Autoria: Daniela Marreiros (LEQ) e Tomás Vieira (LEMec)
No dia 10 janeiro, os estudantes do IST veem-se novamente com obstruções ao estudo, agora, no primeiro dia de preparação para os exames. Desta vez, nenhum dos três maiores espaços escapa. Os candidatos às presidenciais João Cotrim de Figueiredo e Catarina Martins ocupam (sem aviso prévio aos alunos) o Técnico Innovation Center (TIC) e cantina social, respetivamente. O Pavilhão de Civil, e por consequência, todo o seu espaço de estudo, encerra a “serviço do Governo”.
Numa escola com, sensivelmente, 40% dos seus alunos sem residência permanente em Lisboa, e cujo modelo de ensino inclina Unidades Curriculares para englobarem projetos de grupo, os espaços de estudo são taxativamente obrigatórios. Definir a premissa que estes têm de ter condições próprias, nomeadamente silêncio, parece desmedido, mas tornar-se-á evidente.
Nisto, um email enviado no dia anterior já avisava o encerramento do espaço de estudo de Civil, sem razões para além de “um evento de serviços de Governo”. Fontes próximas ao Diferencial apuraram que a razão é “coberta pelo especial regime de segredo de Estado”. Sem rodeios, o que lá se passa é um “evento” sigiloso do organismo Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP). Este facto é informação pública, uma vez que terceiros que lá passem conseguem vê-lo afixado nas portas do pavilhão.

Para que o assunto fique claro, este espaço complementa o espaço de estudo TIC, durante as épocas (mais) críticas, nas quais os estudantes do IST (e não só) se encontram de momento. Para que não reste dúvidas, o email sugere que a semana de preparação para exames começa apenas dia 12, uma segunda-feira, mas convém notar que nem os espaços de estudo, nem os alunos, funcionam apenas nos dias úteis.
Agora, roçando-se ao recente debate das presidenciais, também no TIC, Cotrim de Figueiredo ocupa o pavilhão de “eventos”, diretamente abaixo dos 400 lugares de estudo. Alunos relatam barulho e movimentação excessiva, devido ao sound-check, mas todo o evento está coberto por aquilo que descrevem como uma grande lona de pano.

Fotografia: Daniela Marreiros
À soma, Catarina Martins tem um almoço de campanha, com espaços reservados, na cantina social do IST. Para o leitor mais descontextualizado, é útil notar que este espaço, quando não está totalmente ocupado, é usado para estudo. É talvez importante referir que esta era uma das únicas cantinas sociais (da UL) abertas. Naturalmente, estudantes relataram constrangimentos, não só devido ao pouco espaço de sobra que lhes foi reservado, como também no que toca à fila de espera pela comida.

Os eventos dos dois candidatos às presidenciais supracitados, aos olhos do Conselho de Gestão, não se mostraram significativos o suficiente para não só merecer um aviso prévio mais direto, como para facilitar uma solução, caminhando contrariamente ao que foi feito quando o TIC foi cedido para o festejo do fim da campanha às autárquicas de Carlos Moedas, em que não só o aviso foi dado como uma solução remediadora foi concedida.



