Em 2027 deixará de haver aulas em janeiro no Técnico

Autoria: Tomás Vieira (LEMec)

Aprovado o despacho N° 002/CG/2026 a 8 de janeiro de 2026 tem-se o calendário escolar do Instituto Superior Técnico (IST) para o ano letivo de 2026/2027.  Esta nova organização abdicará dos famosos restos do segundo período, que depois das férias de Natal, eram empurrados para os primeiros dias de janeiro.


Num ano de transição pedagógica, fruto de queixas dirigidas ao período letivo e ao calendário escolar, esperavam-se mudanças em ambos. Contudo, mudanças na logística temporal não foram a prioridade anunciada, em fevereiro de 2025, com a revisão dos Princípios Enquadradores para a Reestruturação dos Cursos de 1º e 2º ciclo do Instituto Superior Técnico (PERCIST). Para que se registassem mudanças nos calendário, havia muitos obstáculos a contornar: as barreiras impostas pelo calendário do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES), para os alunos do 1º ano de licenciatura; a tipologia dos períodos letivos, que obriga quatro semanas de preparação, quatro de avaliação/exames, mais quatro em cada época de recurso; e a existência de múltiplos feriados, gravosos num sistema intensivo, de 7 semanas.

Contudo, no início do ano foi aprovado um novo calendário que, de facto, contempla uma mudança fulcral: A inexistência de aulas, no primeiro semestre, após as férias de Natal. Segundo o presidente do IST, Rogério Colaço,“as mudanças não são muito significativas, mas são importantes”. Em contrapartida, esta melhoria reduz a pausa entre os dois períodos do primeiro semestre. “Portanto, aquelas duas semanas que existem entre o P1 e o P2, na verdade, no novo calendário, não são duas semanas, é uma semana e três dias, ou seja, comprimiu-se ali dois diazinhos e depois há um feriado que ajuda e conseguiu-se encolher o primeiro semestre.” Adicionalmente, o professor faz notar que estes dias eram constrangedores à mobilidade académica.

Do mesmo modo, o segundo semestre vai encolher. “O resultado de tudo isto é que no final de junho, o pessoal está despachado […] ou seja, ganham ali à volta de dois meses em que podem fazer um estágio ou podem ir de férias passear.”

Por fim, foi posto em causa o papel do calendário na heterogeneidade curricular que se avizinha. Isto, porque resultado da mencionada mudança nos currículos em 2026/2027, haverá cursos com organizações desiguais, ou melhor, cursos em regime maioritariamente semestral e outros maioritariamente trimestral (em períodos de 7 semanas). Naturalmente, um curso que dispense, por exemplo, das semanas entre o primeiro e segundo período, por operar semestralmente, compreenderia um calendário distinto dos restantes cursos com cadeiras em períodos. No entanto Rogério Colaço recusa. “O Técnico não pode ter vários calendários, ou seja, não pode ter um calendário para o pessoal que está em semestres, um para os que têm quarters ou um para as licenciaturas e um para os mestrados. Não pode, isso seria o caos total. […] Há um princípio fundamental: O Técnico só tem um calendário, que tem que fazer a bissetriz entre os alunos que têm semestres e os que têm quarters e tudo isso.”


O novo horário já está disponível no website do IST, como também abaixo, conforme o anexo do despacho.

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