Nova licenciatura do Técnico será direcionada à captura de alunos estrangeiros: General Engineering

Autoria:  Leonor Costa (LEFT), Nuno António (LEFT), Tomás Vieira (LEMec)

De nome General Engineering IST, o GENI é a mais recente aposta apontada para formar um novo tipo de engenheiros na licenciatura. Agregando o ensino em inglês, o sistema periódico e uma formação em ciências da engenharia geral até ao segundo ano, esta nova abordagem está  planeada para abrir no letivo 2026/2027. Em entrevista ao Diferencial, o professor Pedro Brogueira, o principal obreiro do curso, e o Presidente do IST, o professor Rogério Colaço, explanam as motivações e os princípios enquadradores da novidade.

Publicamente, as primeiras menções à ideia do GENI datam a março de 2019, no Relatório Final da CAMEPP (Comissão de Análise ao Modelo e Práticas Pedagógicas). É, portanto, um curso com “uma estrutura muito próxima da CAMEPP no seu conceito original […] de aprendizagem com projetos”, diz Pedro Brogueira. Segundo o catedrático, a ideia do GENI começou com a “identificação de uma oportunidade e uma necessidade que o Técnico tinha de alargar os seus primeiros ciclos a alunos internacionais”. De julho de 2020 a fevereiro de 2021, os membros da comissão formada para elaboração do GENI reuniram-se semanalmente com o intuito de formular a estrutura de uma nova licenciatura que visa diplomar alunos nas bases gerais da engenharia e das ciências que lhe estão relacionadas. Para tal, os membros da comissão partiram da análise de cursos semelhantes que existem noutras universidades, sobretudo estrangeiras.

A novidade estrutural toma forma sob a divisão e organização das Unidades Curriculares (UC). Enquanto noutras licenciaturas as UC estão, na generalidade,  divididas em quatro áreas – Ciências Fundamentais, Área Principal, HACS (Humanidades, Artes e Ciências Sociais) e PIC (Projeto Integrador de Curso), as UC do GENI estão divididas em seis áreas – Basic Sciences, Computational Thinking, HASS (Humanities, Arts and Social Sciences), Engineering Common Core, Engineering Electives e Engineering Projects, Seminars and Internships

Ambos os professores vincam que o curso funcionará puramente de modo trimestral. “Todas as UC do GENI vão funcionar em períodos e só vão funcionar duas UC e meia por cada período, para haver uma redução significativa da carga e da exposição a diferentes temas”, esclarece Pedro Brogueira. Este último detalhe servirá para “para permitir que os alunos, de facto, se envolvam na UC”. Além disso, a licenciatura brilhará na sua flexibilidade, uma vez que apenas metade dos 180 ECTS são obrigatórios. Nesta metade compulsória, o Técnico investe numa abordagem inovadora, já que as disciplinas de Matemática base serão mescladas com as de Física, criando assim cadeiras como Vector Calculus and Electromagnetism e Differential Equations and Mechanics.

Analogamente aos minors, haverá perfis predefinidos ou, pelo contrário, o aluno poderá escolher misturar áreas. Neste sentido, sensivelmente a meio dos seus percurso de licenciatura, os estudantes do GENI terão a opção de enveredar por dois tipos de caminhos. O percurso FET, Future Engineering Technologies, que é focado em desenvolvimento tecnológico, ou um percurso personalizado, construído consoante a escolha de cada um. 

Outra novidade são as cadeiras dedicadas à “integração na comunidade”, que são dadas no âmbito dos núcleos de alunos. “Há seis ECTS assim, uma cadeira no primeiro período, outra no quarto [do primeiro ano].” Ambos os professores descrevem o GENI como uma “porta indiferenciada” e como um adiamento do afunilamento académico, permitindo ao aluno ser exposto aos cantos da engenharia antes de definitivamente fazer uma escolha. No que toca a mestrados, está prevista a atribuição de um grau de afinidade máximo à maioria dos mestrados dentro do IST. No entanto, será apenas aos alunos cujos percursos personalizados cumpram mínimos de ECTS na área do mestrado a que se candidatam.

A sua abertura estava planeada para o ano letivo 25/26, contudo o Presidente do IST explica que “havia um conjunto de condições que não estavam ainda totalmente reunidas […] quem nos apoia em termos de comunicação entendeu que havia um risco em fazer a abertura das candidaturas com menos de seis meses depois do início da divulgação de um curso que é completamente novo. O GENI pressupõe um pacote para estudantes internacionais, nomeadamente em termos de alojamento, que ainda não estava preparado para estar em vigor”. Nisto, assegura que “as candidaturas estarão abertas para o ano letivo de 2026/27”

O curso começará com 40 vagas, 20 nacionais e 20 internacionais, e será acompanhado por uma monitorização rigorosa para os “ajustes necessários” e aumento de candidatos até um total de 60. Para os estudantes ingressantes via Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), as provas de ingresso serão: Matemática A e Física e Química. Entre estas não consta a prova de Inglês, apesar da modalidade de ensino prevista. O processo de avaliação desta competência para alunos nacionais encontra-se ainda indefinido, apesar de os alunos internacionais terem de ser submetidos a um comprometimento de proficiência.


A página do curso com todas as informações em detalhe é a que segue: https://tecnico.ulisboa.pt/pt/ensino/cursos/licenciaturas/general-engineering/

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