Tay – A experiência que a Microsoft se arrepende de ter feito

No passado dia 23 de Março, a Microsoft lançou um novo serviço, de nome Tay. Tay é uma experiência na área da inteligência artificial.

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Tay é uma aplicação que teria como finalidade melhorar o serviço ao cliente no serviço de reconhecimento de voz da Microsoft. Numa fase experimental, Tay também interage com utilizadores do Twitter. E foi precisamente isso que correu mal.

O serviço lê tweets dos utilizadores e responde de acordo com os seus conhecimentos, usando algoritmos de inteligência artificial que lhe permitem emular o comportamento de uma rapariga “teenager”. Ou pelo menos era essa a ideia.
Tudo começou da melhor forma: os primeiros tweets passavam mensagens inofensivas como “olá mundo!”, “os humanos são fixes” ou “porque é que não é #DiaNacionalDosCachorros todos os dias?”.

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Óptimo. Isto da inteligência artificial é giro. O que é que podería correr mal? Tay foi desenhada para aprender com o comportamento dos outros cibernautas – comportamento esse que nem sempre é o mais politicamente correcto. Não tardou até que Tay começasse a aprender calões e insultos genéricos. E, umas horas depois, foi lançada a primeira “bomba”:

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Depois de mensagens antisemitas e impersonações do terrorista, perdão, candidato Donald Trump, a Microsoft parou o serviço temporariamente.

tay-byeO serviço demorou cerca de 24 horas a ser desligado e, por essa altura, o mal já estava feito. A Microsoft já se pronunciou sobre esta ocorrência, que descreve como um ataque por parte de “trolls”.

É curioso perceber o mecanismo que levou Tay a adoptar frases politicamente incorrectas. Os “trolls” não se limitaram a escrever frases para Tay repetir – o que fizeram foi um passo para além disso. Pensa-se que os “trolls” conseguiram guiar Tay para ler alguns recursos específicos na Internet que continham mensagens ofensivas.

Ficamos expectantes pelo regresso de Tay. Isto se a Microsoft tiver coragem para a ligar outra vez!


Texto: Miguel Rodrigues dos Santos

Ida a Marte: uma necessidade humana ou científica?

Seguindo o desenvolvimento da exploração espacial em específico em Marte, com o robot Curiosity, será o próximo passo uma viagem tripulada a marte?

Após o sucesso do robot Curiosity as publicações nos media intensificam-se sobre uma potencial viagem tripulada a Marte, mas ainda há muito trabalho por fazer até chegar a esse ponto, ou será que não? Várias questões como os desafios de uma ida a Marte, as tecnologias a desenvolver, os obstáculos políticos entre outros foram abordadas pelo presidente da Mars Society na sua palestra que decorreu em Julho de 2014. Ninguém trabalhou mais numa possível ida a marte do que Robert Zubrin, que desenvolveu vários projectos sobre o tema desde a década de noventa e é isso mesmo que aborda na sua palestra. Abordo adiante os seus argumentos tentando simultaneamente fazer a ponte entre a perspectiva de um cientista sobre a escala da importância de uma ida a Marte e a sua importância relativa humana.

O porquê de ir a Marte

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De um ponto de vista científico existem três razões principais que abordo. Uma fundamental é o facto de uma viagem a Marte poder permitir encontrar registos de vida extintos (fosseis). A própria existência de fosseis pode provar que a vida é um desenvolvimento natural da química, ou seja, que dados certas condições como existência de água, temperatura e outros elementos químicos, a criação de vida deriva necessariamente dessas condições e é um fenómeno universal. Caso não se encontrem isso pode ser uma prova contra essa mesma teoria e indicar que a criação de vida pode ter factores aleatórios e que não existe uma ligação directa entre as condições necessárias e a criação de vida. Estas conclusões têm uma relevância extrema em termos humanos. Caso haja fosseis e possamos comprovar a teoria que a criação de vida é realizada como descrita acima podemos inferir que existem outras (possivelmente imensas) formas de vida espalhadas pelo universo. Contudo, se estiverem todas as condições presentes mas não encontremos nenhum registo fóssil temos um argumento de peso na perspectiva do humano e a terra como seres únicos a habitar um planeta no universo. Esta situação não terá conclusão até ao momento em que consigamos investigar em solo marciano. Até lá partilhamos o sentimento expresso na frase de Arthur C. Clarke, escritor de ficção científica “Existem duas possibilidades: ou estamos sozinhos no universo ou não estamos. Qualquer uma delas é igualmente terrificante”.

Analisando a segunda razão, podemos também reflectir sobre o estatuto humano no universo. Um dos propósitos de ir a Marte é para perfurar o seu solo. Perfurar o seu solo poderá permitir que encontremos seres subaquáticos vivos num ecossistema que possamos analisar e comparar. Comparar em que termos pergunta? Comparar em termos de estructura bioquímica, comparar em termos de crescimento e replicação celular. Podemos analisar esses seres vivos em todos os seus aspectos e muito provavelmente, caso existam, seríamos surpreendidos pela sua forma e comportamento em ambientes minimamente distintos dos da Terra. Esta razão é igualmente relevante no ponto de vista humano mas num sentido bastante diferente. Todos os organismos na terra usam os mesmos conjuntos de aminoácidos, os mesmos métodos de replicação e transporte de informação (DNA e RNA). Será que toda a vida no universo é assim ou somos nós apenas um exemplo específico? Será que o homem é a medida do universo ou existe uma maior diversidade? Esta é uma pergunta milenar que tem um impacto enorme na definição do humano. Exemplos como a teoria do geocentrismo (que defende que a terra está no centro do universo) demonstram que o humano tende a considerar-se o exemplo mestre na sua existência quando não dispõe de meios para demonstrar o contrário. Esta é uma forte razão que apoia uma ida a Marte.

Por último existem duas razões que se ligam que mostram o potencial póstumo de uma ida a Marte. A primeira é uma pequena análise das consequências socias. A exploração espacial foi marcante na época dos anos sessenta e setenta não só pelo seu sucesso mas também pela motivação para enfrentar novos desafios. É importante que se derrube novos desafios também pelo seu impacto nas novas gerações e pelo interesse que desperta nas massas. Um interesse colectivo das massas gera um maior desenvolvimento em todos os sectores envolvidos e isso nota-se ao analisar o orçamento da NASA na altura das missões Apolo em comparação com hoje em dia. É claro que um desenvolvimento mais rápido de um sector leva a mais descobertas desenvolvendo um ciclo benéfico de crescimento.

Concluo com olhar sobre as consequências num futuro longínquo. A exploração sempre foi um acto marcante do homem que deriva da sua curiosidade. Enquanto humanidade superámos objectivos como a exploração e conexão de todo o globo terrestre através de diversos meios, isto é uma realidade actual e bastante recente dada a escala da existência humana. Uma exploração com a ambição de uma viagem tripulada a Marte é um acto que marcará a história da humanidade como seres vivos capazes de explorar o universo e dominar a natureza. Não só isso mas também porque acontecimentos como estes mudam a sociedade ao expandir a nossa perspectiva do universo e isso tem um impacto na memória das pessoas, tal como diz Robert Zubrin “They will remember what we do to make their civilization possible”, a sua civilização em todos os seus sentidos: desde o quotidiano até às perguntas eternas sobre o universo


Texto: Francisco de Azevedo

Piloto automático da Tesla evita colisão

O condutor da UBER Jon Hall foi um dos primeiros a sentir o poder do novo software de piloto automático da Tesla. Aquele que poderia ter sido um acidente mortal foi evitado autonomamente e com perícia pelo carro que conduzia.

Hall estava a conduzir na autoestrada a cerca de 70 km/h, após ter deixado um cliente, quando um veículo se atravessou à sua frente. Uma câmara no interior do carro registou a manobra.

“Eu não toquei no travão. O carro fez tudo.” afirmou Hall.

O poder desta tecnologia não fica por aqui. Por exemplo, a tarefa monótona de conduzir na autoestrada é agora mais fácil que nunca. O piloto automático mantém o carro na faixa, acelera e trava de acordo conforme o congestionamento, e estaciona sozinho. Mudar de faixa em segurança na autoestrada é uma tarefa tão simples quanto carregar num botão. O carro verifica a disponibilidade da faixa autonomamente e controla o volante sozinho. Até hoje, não foram registados quaisquer acidentes envolvendo estes carros, exceto aqueles que ocorreram por intervenção humana.

Esta tecnologia anuncia a chegada próxima dos veículos verdadeiramente autónomos, como os protótipos que a Google está a desenvolver. A Google afirma já ter viajado com estes automóveis mais de 1.5 milhões de quilómetros de forma completamente autónoma.

Estamos ainda a alguns passos de uma tecnologia que permita a existênciade veículos 100% autónomos, mas esta competição acesa entre as gigantes tecnológicas de todo o mundo indicia que grandes avanços vão ser feitos nos próximos anos.

* Artigo escrito de acordo com o novo acordo ortográfico


Texto: Miguel Rodrigues dos Santos