Autoria: Ana Alves (LEAer)
Entre 21 e 24 de outubro de 2025, a conferência da European Astrobiology Network Association (EANA) teve lugar no Campus Alameda do IST, sendo a primeira edição presencial em Portugal. Este encontro anual de astrobiologia foi liderado por Zita Martins, astrobióloga e professora do Técnico.
A EANA é uma rede tanto de indivíduos da comunidade científica como de redes de Astrobiologia já existentes, da qual fazem parte 18 países europeus e o Japão. O seu principal objetivo é fornecer uma plataforma na qual cientistas se podem encontrar regularmente e partilhar conhecimentos e recursos, não apenas entre si, mas também com cientistas em início de carreira. Desde a fundação desta associação em 2001, a ideia de promover e apoiar jovens investigadores foi sempre um pilar fundamental do seu programa.
Segundo a EANA, a Astrobiologia estuda a natureza e a extensão da vida no Universo, incluindo o estudo das origens da vida, a procura por vida no Sistema Solar e a exploração humana do espaço, entre outros. É, por isso, uma ciência multidisciplinar, combinando áreas como a biologia, astronomia, geologia e química.
A conferência deste ano abordou principalmente o tema “Astrobiologia: Do Campo aos Laboratórios e ao Espaço”, através de palestras, apresentações e “sessões de pósteres”. Estas últimas consistiram na exposição do trabalho de alguns investigadores, promovendo a discussão e a troca de ideias entre apresentadores e participantes. Realizou-se ainda o concurso Space Factor, onde especialistas em astrobiologia avaliaram o trabalho de investigação de cientistas em início de carreira.

Os oradores convidados foram Rodrigo Coutinho de Almeida (Agência Espacial Europeia), Heike Rauer (German Aerospace Center), Ann Carine Vandaele (Royal Belgian Institute for Space Aeronomy) e Ana Zélia Miller (Instituto de Recursos Naturais e Agrobiologia de Sevilha, ligado ao Conselho Superior de Investigações Científicas).
Quanto ao programa e aos horários da conferência, nos três primeiros dias as atividades iniciaram às 9 horas da manhã (com a cerimónia de abertura no dia 21) e terminaram por volta das 19h40, tendo acabado às 12h30 no último dia, com a cerimónia de encerramento e atribuição de prémios. Ao longo dos quatro dias, realizaram-se várias sessões científicas, nas quais se debateram assuntos como “Missões Espaciais”, “Bioassinaturas e Biogeologia”, “Ciências da Vida e Extremófilos” e “Proteção Planetária”.
Como complemento, os oradores convidados deram palestras no início de cada sessão. No dia 21, foram dois os temas abordados neste âmbito: “O que o projeto Europlanet pode significar para a comunidade de astrobiologia?” (A. Vandaele) e “Exoplanetas – Encontrando outras Terras com a missão PLATO” (H. Rauer). Já dia 22 contou com a exposição de R. Almeida sobre “Visão da ESA: Promovendo o avanço da biologia para a exploração espacial”, enquanto A. Miller discursou no terceiro dia a respeito do tópico “Análises holísticas e multidisciplinares sobre geomicrobiologia e astrobiologia a partir de tubos de lava”.
Relativamente ao comité de organização, foram vários os investigadores envolvidos, tanto portugueses como estrangeiros, sendo de destacar a liderança da professora Zita Martins (IST), a primeira pessoa no país a doutorar-se em Astrobiologia, além de investigadora de topo. A professora também participou num debate acerca dos “Requisitos Científicos e Instrumentação para Explorações da Lua Gelada e de lagos subglaciais”. A organização do evento teve ainda a contribuição de vários alunos, não só do Técnico, mas também do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto (CAUP).
A conferência da EANA 2025 contou com o apoio financeiro e institucional do IST, que tem um papel distinto neste ramo, uma vez que criou o primeiro grupo de astrobiologia do país, bem como foi a primeira instituição a oferecer uma Unidade Curricular nesta área.




