Internet, Restrição da Europa

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No passado dia 15 de Abril deu entrada na Google um “manifesto de objecções” elaborado pela Comissão Europeia (CE), que acusa a empresa Norte-Americana de um controlo excessivo sobre o mercado de pesquisa-online na região da União Europeia(UE).  O manifesto afirma que o controlo excessivo é exercido através da discriminação e preferência de resultados que privilegiam os serviços de empresas constituintes da mesma firma.

Esta acção foi apresentada como o primeiro movimento de uma série de propostas em que a CE espera combater a dependência estrutural que a industria de plataformas digitais Americanas exerce sobre a área económica Europeia. Levantada esta fronteira, a CE espera que se verifique um crescimento do espaço online Europeu.

Günther Oettinger, Comissário da UE para a Economia e Sociedade Digital, já tinha anunciado o programa de propostas no dia anterior, onde, para além de apontar o dedo à empresa Norte-Americana, deixou como nota a necessidade de “substituir os motores de pesquisa, sistemas operativos e redes sociais actuais” a fim de dar prioridade a serviços Europeus.

A legitimidade da CE proceder com estas alegações é ainda questionável, uma vez que nada proíbe a Google de privilegiar os seus serviços, pois a gestão das suas plataformas é da sua própria jurisdição.

Actualmente 90% das pesquisas online na Europa são feitas pelo motor de busca da Google e, de todas as compras realizadas na Internet por consumidores da EU, apenas 15% ocorrem entre cidadãos de estados membros. Com estes dados fica a dúvida quanto ao problema da UE ser, afinal,  externo ou interno. Resta saber se o sucesso das medidas ficará a cargo dos hábitos de compra dos consumidores Europeus e da qualidade da oferta nos mercados digitais por parte de empresas Europeias.

Save the Arctic – A corrida às reservas de combustíveis do Oceano Ártico

Jazigo de petróleo ao largo da costa da Gronelândia

Por esta altura já são do domínio comum as alterações climáticas e várias das suas consequências, em particular, o degelo dos glaciares. Sabemos também que a situação usualmente se classifica como grave. No entanto, nos últimos anos, essa classificação poderá ter ganho nova força.

A recorrente perda de terreno dos glaciares face ao oceano tem revelado enormes reservas de petróleo e gás natural que, até recentemente, se encontravam cobertas por milhares de toneladas de gelo. Não é de surpreender que, assim que esta informação chegou à atenção das grandes petrolíferas, se tenha dado início à corrida pela exploração desenfreada das reservas de combustível, corrida esta liderada pela multinacional Anglo-Holandesa Shell e a gigante Russa Gazprom.

De acordo com a US Geological Survey, ao nível mundial, o Ártico detém cerca de 13% do petróleo por descobrir e cerca de 30% do gás natural. Segundo o activista Bill McKibben, numa publicação da Rolling Stone, a acção humana é já responsável pelo desaparecimento de um terço do gelo originalmente existente no Ártico e um aumento de 30% da acidez média dos oceanos devida à absorção de CO2 pela água, processo esse potenciado pela crescente dessalinização da água do mar. Tudo isto funciona como um mecanismo de feedback positivo, visto que o desaparecimento do gelo, por natureza fortemente reflector, dá lugar a terra e água, ambas melhores absorventes de radiação solar que contribui para um aquecimento e, consequentemente, para um degelo ainda mais rápido.

A Greenpeace iniciou, em 2012, a campanha Save the Arctic, que se propõe mover montanhas de modo a pressionar governos e a ONU a fazer do Ártico uma reserva natural protegida contra a exploração de combustíveis fósseis. Os seus principais e incontornáveis argumentos prendem-se com o impacto da exploração na diversidade de espécies animais, em particular o urso polar, com os óbvios aumentos de emissões de CO2 para atmosfera que a exploração implicaria e, acima de tudo, com o risco enorme que parece estar associado a derrames de petróleo.

De facto, perante a pressão feita pela Shell sobre o governo Americano para obter autorização para perfurar na região do Alaska ainda este ano, o Bureau of Ocean Energy Management avaliou a probabilidade de haver um derrame ou mais em 75%. Ainda assim, este número não parece de todo tão absurdo se considerarmos as condições climáticas extremas e imprevisíveis características da zona, e a falta de um conhecimento geológico sólido e convincente da mesma. A receita para o desastre completa-se com a óbvia dificuldade de acesso de pessoas e meios por parte da guarda costeira, caso suceda um eventual derrame.

Empresas como a Shell e a Gazprom operam preferencialmente em silêncio, ao contrário de organizações como a Greenpeace, cujo sucesso depende inteiramente da atenção mediática e de todo o apoio da opinião pública de que consigam dispor, utilizando estes mecanismos como armas para pressionar os governos e as corporações.

Assim sendo, é indispensável mantermo-nos informados de modo a tomar parte activa na defesa da Natureza que nos resta e, consequentemente, de nós próprios.