Por uma senhora União Europeia mais produzida

Ainda é possível acreditar nesta jovem(?) de 60 anos?

BURKAMP, Dieter (Hrsg.). Zehn "Neue" für Europa - The Ten "New" Europeans. Bielefeld: Kerber, 2004. 119 S. ISBN 3-936646-87-2.
BURKAMP, Dieter. Zehn “Neue” für Europa – The Ten “New” Europeans

O projecto, que começou como um pretexto para evitar novos conflitos entre os países europeus e fugir à atracção das superpotências americana e soviética, e que depois se transformou no maior e mais complexo plano de cooperação económica, social e financeira alguma vez realizado entre múltiplas nações, fez em Março 60 anos. Uma história sexagenária marcada por prosperidade, expansão, desistências e crises – crises económicas, de soberania e de identidade. O seu definhamento e morte já foram profetizados várias vezes durante o início deste século (que só conta ainda com 17 anos…) pelas mais diversas figuras, tanto do outro lado do Atlântico, como ao nível dos próprios estados-membros europeus, e até mesmo por personalidades russas, africanas e asiáticas. Porém, à parte de conjecturas que se estendem desde opiniões pessimistas a whishful thinking, cabe aos europeus decidir o destino desta união, pesando os prós e os contras desta relação.

Ora como falamos de pessoas, a avaliação deste projecto não é feita em moldes puramente racionais e desapaixonados, pelo que a experiência pessoal, a posição dos políticos a nível nacional e a forma como a União é retratada pelos órgãos de comunicação social desempenham um papel relevante na percepção que cada um tem sobre a União. É, por isso, fundamental que exista uma estratégia que promova a imagem do projecto e leve uma mensagem clara e inequívoca sobre os benefícios da União. A questão que se coloca é se esta estratégia tem sido implementada e se tem sido eficiente.
As ideias de pátria, nação e terra são facilmente assimiladas por qualquer um, sendo possível construir à volta delas uma identidade que representa uma comunidade com certas características e valores culturais, à qual é possível estabelecer uma relação afectiva e de pertença. Quando se fala da terra onde se nasceu e cresceu, quando em eventos desportivos como o europeu e o mundial de futebol, e os Jogos Olímpicos, Portugal é representado por equipas ou por atletas individuais; e quando ao nível da arte se é reconhecido lá fora por, por exemplo, o fado e o cante alentejano, fala-se de uma identidade comum. No que toca à União Europeia (UE), esta percepção de pertença a uma comunidade maior do que a nação não existe. A relação é muito menos afectiva e em vários casos é vista de uma perspectiva puramente interesseira por parte dos estados (o exemplo mais claro é o Reino Unido). Não existindo essa relação, a União está mais susceptível ao clima económico. Em alturas de crise e de pouco ou nenhum crescimento económico, é fácil para os políticos cavalgar as ondas de descontentamento e, com discursos eurocépticos e nacionalistas, colocar as culpas na elite burocrática de Bruxelas e propor a saída da UE como a solução dos seus problemas.

Muitas vezes, a UE não é capaz de arrebatar as capas dos jornais nem ganhar destaque nos órgãos de comunicação social. Legislação, por mais importante que seja, deliberações da Comissão Europeia e questões debatidas no Parlamento Europeu (PE) passam ao lado de grande parte dos cidadãos. Existe pouco conhecimento quanto às funções que cada instituição europeia desempenha, a forma como as pessoas são escolhidas para os cargos, o que são e quem são os membros do PE, como é que os partidos políticos nacionais se encontram organizados em famílias políticas distintas no PE, etc. A actuação da UE é subtil e a imagem que se faz passar é aquela que é muitas vezes definida pelos políticos e comunicação social nacionais. Burocracia, regulação excessiva, perda de soberania, governação franco-alemã, elites europeias altamente remuneradas – tudo isto são chavões que constam das críticas, mais ou menos válidas, que se apontam à União. Críticas que vão construindo e cimentando a percepção do cidadão comum sobre a mesma. E relativamente às suas conquistas e trabalho feito? Se não for a UE a falar, quem falará sobre os fundos para a agricultura, para o desenvolvimento tecnológico e científico, a partilha de conhecimento e de pessoas entre universidades e centros de investigação espalhados pela Europa, os projectos de intercâmbio cultural, programas de mobilização como o Erasmus, o Interrail (só para dar alguns exemplos)?

Os tempos são diferentes e exigem formas diferentes de comunicação. Num mundo onde somos constantemente bombardeados com informação nas mais diversas plataformas, é importante marcar uma posição e enviar uma mensagem clara que se eleve acima do ruído. A União tem de mostrar de uma forma vincada, directa e pessoal aos cidadãos europeus aquilo que vale. Os extremistas, nacionalistas e terroristas há muito que aprenderam a fazer uso da comunicação como a principal arma. Se a União não souber usar esta ferramenta de forma eficaz, não receberá os méritos do seu esforço e será olhada com desconfiança e enfadonho, como muitas vezes sucederá no fim do Erasmus: o estudante preenche um inquérito com n perguntas sobre a sua experiência e a ideia que fica no fim é a já tão familiar noção da burocracia europeia, e não um sentimento de partilha e de pertença a um projecto que já conta com 60 anos.

Trumpmania

Demagogia a caminho da Casa Branca?

Quem ainda não ouviu falar de Donald Trump, o bilionário do sector imobiliário e celebridade da televisão que se prepara para ser provavelmente o candidato republicano às presidenciais nos EUA? Trump é, sobretudo, um entertainer, um homem que sabe o que tem de fazer para cativar a atenção da audiência.

Acontece que, neste caso,a plateia que o vê é o eleitorado norte-americano e o objectivo do espectáculo é a sua eleição. Ele é um produto da degradação da política norte-americana e, mais especificamente, da radicalização de um partido republicano que já não controla as suas bases. Criam uma representação distópica da realidade, incutindo medo e desconfiança, mas são incapazes de apresentar soluções para as mesmas, sendo por isso reféns do seu próprio radicalismo.

É nesse tipo de ambiente, à saída de uma crise económica e com uns media totalmente subjugados à força das redes sociais, que se geram as condições necessárias para o aparecimento de uma criatura política como Trump. É a antítese do establishment de Washington.
É o político que não é político, vem do mundo empresarial e tem uma língua afiada. Trump é um fenómeno alavancado pela Internet e pelas redes sociais.

O seu nome está quase sempre presente nas pesquisas relacionadas com a política e as presidenciais norte-americanas e uma rápida análise no Google Trends revela que o interesse em Trump apresenta uma tendência sempre crescente nos últimos anos e muito mais acentuada do que em qualquer outro candidato.

Evolução das pesquisas dos 4 principais candidatos relativa ao máximo da pesquisa de cada um
Evolução das pesquisas dos 4 principais candidatos relativa ao máximo da pesquisa de cada um

Quando se olha para as pesquisas relacionadas, enquanto para os outros candidatos grande parte das pesquisas envolvem os adversários e o partido pelo qual concorrem, Trump destaca-se com pesquisas associadas à sua riqueza, património, Twitter e esposa. A classe média que sofreu com a crise económica, mas sobretudo os trabalhadores brancos mais pobres que se vêem em trabalhos precários, vêem-no como um self-made man, alguém que está em total controlo da sua vida e idolatram-no por isso. Quando surge num comício, ele está a vender um produto, a marca Trump.

Investigar o tipo de retórica usado permite perceber por que razão o que diz pode ser tão apelativo. É narcisista, mas transmite presunção com uma autenticidade tal que persuade as pessoas que o ouvem a pensar nessa vaidade como algo fundamental na recuperação da grandeza da América (daí o slogan de campanha “Make America great again”). Mas vamos por partes:

      1. “Don’t” – é um dos verbos mais empregues. O uso de frases negativas é recorrente e está quase sempre associado a dois sujeitos: ‘’We” e “They”. O primeiro refere-se ao país e serve para destacar o suposto estado de fragilidade em que se encontra face a um mundo exterior mais feroz e competitivo. Serve para contrapor com a grandiosidade dos EUA dos anos 80 e 90, quando o país vivia um crescimento económico galopante e saboreava o pós-2ª Guerra Mundial e o colapsar da União Soviética.É vulgar encontrar frases que dão uma imagem de subjugação do país perante outras entidades, sejam elas países como a China, que desvaloriza a moeda para fazer concorrência desleal, como a Rússia, que tem como líder Vladimir Putin, uma figura forte que governa com mão de aço, obtendo sempre o que quer, em oposição à lassidão de Obama, ou como o Irão, que negoceia acordos nucleares e nas costas explora a credulidade do Ocidente para continuar a desenvolver armas nucleares; sejam elas movimentos ou fenómenos como a imigração e a incapacidade de controlar as fronteiras, e  o terrorismo.Todas estas questões são legítimas na sua génese e não devem ser por isso desconsideradas, mas Trump pega nelas e exagera certos aspectos para gerar indignação, receio e desconfiança. “We don’t know”, “We don’t have” são elementos que repete até à exaustão. Toda esta vulnerabilidade não existe por acaso e é preciso usar o segundo sujeito como o agente do mal. “They” refere-se não só aos democratas, mas a Washington (incluindo os seus adversários republicanos nas presidenciais) que se tornou um ícone da corrupção, incompetência e inércia da política norte-americana. Trump aproveita-se da imagem já presente para cavalgar a maré de descontentamento que o povo americano sente relativamente aos seus representantes.São “eles” os culpados, os senadores e deputados que prometem mundos e fundos, mas mal chegados a Washington parecem apanhados pela apatia e amarrados aos interesses de lobbys. Trump apresenta-se como alguém livre dessas correntes. O argumento do “sou rico, sou independente e por isso não preciso de tomar acções moralmente reprováveis” cai muito bem entre as pessoas que estão fartas do clientelismo de Washington.
      2. “Very, very” e “great” – A adjectivação para Trump baseia-se no abuso do superlativo absoluto analítico. “Very simple,hard,proud,sad,weak,upset…” são exemplos do que povoa os seus textos. Faz uso sempre de adjectivos simples, muitas vezes monossilábicos e quase sempre acompanhados de um ou mais “very” que acentuam o adjectivo. Um dos adjectivos mais usados é “great”, o qual costuma estar ligado à sua pessoa.

3. A linguagem do povo – Trump não tem um discurso adornado com palavras caras. Comunica as suas ideias em frases normalmente simples e curtas. Por vezes nem chega a terminar um determinado raciocínio. É capaz de interromper aquilo que está a dizer para fazer um comentário depreciativo sobre alguém, ou congratular-se pelo seu próprio sucesso.

Este ziguezague constante passa uma imagem de uma certa proximidade. Há até coreografias com o público. “Quem vai construir aquele muro?” grita Trump e respondem-lhe de volta “México!” ou quando Trump se vira para os jornalistas a cobrir o evento e os insulta, sendo acompanhado por vaias do público, são exemplos da comunhão que Trump e os seus apoiantes fervorosos partilham.

Conhecem todos os soundbites e repetem-nos, sendo sempre acompanhados pelo sorriso e encorajamento de Trump, que alimenta esta posição de intolerância.

4. “I’m” e “success” – Já apresentou a vítima, os americanos, e o culpado, os políticos, e descreveu o cenário distópico em que vivem. O que falta? O salvador que vai criar empregos para todos, acabar com a imigração e o terrorismo, resolver os problemas do Médio Oriente, e colocar China e Rússia no seu devido lugar.

As duas palavras andam entrelaçadas ao longo de todas as suas intervenções a tal ponto que se torna impossível dissociá-las. Trump é um nome forte e que se junta bem à forma agressiva como fala. Mesmo que lhe apontem falhas no raciocínio, nunca vacila e torna-se mais hostil. Se alguém tenta contrariá-lo, foge ao assunto e rapidamente ostraciza o indivíduo.

Ele consegue sobreviver à sua ignorância, porque logo no instante a seguir ataca quem lhe fez a acusação. Depois disso, a imagem que fica é a incapacidade de quem o acusou de lhe responder de volta. Isto, porque raros são os jornalistas ou personalidades que estão dispostos ou sequer habituados a descer ao mesmo registo dele.

5. “Ad-e tudo” – Exemplos de ad hominem não faltam: seja um jornalista como uma deficiência motora que escreveu um artigo sobre o 11 de setembro e negou que houvesse muçulmanos a festejarem nos terraços dos prédios em Nova Jérsia, seja um rival republicano como Jeb Bush, que acusou de ser um miúdo mimado e estúpido.

Invariavelmente, o plano é este: se criticam as suas posições, furta-se ao confronto de ideias e passa para o insulto, adjectivando o seu opositor de marioneta, aborrecido, fraco ou, em último caso, acusa-o de deturpar as suas palavras, mandando-o reler/ouvir o que dissera.

Ad populum é também frequente. Quando quer dar força às suas ideias, inventa ou refere sondagens em que supostamente a maioria das pessoas concorda com ele. Se a maioria concorda, então só pode ser verdade. O que, reduzido ao extremo, se torna simplesmente em “votem em mim, porque eu sou popular. Porque sou popular? Porque defendo coisas populares”.

Trump sabe aquilo que as pessoas querem ouvir e depois, com a sua aptidão de vendedor, coloca um laço por cima e apresenta-lhes isso mesmo. Sem explicações, sem planos. O produto é apenas a promessa.

Ad baculum é também uma das suas favoritas. Qualquer discussão que não se resolva por ad hominem acaba com Trump a ameaçar através de coerção (física ou, por exemplo, através de processos em tribunal) o seu opositor. Dá uma oportunidade para projectar a sua força e parecer dominante num confronto que era inicialmente ideológico.

Ad verecundiam, por último, é parte integrante da forma de estar de Trump. Fala como se fosse uma autoridade inquestionável no mundo dos negócios e isso lhe desse capacidade para falar sobre tudo. Estamos a falar de alguém ao nível de um deus na terra. Os argumentos de autoridade surgem frequentemente e facilitam-lhe muito o trabalho.

Se ele for bem sucedido em apresentar uma imagem de sucesso e infalibilidade, então basta-lhe depois fazer afirmações sem qualquer necessidade de as sustentar. “Acreditem em mim”, “Eu digo-vos isto”, são exemplos da estrutura base que usa para este tipo de falácia.

Quando Trump diz que será “o melhor presidente criador de empregos que Deus já criou. Eu digo-vos isto” e depois é interrompido por aplausos entusiásticos, todo o trabalho que empregou na criação da marca apresenta os seus resultados. Se isto fosse dito por outro rival republicano teria o mesmo impacto? Muito provavelmente não, seria visto como uma fraca tentativa de conseguir votos.

Trump é uma personagem dos tempos e não é algo exclusivo do outro lado do Atlântico. É um sintoma da incapacidade dos políticos e da própria democracia em responder às necessidades dos seus cidadãos e ao mesmo tempo adaptar-se a um mundo globalizado que é muito diferente daquele em que as nações ocidentais se formaram. A ascensão surpresa de Trump diz-nos também quão incapazes somos de prever o futuro e, ainda mais, de reagir às mudanças, sendo prontamente engolidos pela avalanche de acontecimentos. Muito provavelmente Trump não será o próximo presidente dos EUA, mas ficará para a história como um “palhaço” do circo televisivo foi capaz de, por alguns momentos, acreditar que era possível sentar-se numa das cadeiras mais importantes do mundo.

Tay – A experiência que a Microsoft se arrepende de ter feito

No passado dia 23 de Março, a Microsoft lançou um novo serviço, de nome Tay. Tay é uma experiência na área da inteligência artificial.

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Tay é uma aplicação que teria como finalidade melhorar o serviço ao cliente no serviço de reconhecimento de voz da Microsoft. Numa fase experimental, Tay também interage com utilizadores do Twitter. E foi precisamente isso que correu mal.

O serviço lê tweets dos utilizadores e responde de acordo com os seus conhecimentos, usando algoritmos de inteligência artificial que lhe permitem emular o comportamento de uma rapariga “teenager”. Ou pelo menos era essa a ideia.
Tudo começou da melhor forma: os primeiros tweets passavam mensagens inofensivas como “olá mundo!”, “os humanos são fixes” ou “porque é que não é #DiaNacionalDosCachorros todos os dias?”.

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Óptimo. Isto da inteligência artificial é giro. O que é que podería correr mal? Tay foi desenhada para aprender com o comportamento dos outros cibernautas – comportamento esse que nem sempre é o mais politicamente correcto. Não tardou até que Tay começasse a aprender calões e insultos genéricos. E, umas horas depois, foi lançada a primeira “bomba”:

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Depois de mensagens antisemitas e impersonações do terrorista, perdão, candidato Donald Trump, a Microsoft parou o serviço temporariamente.

tay-byeO serviço demorou cerca de 24 horas a ser desligado e, por essa altura, o mal já estava feito. A Microsoft já se pronunciou sobre esta ocorrência, que descreve como um ataque por parte de “trolls”.

É curioso perceber o mecanismo que levou Tay a adoptar frases politicamente incorrectas. Os “trolls” não se limitaram a escrever frases para Tay repetir – o que fizeram foi um passo para além disso. Pensa-se que os “trolls” conseguiram guiar Tay para ler alguns recursos específicos na Internet que continham mensagens ofensivas.

Ficamos expectantes pelo regresso de Tay. Isto se a Microsoft tiver coragem para a ligar outra vez!

Ida a Marte: uma necessidade humana ou científica?

Seguindo o desenvolvimento da exploração espacial em específico em Marte, com o robot Curiosity, será o próximo passo uma viagem tripulada a marte?

 

Após o sucesso do robot Curiosity as publicações nos media intensificam-se sobre uma potencial viagem tripulada a Marte, mas ainda há muito trabalho por fazer até chegar a esse ponto, ou será que não? Várias questões como os desafios de uma ida a Marte, as tecnologias a desenvolver, os obstáculos políticos entre outros foram abordadas pelo presidente da Mars Society na sua palestra que decorreu em Julho de 2014. Ninguém trabalhou mais numa possível ida a marte do que Robert Zubrin, que desenvolveu vários projectos sobre o tema desde a década de noventa e é isso mesmo que aborda na sua palestra. Abordo adiante os seus argumentos tentando simultaneamente fazer a ponte entre a perspectiva de um cientista sobre a escala da importância de uma ida a Marte e a sua importância relativa humana.

 

O porquê de ir a Marte

De um ponto de vista científico existem três razões principais que abordo. Uma fundamental é o facto de uma viagem a Marte poder permitir encontrar registos de vida extintos (fosseis). A própria existência de fosseis pode provar que a vida é um desenvolvimento natural da química, ou seja, que dados certas condições como existência de água, temperatura e outros elementos químicos, a criação de vida deriva necessariamente dessas condições e é um fenómeno universal. Caso não se encontrem isso pode ser uma prova contra essa mesma teoria e indicar que a criação de vida pode ter factores aleatórios e que pia16239_c-hpfeatnão existe uma ligação directa entre as condições necessárias e a criação de vida. Estas conclusões têm uma relevância extrema em termos humanos. Caso haja fosseis e possamos comprovar a teoria que a criação de vida é realizada como descrita acima podemos inferir que existem outras (possivelmente imensas) formas de vida espalhadas pelo universo. Contudo, se estiverem todas as condições presentes mas não encontremos nenhum registo fóssil temos um argumento de peso na perspectiva do humano e a terra como seres únicos a habitar um planeta no universo. Esta situação não terá conclusão até ao momento em que consigamos investigar em solo marciano. Até lá partilhamos o sentimento expresso na frase de Arthur C. Clarke, escritor de ficção científica “Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no universo ou não estamos. Qualquer uma delas é igualmente terrificante”.

Analisando a segunda razão, podemos também reflectir sobre o estatuto humano no universo. Um dos propósitos de ir a Marte é para perfurar o seu solo. Perfurar o seu solo poderá permitir que encontremos seres subaquáticos vivos num ecossistema que possamos analisar e comparar. Comparar em que termos pergunta? Comparar em termos de estructura bioquímica, comparar em termos de crescimento e replicação celular. Podemos analisar esses seres vivos em todos os seus aspectos e muito provavelmente, caso existam, seríamos surpreendidos pela sua forma e comportamento em ambientes minimamente distintos dos da Terra. Esta razão é igualmente relevante no ponto de vista humano mas num sentido bastante diferente. Todos os organismos na terra usam os mesmos conjuntos de aminoácidos, os mesmos métodos de replicação e transporte de informação (DNA e RNA). Será que toda a vida no universo é assim ou somos nós apenas um exemplo específico? Será que o homem é a medida do universo ou existe uma maior diversidade? Esta é uma pergunta milenar que tem um impacto enorme na definição do humano. Exemplos como a teoria do geocentrismo (que defende que a terra está no centro do universo) demonstram que o humano tende a considerar-se o exemplo mestre na sua existência quando não dispõe de meios para demonstrar o contrário. Esta é uma forte razão que apoia uma ida a Marte.

Por último existem duas razões que se ligam que mostram o potencial póstumo de uma ida a Marte. A primeira é uma pequena análise das consequências socias. A exploração espacial foi marcante na época dos anos sessenta e setenta não só pelo seu sucesso mas também pela motivação para enfrentar novos desafios. É importante que se derrube novos desafios também pelo seu impacto nas novas gerações e pelo interesse que desperta nas massas. Um interesse colectivo das massas gera um maior desenvolvimento em todos os sectores envolvidos e isso nota-se ao analisar o orçamento da NASA na altura das missões Apolo em comparação com hoje em dia. É claro que um desenvolvimento mais rápido de um sector leva a mais descobertas desenvolvendo um ciclo benéfico de crescimento.

Concluo com olhar sobre as consequências num futuro longínquo. A exploração sempre foi um acto marcante do homem que deriva da sua curiosidade. Enquanto humanidade superámos objectivos como a exploração e conexão de todo o globo terrestre através de diversos meios, isto é uma realidade actual e bastante recente dada a escala da existência humana. Uma exploração com a ambição de uma viagem tripulada a Marte é um acto que marcará a história da humanidade como seres vivos capazes de explorar o universo e dominar a natureza. Não só isso mas também porque acontecimentos como estes mudam a sociedade ao expandir a nossa perspectiva do universo e isso tem um impacto na memória das pessoas, tal como diz Robert Zubrin “They will remember what we do to make their civilization possible”, a sua civilização em todos os seus sentidos: desde o quotidiano até às perguntas eternas sobre o universo

Greve de fome pela liberdade

Luaty Beirão é um rapper luso-angolano, conhecido em Angola por participar em manifestações contra o governo. O cantor, de 34 anos, e mais 14 ativistas juntavam-se todos os sábados para discutir o conteúdo de dois livros que explicam como combater uma ditadura. Uma destas obras era Da Ditadura à Democracia, uma Estrutura Conceptual Para a Libertação de Gene Sharp. O segundo livro é uma adaptação do primeiro, mas tendo em conta a realidade angolana. Foi escrito por Domingos Cruz, que também faz parte dos 15 ativistas.

A 20 de Junho de 2015 foi feita uma operação policial pelas autoridades angolanas, para prender 13 destes ativistas. Dias depois, outros dois foram também presos. Não foram julgados, nem formalmente acusados de nada. Apenas os informaram de que estavam a ser travados de preparar um golpe de estado. Luaty Beirão e os restantes presos políticos dizem não compreender esta acusação, pois apenas discutiam formas pacíficas de acabar com o regime que eles consideram ser uma ditadura.

A 16 de Setembro, o grupo foi formalmente acusado de preparar uma rebelião e um atentado contra José Eduardo dos Santos, presidente de Angola. Dia 20 do mesmo mês acabou o prazo legal de 3 meses de prisão preventiva e nenhum deles foi libertado. No dia seguinte, Luaty começou uma greve de fome para expor ao mundo a situação.

Por já ser um artista conhecido, o caso espalhou-se por todo o mundo. No dia 9 de Outubro, mais dois dos ativistas iniciaram também uma greve de fome, Albano Bingobingo e Nelson Dibango. Estes dois, por não terem tido o mesmo mediatismo de Luaty, não foram tratados da mesma forma. Enquanto nesse mesmo dia, Luaty foi transferido para uma clínica para ser acompanhado medicamente, Albano e Nelson não tiveram qualquer ajuda médica, sendo que Albano foi até “(…) torturado por guardas prisionais”, segundo a agência de notícias makaangola.

O regime angolano tentou silenciar o caso. O canal televisivo estatal de Angola, o TPA, referiu-se à greve de fome de Luaty como “comportamento diferente em relação aos alimentos”. Algumas vigílias de apoio ao rapper foram reprimidas. Contudo, a atitude do ativista teve grande apoio noutros países, especialmente em Portugal. Em Lisboa, foram organizadas vigílias para apoiar os presos políticos.

A Human Rights Watch, organização que reporta violações de direitos humanos, por todo o mundo, afirma que o povo angolano tem sofrido várias destas violações pelo governo angolano. Angola é oficialmente uma democracia, mas aparece em 124º lugar no ranking de liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras. O país celebrou este ano 40 anos de independência, com 36 anos de José Eduardo dos Santos como presidente, sendo o seu partido, o MPLA, fortemente acusado de corrupção pelos partidos da oposição. A sua filha foi a primeira bilionária africana e o segundo filho está a frente do Fundo Soberano de Angola, que tem o valor de 5 mil milhões de dólares.

A 19 de Outubro foi, finalmente, marcado o julgamento. No dia seguinte, Nelson Dibango suspendeu a sua greve de fome, e Albano Bingobingo fez o mesmo dia 21, queixando-se dos vários maus tratos que sofreu. Porém, Luaty Beirão continuou a sua luta, afirmando que só pararia quando lhes fosse permitido aguardar o julgamento em liberdade, apesar de já se encontrar num estado de saúde muito débil.

Após vários apelos da sua filha, mulher, dos restantes ativistas e de pessoas por todo o mundo, o rapper, formado em engenharia eletrotécnica, decidiu acabar a sua greve de fome ao 36º dia, a 26 de Outubro. Perdeu 23 kg e luta agora por recuperar a saúde. Uma semana depois voltou para junto dos companheiros, na prisão, e em conjunto aguardaram o julgamento que se iniciou a 16 de Novembro. Vários dos ativistas apresentaram-se em tribunal descalços, como forma de protesto pela sua detenção. O acesso à sala de audiências foi negado aos jornalistas, estando estes apenas autorizados a acompanhar as alegações finais e a leitura do acórdão, que não têm ainda datas marcadas.

Oymyakon, o “Polo do Frio”

Com -67,7ºC Oymyakon, uma localidade de 500 habitantes no nordeste da Rússia (leste da Sibéria), detém o recorde de temperatura mais baixa alguma vez registada pelo homem, num local permanentemente habitado. Isolada do resto da civilização e com condições climáticas extremas, a luta pela sobrevivência é diária e a população destemida criou, ao longo dos anos, formas de adaptar aparelhos e bens do nosso dia-a-dia a ambientes agrestes. Aqui, o frio ártico é algo que têm de suportar.

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A alimentação dos habitantes é maioritariamente carnívora, à base de carne de cavalo e de rena, pois o solo, permanentemente congelado, impede a plantação de vegetais. Algumas das iguarias locais são a carne de rena, carne crua raspada de peixe congelado e cubos de gelo de sangue de cavalo com macarrão. A culinária é peculiar, mas eficiente para condições tão extremas quanto estas.

As condições extremas implicam também algum cuidado com os bens dos habitantes. Os carros têm de ser estacionados em garagens com aquecimento ou, se deixados no exterior, com o motor ligado. O combustível como o gasóleo congela a -50°C, sendo necessário manter as bombas de gasolina abertas 24 sob 24 horas, que são um serviço essencial para garantir que a economia não pare. Há também que cuidar dos aparelhos electrónicos, visto que estes não foram inicialmente construídos para condições tão extremas, pois o metal e outros materiais dilatam ou contraem quando expostos a temperaturas extremamente baixas.

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O clima é subártico extremo devido às cadeias montanhosas que cercam a cidade e impedem que as densas massas de ar frio saiam do vale. Durante o inverno (que tem a duração mínima de 9 meses) não há um raio de claridade, é completamente escuro, durante quase 24 horas por dia, com uma temperatura média de -58°C. As pessoas movem-se apressadamente nas ruas, com a cara quase completamente tapada, tentando chegar ao próximo abrigo o mais rapidamente possível, pois existe a possibilidade de congelar o rosto, desprotegido, em poucos segundos.

Quanto à origem do nome, Oymyakon significa, no dialeto da população, “rio que não congela”. Mesmo com uma temperatura exterior de -60°C a água que corre no rio perto da localidade não congela. Isto deve-se ao facto de, na região, o congelamento das rochas atingir o grau máximo na Terra, chegando até 1.500 metros de profundidade, exercendo pressão (com o aumento de volume) sobre as águas quentes subterrâneas provenientes das fontes naturais perto da localidade, o que resulta no aparecimento destas águas à superfície.

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As pessoas que aqui habitam são de uma grande perseverança e resiliência, sendo um exemplo da capacidade do ser humano em adaptar-se a condições extremas do meio ambiente. E, apesar desta cidade ser um local extremamente desafiante para sobreviver, a paisagem natural é ímpar, com montanhas exuberantes, vales, rios e uma vida selvagem quase completamente intocada pelo ser humano (habitada por aves de grande porte, ursos, leões-marinhos e alces).

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Internet, Restrição da Europa

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No passado dia 15 de Abril deu entrada na Google um “manifesto de objecções” elaborado pela Comissão Europeia (CE), que acusa a empresa Norte-Americana de um controlo excessivo sobre o mercado de pesquisa-online na região da União Europeia(UE).  O manifesto afirma que o controlo excessivo é exercido através da discriminação e preferência de resultados que privilegiam os serviços de empresas constituintes da mesma firma.

Esta acção foi apresentada como o primeiro movimento de uma série de propostas em que a CE espera combater a dependência estrutural que a industria de plataformas digitais Americanas exerce sobre a área económica Europeia. Levantada esta fronteira, a CE espera que se verifique um crescimento do espaço online Europeu.

Günther Oettinger, Comissário da UE para a Economia e Sociedade Digital, já tinha anunciado o programa de propostas no dia anterior, onde, para além de apontar o dedo à empresa Norte-Americana, deixou como nota a necessidade de “substituir os motores de pesquisa, sistemas operativos e redes sociais actuais” a fim de dar prioridade a serviços Europeus.

A legitimidade da CE proceder com estas alegações é ainda questionável, uma vez que nada proíbe a Google de privilegiar os seus serviços, pois a gestão das suas plataformas é da sua própria jurisdição.

Actualmente 90% das pesquisas online na Europa são feitas pelo motor de busca da Google e, de todas as compras realizadas na Internet por consumidores da EU, apenas 15% ocorrem entre cidadãos de estados membros. Com estes dados fica a dúvida quanto ao problema da UE ser, afinal,  externo ou interno. Resta saber se o sucesso das medidas ficará a cargo dos hábitos de compra dos consumidores Europeus e da qualidade da oferta nos mercados digitais por parte de empresas Europeias.

Save the Arctic – A corrida às reservas de combustíveis do Oceano Ártico

Jazigo de petróleo ao largo da costa da Gronelândia

Por esta altura já são do domínio comum as alterações climáticas e várias das suas consequências, em particular, o degelo dos glaciares. Sabemos também que a situação usualmente se classifica como grave. No entanto, nos últimos anos, essa classificação poderá ter ganho nova força.

A recorrente perda de terreno dos glaciares face ao oceano tem revelado enormes reservas de petróleo e gás natural que, até recentemente, se encontravam cobertas por milhares de toneladas de gelo. Não é de surpreender que, assim que esta informação chegou à atenção das grandes petrolíferas, se tenha dado início à corrida pela exploração desenfreada das reservas de combustível, corrida esta liderada pela multinacional Anglo-Holandesa Shell e a gigante Russa Gazprom.

De acordo com a US Geological Survey, ao nível mundial, o Ártico detém cerca de 13% do petróleo por descobrir e cerca de 30% do gás natural. Segundo o activista Bill McKibben, numa publicação da Rolling Stone, a acção humana é já responsável pelo desaparecimento de um terço do gelo originalmente existente no Ártico e um aumento de 30% da acidez média dos oceanos devida à absorção de CO2 pela água, processo esse potenciado pela crescente dessalinização da água do mar. Tudo isto funciona como um mecanismo de feedback positivo, visto que o desaparecimento do gelo, por natureza fortemente reflector, dá lugar a terra e água, ambas melhores absorventes de radiação solar que contribui para um aquecimento e, consequentemente, para um degelo ainda mais rápido.

A Greenpeace iniciou, em 2012, a campanha Save the Arctic, que se propõe mover montanhas de modo a pressionar governos e a ONU a fazer do Ártico uma reserva natural protegida contra a exploração de combustíveis fósseis. Os seus principais e incontornáveis argumentos prendem-se com o impacto da exploração na diversidade de espécies animais, em particular o urso polar, com os óbvios aumentos de emissões de CO2 para atmosfera que a exploração implicaria e, acima de tudo, com o risco enorme que parece estar associado a derrames de petróleo.

De facto, perante a pressão feita pela Shell sobre o governo Americano para obter autorização para perfurar na região do Alaska ainda este ano, o Bureau of Ocean Energy Management avaliou a probabilidade de haver um derrame ou mais em 75%. Ainda assim, este número não parece de todo tão absurdo se considerarmos as condições climáticas extremas e imprevisíveis características da zona, e a falta de um conhecimento geológico sólido e convincente da mesma. A receita para o desastre completa-se com a óbvia dificuldade de acesso de pessoas e meios por parte da guarda costeira, caso suceda um eventual derrame.

Empresas como a Shell e a Gazprom operam preferencialmente em silêncio, ao contrário de organizações como a Greenpeace, cujo sucesso depende inteiramente da atenção mediática e de todo o apoio da opinião pública de que consigam dispor, utilizando estes mecanismos como armas para pressionar os governos e as corporações.

Assim sendo, é indispensável mantermo-nos informados de modo a tomar parte activa na defesa da Natureza que nos resta e, consequentemente, de nós próprios.

A morte do Mar Morto

O icónico lago, situado entre território Israelita, Palestino e Jordano, famoso por fazer pessoas flutuar à sua superfície sem esforço, pode agora vir a ganhar outro significado para o seu nome.

Por variadas razões, alguns lagos do mundo estão a secar drasticamente. No presente caso, as razões são alterações climatéricas e o desvio de água do rio Jordão, que abastece o lago, para água potável e para fornecer indústrias.

No que diz respeito às alterações climatéricas, os Gases de Efeito de Estufa (GEE), emitidos para a atmosfera pelos vários sectores de atividade humana, contribuem para o aquecimento global, o que faz com que a taxa de evaporação de lagos como este supere o caudal de água que os alimenta, pelos rios ou chuvas. Esta descompensação hídrica leva então à redução das suas massas de água, secando assim os lagos.

Há cerca de 3 mil crateras nas margens do Mar Morto, que se estão a multiplicar exponencialmente, segundo ambientalistas, à medida que a massa de água vai secando.

Crê-se que estas valas de grandes proporções estejam a ser formadas pelas águas subterrâneas da região do lago. Com o recuo do mesmo, aglomerados de sal foram deixados para trás no território seco. A consequente dissolução deste sal pelos aquíferos, que o levam de volta para o Mar Morto, cria um desequilíbrio estrutural no solo, que finalmente leva à ruptura do mesmo, aparecendo assim uma cratera.

Em 1980 foi avistada a primeira cratera, 10 anos depois seriam cerca de 40, e 25 anos depois, nos dias de hoje, novas valas aparecem a cada dia.

Isto pode representar perigos para pessoas nesta região, quer para as populações locais, quer para visitantes, que se podem encontrar no local errado à hora errada, aquando da abertura de uma cratera. Existe também a problemática de estes buracos se acumularem, aglomerando-se e tornando-se cada vez maiores, levando a desníveis de terreno tais que causam deslizes de terra. Estes, por sua vez, estão a pôr em risco uma autoestrada israelita que passa à beira do lago.

Esta autoestrada, Route 90, é a mais comprida de Israel, atravessando o país de norte a sul e estendendo-se ao longo de todo o Mar Morto, sendo este troço também por vezes chamado de Autoestrada do Mar Morto. Recentemente, o Ministério do Transporte Israelita viu-se forçado a fechar um troço de 300 metros desta rodovia, ao largo da aldeia-oásis de Ein Gedi, devido a um desnível de 5 centímetros na estrada causado pelo aparecimento das crateras. A estrada estará encerrada até concluírem a construção de uma via alternativa, longe da zona de perigo, o que poderá demorar entre 6 a 12 meses.

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Route 90 na margem do lago.

Este lago e suas margens encontram-se 430 metros abaixo do nível médio das águas do mar, encontrando-se na sua margem da Jordânia o ponto terrestre menos elevado da Terra. As suas referidas propriedades de flutuabilidade são ainda devidas à sua híper-salinidade, estando entre as massas de água mais salinas do mundo, com cerca de 33% de salinidade, dez vezes mais do que as águas dos oceanos, o que lhe confere uma densidade mais elevada que em outras águas, sendo assim a força de impulsão exercida em corpos flutuantes superior ao normal, o que se faz sentir pelos banhistas.

Este é mais um exemplo dos efeitos nefastos da interferência humana com os ciclos da natureza, tanto à escala local, no que diz respeito ao redireccionamento do rio Jordão, como à escala global, no que diz respeito a alterações climatéricas.

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Sinais de perigo na zona das crateras.

Ministro palestiniano morre durante protesto pacífico

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Ziad Abu Ein, ministro palestiniano, morreu na quarta-feira dia 10 de Dezembro no decorrer de uma manifestação pacífica em território ocupado pelas forças Israelitas.

De acordo com os manifestantes palestinianos, o protesto consistia na plantação de oliveiras na quinta de um agricultor palestiniano que havia sido impedido repetidamente de chegar à sua propriedade pelos soldados Israelitas. Pouco depois do início o exército retaliou com bombas de gás lacrimogénio. Segundo as testemunhas que incluem um fotógrafo da Reuters e um jornalista Israelita, o ministro foi agarrado pelo pescoço e agredido no peito. As imagens disponíveis não evidenciam demonstrações de violência por parte da vítima e mostram o ministro sentando-se no chão em claro sofrimento. Pouco depois este seria transportado por uma ambulância nunca chegando com vida ao hospital.

O diretor-geral de Assuntos Civis da Autoridade Palestiniana, Hussein Al Sheikh, disse a uma rádio palestiniana que a autópsia confirmava a morte de Abu Ein como resultado da acção violenta dos soldados Israelitas e da inalação de grandes quantidades de gás lacrimogénio. Contudo, o lado Israelita discorda das descobertas culpando as condições cardíacas precárias em que se encontrava a vítima.

Segundo o jornal internacional Al Jazeera, Mahmoud Abbas, presidente palestiniano, acusou os soldados de “crime claro” e de “actos bárbaros” que custaram a vida do ministro.

Momentos antes da morte, Abu Ein, rodeado de jornalistas disse: “Isto é o terrorismo de ocupação, este é um exército terrorista que pratica actos de terrorismo no povo palestiniano” e “Viemos para plantar árvores em território palestiniano. Fomos atacados desde o primeiro momento. Ninguém atirou uma pedra que fosse.”