Autoria: Joana Silva, MEBiol (IST )


Simplicidade… uma palavra tão simples, mas por vezes tão complexa… enfim, um paradoxo!

É uma qualidade característica daquilo que é mais básico, mais redutor; contudo, a mais complexa de se atingir.

Consideramos que a simplicidade ocupa o patamar mais baixo das coisas complexas, porém “não há nada mais complexo e que exija mais arte do que ser capaz de simplificar”.

Vivemos a vida em busca da felicidade, de algo tão abstrato, complexo e momentâneo! O futuro comanda o presente, e deixamo-nos muitas vezes manipular pelos objetivos que nos são tão distantes e dificilmente atingíveis! A complexidade é como que um monopólio da vida. Subjugamo-nos à influência das nossas metas mais complexas, vivendo em função delas (e para elas).

Cabe-nos questionar se não estaremos a ser demasiado ambiciosos e simultaneamente ingénuos ao permitir que a arte da complexidade controle as nossas vidas, e paralelamente deixando escapar toda a beleza da simplicidade…

Todas as pessoas têm um propósito de vida, quer seja atingir determinada meta académica, ou carreira profissional, ou qualquer outro desígnio que exija persistência, trabalho, dedicação e perseverança e é a realização com sucesso de tais objetivos que conduz à felicidade. Mas será legítimo da nossa parte desvalorizar, ou simplesmente descartar, todo o caminho que percorremos até lá, como quem retira uma carta a mais do baralho? Estaremos a aproveitar devidamente cada etapa dessa longa jornada, ou vivemos numa cegueira extrema que nos impede de ver o que está diante dos nossos olhos, e apenas nos permite vislumbrar aquela meta tão distante e complexa de realizar? Cabe-nos questionar se não estaremos a ser demasiado ambiciosos e simultaneamente ingénuos ao permitir que a arte da complexidade controle as nossas vidas, e paralelamente deixando escapar toda a beleza da simplicidade…

Penso que o apreço que todos nós temos por aquilo que não temos e ambicionamos ter é inegável. A complexidade das coisas é como que um guia para a felicidade na sociedade atual. São justamente as coisas simples que frequentemente nos escapam. Só aprendemos a valorizar as coisas mais simples quando as perdemos, e se tornam árduas de recuperar. A procura por aquilo que não temos, de extrema complexidade de se alcançar, parece ser uma meta tão aliciante!

As pessoas viveriam muito melhor se se deixassem deslumbrar pelo carrossel da simplicidade e se esta fosse uma prioridade. Na minha opinião, aproveitar e saborear mais as coisas mais simples e saber alegrarmo-nos com elas é um bom começo para gozarmos o mais possível esta efémera montanha-russa que é a vida!

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