mundo de diferença no sumo que tiramos do processo  democrático. Daqui derivamos o foco na formação cívica – não apenas a disciplina da escola – mas a preparação de cidadãos para compreender o mundo, escolher representantes, escrutiná-los, e tomar acção.

 

Assim, oferecemo-vos este primeiro volume do ano lectivo, uma breve exploração sobre o papel do ensino na formação cívica.

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