Texto 1: Anónimo

Tirei a carta de condução numa escola em Lisboa bastante conhecida. O meu instrutor de condução na segunda aula vira-se para mim e diz “os dois homens mais importantes da tua vida são o teu pai e eu”. Fazia questão de me cumprimentar com um beijinho sempre que me via, frequentemente nas nossas aulas de condução referia-se a outras mulheres no trânsito como “estas gajas” e “puta da velha”, mostrava-me fotografias dele em jovem de tanga na praia, agarrava-me nas ancas, fazia-me cócegas durante as aulas (tocava-me na virilha). Uma vez também me fez um convite para ir a um restaurante com ele. Cheguei a saber que ele era conhecido como o “Tó Tarado”, e eu nunca pude fazer grande coisa porque ele é o dono da escola, e na receção trabalha a filha dele e a mulher/namorada.

Texto 2:  Anónimo

Tinha 12 anos e um colega da minha turma pegou-me na mão e esfregou-a nos seus genitais por cima das calças e eu fiquei chocada sem reação. Não compreendi a gravidade até uns anos mais tarde e isso é assustador.

Texto 3:  Anónimo

Só me apercebi do que tinha acontecido meses depois. 4 meses depois do final da relação, ao partilhar as minhas histórias com amigos num tom engraçado (como se de uma história sexual menos boa se tratasse) é que percebi que aqueles momentos não tinham sido normais. Hoje vivo todos os dias a lembrar-me de momentos que normalizei, momentos de assédio, violência e até mesmo abuso sexual. Hoje sinto o abuso como se o estivesse a viver pela primeira vez, porque muitas das vezes é a primeira vez que estou a encará-lo como tal.

Texto 4:  Anónimo

Estava um dia a ir apanhar o autocarro depois da escola. Ia a passar a passadeira e, do carro que parou para me deixar passar, um homem de meia idade grita “comia-te toda”. Tinha 13 anos (e ainda um corpo de criança). Este foi o caso que mais me marcou, mas a parte mais doentia é que isto (homens a mandar bocas porcas e beijinhos na rua) era mais frequente quando eu era criança.

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