Autoria: Afonso Jacinto, MEMec (IST)

No Crescente Fértil, em tempos de reis e rainhas, nasceram muitas das mais famosas mulheres que o mundo alguma vez conheceu. Histórias de amor e traição, de mulheres poderosas e fraturantes que ajudaram a edificar uma das mais célebres culturas que o mundo já viu. Os Faraós eram considerados deuses, e prova disto são as enormes estruturas construídas nesta altura para alojar cada um na sua viagem para o além. Pirâmides que tocavam o céu, que se impunham num deserto infinitamente quente.

Estas monarcas eram ferozes e respeitadas pelo seu povo, temidas pelas altas classes de todos os cantos do mundo. Cleópatra, a Faraó mais conhecida do antigo Egito, filha de Ptolomeu XII, nasce a 69 a.C., num clima de traição e incesto. Casa com Marco António, respeitado membro da alta sociedade Romana. Quando nos situamos no espaço e no tempo, percebemos que a pirâmide construída em nome de Quéops era tão antiga para Cleópatra como os Romanos são antigos para nós, o que nos dá uma noção da imensidão histórica e do poder do Egito, um grande peso nos ombros de quem carregava o título de líder supremo. Cleópatra viria a ser uma das últimas Faraós do Egito. Após a sua morte, o Império Novo que governara cairia em 30 A.C, e viria a agregar-se ao império Romano. Cleópatra é uma das mulheres mais conhecidas na idade contemporânea pela sua imagem poderosa e pelo clima enigmático que rodeia a rainha.. Mostrou-nos que a influência feminina sempre foi algo sério e imprescindível na cultura egípcia.

Nefertiti é, também, uma das mais conhecidas Faraós do antigo Egito. Esta rainha, famosa pelo seu busto, ficou conhecida não só por ser uma das mulheres mais poderosas da sua época, mas por ser a primeira Faraó monoteísta, quando o seu povo e o seu reino praticavam a religião politeísta egípcia que todos conhecemos. Em certo ponto do seu reinado, cerca de 12 anos depois de casar, desapareceu. Acredita-se que se tenha separado do seu marido, Amenhotep, pai de Tutankhamun. Nefertiti significa “A mulher linda chegou” e sabemos que era alta, magra, ou pelo menos era assim que o seu marido queria que fosse vista, e que não era irmã do seu noivo, o que era acontecimento raro na sua altura. O seu famoso busto foi descoberto em 1913, lançando-a assim para os holofotes mundiais. Governou até o seu enteado, Tutankhamun, ter idade para governar, tendo-se suicidado após a morte de uma das suas filhas.

Nas margens do Nilo, nos primórdios da civilização, nasceram estas pujantes mulheres, que, numa época marcada pelo desenvolvimento cultural e tecnológico, subiram ao cume duma montanha quase impossível de escalar. Demonstraram o seu poder e a sua influência não só sobre as suas próprias culturas, mas também sobre toda a sociedade atual, servindo como símbolos do que o ser humano é capaz de alcançar e enfrentar. Para estas mulheres, o céu foi o limite, e ainda hoje, ao visitar os antigos corredores longos e secos de palácios que dantes se erguiam para dar lugar às maiores cidades que o mundo já viu, podemos sentir a mística, os perfumes e o impacto que estas destemidas mulheres deixaram numa das sociedades mais memoráveis e extraordinárias alguma vez edificadas pela Humanidade.

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