Os últimos tempos têm sido uma loucura. Os Loucos Anos 20 voltaram numa abordagem um pouco diferente. Ao passo que há um século foram sinal de liberdade, estes trouxeram o oposto. A situação pandémica afetou fortemente as nossas vidas causando grandes impactos. Como está a ser voltar ao “normal” depois de tanto tempo e tão bruscamente afastados da vida como a conhecíamos?

Autoria: Laura Lourenço, LEBiom

São inegáveis os impactos da situação pandémica nos mais variados setores: saúde, política, economia, entre outros. A capacidade do ser humano responder às mudanças foi novamente posta à prova numa escala inimaginável. Quem diria em 2019 que passaríamos grande parte dos próximos dois anos fechados em casa, privados de viver o nosso quotidiano, de conviver com pessoas, dos ambientes de festa que tantas vezes ajudavam a quebrar a rotina. Subitamente, ficámos enjaulados num pequeno cubículo, conhecemos a solidão, aprendemos a conviver com ela, e reconhecemos a extrema importância de socializar. É engraçado ver que muitas das coisas que nos queixávamos em tempos ditos normais, foram desejados ao longo destes últimos dois anos. De repente, sentimos falta de acordar cedo para ir para as aulas ou daquele colega “chato”; sentimos falta da rotina, de coisas tão banais como ir tomar um café a uma esplanada. O início desta nova realidade foi chocante e duro. Um estudo realizado pela Mind – Instituto de Psicologia Clínica e Forense concluiu que, numa fase inicial da pandemia, quase metade dos portugueses (49,2%) sentiu um impacto psicológico “moderado a severo“, traduzindo-se em depressão, ansiedade e stress, resultados que se alinham com os estudos feitos a nível mundial. Fomos forçados a desabituarmo-nos de um estilo de vida e habituarmo-nos a outro, de modo abrupto, sempre de olho nos media com a esperança de que esta cruel verdade se solucionasse rapidamente. 

Agora entramos noutra etapa, que muitos consideram o fim deste episódio. As restrições mais hostis foram levantadas. A vida académica está de volta. Bares e discotecas abriram. Os transportes públicos estão novamente cheios. Há gente na rua. Parece tudo quase perfeito, mas será assim tão fácil voltar à normalidade?

Temos de reaprender a viver. Muitos estão sedentos de tudo o que se privaram neste capítulo e procuram agora compensar o tempo perdido. No entanto, não se pode negar o impacto psicológico que este vírus provocou em cada um de nós. Não é por isso de estranhar que esta fase não seja encarada da mesma maneira por todos e que nem todos se sintam à vontade para viver o quotidiano como antes o conheciam. A maneira como algo simples se pode tornar quase escandaloso aos nossos olhos por surgimento de situações inimagináveis, é assustadora e sobrenatural. Apesar da segurança e alívio que a vacinação trouxe, multidões ou mesmo pequenos grupos de pessoas que antes eram vistos como encontros ou convívios banais, são agora vistos com estranheza e até mesmo medo, por parte de alguns de nós. E muitos são os que ainda não conseguem imaginar-se sem máscara em contextos sociais. “Às vezes vejo stories no Instagram em festas e não me consigo imaginar naquele ambiente, dá-me até alguma ansiedade, apenas ver”, revela fonte anónima. Nem todos aceitamos a mudança da mesma maneira. Nem todos conseguimos mudar os nossos hábitos de forma rápida, de acordo com o timing em que as situações ocorrem. Ninguém esquecerá estes anos. Todos precisamos do nosso tempo para voltarmos a encarar a vida, uns mais que outros. O importante é reconhecer o valor deste ciclo e tentar seguir com a consciência de que aquilo que passámos não nos pode privar mais do que privou. E, se necessário, procurar e usufruir da ajuda disponibilizada por organizações, sistemas de saúde ou outras entidades, neste processo de readaptação.

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