6ª edição do BioMind – Make it in 24 hours: os bastidores de um dos maiores eventos em saúde do Técnico

Autoria: Sara Nascimento (LEBiom) 

Nos passados dias 21 e 22 de fevereiro, o Núcleo de Engenharia Biomédica do Instituto Superior Técnico organizou a 6ª edição do BioMind – Make it in 24 hours. Para saber um pouco mais sobre esta iniciativa, o Diferencial entrevistou Madalena Videira, do segundo ano da Licenciatura em Engenharia Biomédica no IST, que integrou a equipa organizadora deste evento. 

O BioMind, que, nas palavras de Madalena, “é quase um legado do Núcleo de Engenharia Biomédica”, surgiu em 2018 e é uma competição na qual os participantes têm 24 horas para apresentar uma solução para um problema na área da saúde. 

Na edição deste ano, o tema centrou-se na integração da inteligência artificial na resolução de problemas no setor da saúde, e foi pedido aos participantes, organizados em grupos de 4 a 6 elementos, que elaborassem uma apresentação sobre uma das suas diversas aplicações neste contexto. Esta seleção deveu-se, segundo Madalena, ao interesse crescente pela inteligência artificial, e à importância de a ver aplicada no contexto da saúde, muito diferente da maneira como usualmente é abordada: “Nós achámos que é um tema muito atual, muito na moda, e que muitas vezes se ouve falar, mas […] não de uma forma concreta no sentido de como aplicá-lo à parte da biomedicina.”

Contrariamente ao que se tinha verificado em edições passadas, em 2026, a equipa de organização do BioMind tentou que a temática deste projeto fosse mais abrangente, de modo a dar aos participantes a liberdade de enveredar por diferentes caminhos. “Muitas vezes o BioMind tem sido [sobre] um problema específico, um problema mais direcionado, […] este ano nós queríamos uma coisa um bocadinho mais lata, um bocadinho mais aberta, para também dar a possibilidade de eles terem mais por onde escolher e não haver uma repetição tão grande das soluções.”

Também em contraste com edições anteriores, este ano, a organização decidiu abrir a participação a todos os alunos interessados na competição: “Nós achámos que não deveria haver um pré-requisito de ser de Engenharia Biomédica, porque uma pessoa que se inscreva neste tipo de hackathons, mesmo que não seja de Engenharia Biomédica, à partida tem um interesse na área da saúde e, portanto, o facto de não ter escolhido o nosso curso como o seu curso não deveria ser um impedimento à sua participação […]. Os frutos disto foram que tivemos duas equipas da Universidade Nova de Lisboa, […] alunos de Medicina e de Informática também a participar

Após meses de preparação, a abertura do evento teve início às 8 horas da manhã do dia 21 de fevereiro no átrio do Técnico Innovation Centre (TIC) com uma palestra de apresentação ao tema na qual foram expostas as diferentes abordagens que poderiam ser exploradas e soluções já implementadas. 

Até à hora de almoço, os participantes tiveram a oportunidade de fazer um brainstorm de possíveis ideias a desenvolver, ao qual se seguiram palestras dinamizadas pelas várias empresas parceiras. “Houve um momento com a Red Bull sobre a parte da inovação, do empreendedorismo, e houve um momento com a Luz Saúde, em que houve um convidado que foi falar um bocadinho sobre os projetos que a Luz tem desenvolvido neste âmbito da parte da inteligência artificial, com alunos do doutoramento, mestrado […]” Adicionalmente, ainda durante o período da manhã, foi realizada uma apresentação sobre como fazer um pitch, cujo objetivo era dar a conhecer de que forma é possível condensar o trabalho de 24 horas numa apresentação cativante e apelativa ao público. 

Para além dos momentos de formação, proporcionados por parceiros como a Red Bull, a Accenture, a Learning Health e a Lean Health, aos quais se junta ainda o Santander, o BioMind contou ainda com o apoio dos Pastéis de Belém e da Pastelaria Pão de Açúcar, para possibilitar uma componente mais lúdica, como os coffee breaks

Durante a parte da tarde, os participantes tiveram a oportunidade de contactar com os mentores convidados: “foram desde pessoas da Accenture, […] da Learning Health, que é a empresa de inovação da Luz, pessoas da Lean Health, que é outra empresa de Engenharia Biomédica, e também tivemos uma professora do Técnico que se voluntariou para vir ajudar-nos com esta missão”. Os mentores foram uma presença fulcral para o desenvolvimento da atividade: “ouviam as ideias das equipas e tentavam […] guiá-las e estruturá-las de uma forma mais concreta, mais segura, mais sólida, apresentavam possíveis problemas que poderiam ter, apresentavam possíveis pontos fracos que o júri poderia perguntar ou poderia reparar, tentavam tornar a ideia mais forte e também perceber se a ideia era uma coisa viável”.

Já no final do primeiro dia, até às 23:00, os participantes tiveram a oportunidade de discutir e desenvolver o trabalho em grupo e contaram, uma última vez, com o feedback dos mentores. Mesmo após o fim da sessão, alguns dos participantes optaram por continuar o desenvolvimento do trabalho na parte superior do TIC até ao dia seguinte.

No dia 22, segundo dia de competição, cada grupo dispôs de 5 minutos para apresentar o problema explorado e fazer uma breve explicação da forma como a inteligência artificial poderia ser uma ferramenta útil na sua resolução. Posteriormente, a avaliação dos participantes foi levada a cabo por um painel de júris composto por um membro da Accenture, um membro da Learning Health, e um membro da Lean Health que avaliaram os participantes numa escala de 1 a 5, segundo os seguintes parâmetros: adequação ao tema, grau de inovação, adequação ao mercado, exequibilidade da ideia, sustentabilidade financeira e impacto da solução na vida das pessoas. 

Finalmente, após deliberação do júri, deu-se a entrega dos prémios: a ideia vencedora foi a do grupo Sam e Bonsbios, constituída pelos participantes Leonor Grima; Carolina Ferreira; Laura Pedro; Salvador Veloso; Sara Silva; Guilherme Rocha, que consistia na utilização de um sistema de deteção do cancro do pulmão através de biomarcadores inspirado nos sensores das antenas das abelhas. Este prémio, no valor de 500€, foi patrocinado pela Accenture, enquanto que o segundo e terceiro lugares contaram com um prémio de 300€ e 200€, respetivamente. Houve, adicionalmente, a oferta de uma visita aos laboratórios da Learning Health para os quatro primeiros lugares.

Como nota final, Madalena explicou-nos ainda que a motivação para a realização do BioMind passa pela possibilidade de proporcionar à comunidade estudantil um evento direcionado a todos os interessados em Engenharia Biomédica, algo que contrasta com outros eventos do Técnico, nos quais uma abordagem na área da biomedicina pode efetivamente acontecer, mas nunca seria a temática central: “Eu acho que o BioMind surge como uma forma de juntar as pessoas interessadas […] em Engenharia Biomédica, num evento que é só nosso, que é só para nós, que é para os nossos interesses, que é focado, nas coisas que nós gostamos e que nós queríamos ver desenvolver em vez de ser uma coisa mais abrangente”. Reforça ainda a sua relevância: “o BioMind era um momento importante […] porque não só era um momento de convívio, era um momento mais livre, mas desenvolvia também a capacidade inovadora, o espírito crítico, a criatividade dos alunos de uma forma interessante.”

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