Técnico ProtoLab: um novo capítulo para os núcleos-protótipo

Autoria: Ângela Rodrigues (MEFT) e João Carriço (LEQ)

Dia 20 de janeiro foi inaugurado o espaço Técnico ProtoLab powered by Galp, no campus Alameda. Este espaço vem colmatar uma falta sentida pelos núcleos de prototipagem do Instituto Superior Técnico ao nível de instalações concebidas especialmente para este tipo de atividade. De modo a compreender como este espaço irá funcionar, bem como as suas valências, o Diferencial conversou com Pedro Oliveira, antigo team leader da Formula Student Team (FST) Lisboa. 

A inspiração para um espaço que assegurasse as instalações e equipamentos adequados para o funcionamento dos núcleos de prototipagem surgiu da colaboração entre a FST Lisboa e o Centro de Formação Profissional de Évora do IEFP. Este centro “dá formação a trabalhadores do setor aeronáutico, e é onde se encontram equipamentos industriais dedicados à produção de componentes em materiais compósitos de dimensões consideráveis, e pessoas qualificadas”, com as quais os membros da FST tiveram a oportunidade de aprender.

Assim, em 2022, os Núcleos de Prototipagem do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM) apresentaram tanto à presidência do departamento como ao Conselho de Gestão (CG), uma primeira proposta conjunta para um laboratório como o agora inaugurado, para que surgisse um espaço assegurador das condições de segurança para a realização das suas atividades de prototipagem, “desde a utilização dos equipamentos até às operações realizadas pelos membros dos núcleos”, à semelhança do que observaram no Centro de Formação Profissional de Évora. 

“Desde o primeiro instante sentimos apoio por parte do CG que, na pessoa do Professor Pedro Amaral, fez os esforços possíveis para encontrar um parceiro que quisesse abraçar este projeto”. E o parceiro encontrado foi a Galp, que contribuiu monetariamente para a criação deste espaço.

Dentro do Técnico ProtoLab powered by Galp destacam-se a existência de uma Sala Limpa e uma Sala Suja. 

“A Sala Limpa é dedicada à execução de processos cuja presença de partículas contaminantes interfere com a performance do produto final, nomeadamente a produção de componentes em materiais compósitos”. Antes do ProtoLab, estes processos eram realizados ou por entidades parceiras dos núcleos, exteriores ao Técnico, ou no Laboratório de Materiais Compósitos (LMC) do Departamento de Engenharia Mecânica. Agora, a existência desta Sala Limpa facilita o acesso dos núcleos a um espaço onde possam realizar as suas atividades sem perturbar investigação ou atividade letiva a decorrer no LMC. 

Já a Sala Suja é dedicada tanto ao pós-processamento de componentes manufaturados na Sala Limpa, como à realização de processos que emitem partículas, poeiras ou fumos. Tal como explica Pedro Oliveira, “anteriormente, estes trabalhos eram realizados nas oficinas dos núcleos ou, quando envolvia a emissão de poeiras, em espaço aberto no átrio do Pavilhão de Mecânica III”. Para além dos problemas relativos à “falta de infraestruturas essenciais, como linhas de ar comprimido, eletricidade ou bancadas de trabalho robustas”, os estudantes estavam também sujeitos às condições atmosféricas, quando se viam obrigados a trabalhar em espaço aberto. Destaca também o transtorno que este tipo de trabalhos, muitas vezes ruidosos, causava “àqueles cujo espaço de trabalho se localizava no piso à superfície do Pavilhão de Mecânica III”.

Este novo espaço tem o intuito de preencher uma lacuna observada pela generalidade dos núcleos de prototipagem do IST, no que toca à necessidade prolongada de um meio de trabalho que permita o desenvolvimento das suas atividades com as condições apropriadas. Embora o ProtoLab verifique estes critérios, possui algumas limitações expectáveis, e, por ser destinado a vários núcleos de estudantes, implicará uma gestão prudente do espaço e dos recursos. Assim, Pedro Oliveira destaca que, para o trabalho eficaz neste espaço “a capacidade de organização é fundamental”, afirmando que, se se mostrar necessário, será importante efetuar uma divisão do espaço e do equipamento entre os núcleos para a sua utilização simultânea. Assegura, contudo, que “os picos de trabalhado dos diferentes núcleos aparecem, na maioria dos casos, em diferentes alturas do ano, o que facilita a coordenação”.

Relativamente à parceria com a Galp, uma vez que faz parte da Rede de Parceiros do IST, não existirão implicações diretas para os núcleos de protótipos. No entanto, Pedro Oliveira destaca que o trabalho desenvolvido pelos mesmos vai ao encontro dos objetivos de sustentabilidade da Galp, na medida em que os projetos de veículos procuram soluções para uma mobilidade mais sustentável: “há mais de dez anos que todos os projetos de veículos têm propulsão elétrica, com a energia elétrica proveniente de diversas formas de armazenamento/conversão, das baterias ao hidrogénio”.

Conforme mencionado anteriormente, o Técnico ProtoLab nasce da contribuição conjunta de vários intervenientes, sem os quais esta obra seria apenas um tema de conversa. Nesse sentido, Pedro Oliveira demonstra a sua gratidão não só para com a Galp, como também perante os Núcleos de Obras e de Segurança e os Serviços Centrais do Técnico, destacando ainda o nome do Professor Luís Sousa, do DEM.

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