Os 20 melhores álbuns de 2025

Autoria: Filipe Valquaresma (MEAer); Inês Firmino (MEMec); João Carriço (LEQ); João Rodrigues (MEFT); Manuel Botelho (LEFT); Maria Abrantes (MEEC); Maria Alves (LEQ); Mário Rui Viana (LEEC); Pedro Ruas (MEC)

Se há algo que nunca nos decepciona no decorrer de um ano civil é precisamente a música. Se houver menos qualidade de um lado, há o outro a florescer e a duplicar o leque de escolha ao ouvinte. 

2025 foi particularmente consistente: do início ao fim do ano existiram álbuns que cativaram grande parte do público, o Diferencial inclusive. Ficam aqui as 20 escolhas da redação do jornal, de várias formas e feitios, cantados tanto em português como em inglês (e até em espanhol), e sem uma ordem específica na sua listagem.

The Last Dinner Party – From The Pyre

A banda favorita de rock barroco do povo (pelo menos desde Arcade Fire) voltou. Depois do seu álbum de estreia em 2024, The Last Dinner Party trazem-nos um aperfeiçoamento a uma composição que já tinha sido difícil de superar. 

A premissa é a mesma: uma junção entre rock, muitas backing vocals, violinos e outros instrumentos clássicos, fundindo assim o tinir dos violinos com o overdrive das guitarras, tudo de maneira surpreendente. 

O álbum começa com um tema que nos faz acreditar numa coisa divina no amor (sim, isto não é para quando estás de coração desfeito), com constantes analogias a ideias da religião católica como o cordeiro que tira o pecado (Agnus Dei em latim). Tudo isto com ideias subliminares de temáticas sexuais, só para picar. Esta temática religiosa acaba por ser utilizada também em “Second Best, não na letra, mas nas vozes de apoio. 

Depois, temos de mencionar “Rifle”, que utiliza outra vez vozes de apoio, desta vez de estilo búlgaro, para dar toda uma dimensão nova à música, isto porque os agudos são tudo menos inatingíveis por estas cinco mulheres. O tema da letra também se destaca do resto do álbum, em que se tratam de músicas sobre o clássico amour, na medida em que esta se debruça sobre a inutilidade da guerra e todas as suas implicações nas vidas das pessoas “pequenas”.
Já na reta final, “Sail Away dá uma ideia de despedida, no entanto as duas músicas seguintes reanimam o espírito e confrontam a morte e a vida além dela em “The Scythe (a foice) e “Inferno. Conseguem assim, através destas temáticas, anunciar perfeitamente o fim deste álbum. – Manuel Botelho

Bad Bunny – DeBÍ TiRAR MáS FOToS

Entre histórias de amor falhado, noites que nunca acabam e memórias que se agarram ao corpo como tatuagens invisíveis, DeBÍ TiRAR MáS FOToS afirma-se como um dos capítulos mais emotivos e cinematográficos da discografia de Bad Bunny. Aqui, o artista mergulha numa fusão rica e identitária de plena, jibaro, salsa, reggaeton e house, criando um projeto sonoro que honra a cultura porto-riquenha e, simultaneamente, a reivindica.

Para além da nostalgia e da introspeção, ao longo do álbum, percebe-se a preocupação do artista em preservar a sua cultura: Bad Bunny fala da globalização que vai diluindo referências locais, da perda de raízes e da forma como o mundo tenta, muitas vezes, uniformizar aquilo que deveria ser celebrado pela sua diversidade. Em algumas faixas e videoclipes, surgem críticas diretas às políticas de imigração dos EUA e à realidade das comunidades latinas: mensagens que se tornaram uma constante na sua obra, consolidando-o como uma das vozes mais politicamente atentas e influentes da música contemporânea.

O impacto cultural do álbum foi praticamente imediato, com a faixa-título a transformar-se numa trend no TikTok e noutras plataformas, levando milhares de pessoas a revisitar fotografias antigas e pequenos fragmentos das suas vidas, partilhando o que realmente valorizam, quase como se a música lhes desse permissão para recordar esses momentos com ternura e alguma saudade. Entre as minhas preferidas, “Baile Inolvidable, “El Club, “Turista, “Café con Ron, “DTMF e “La Mudanza criam o cerne emocional do disco, cada uma trazendo um recorte diferente desse universo íntimo e confessional. É também impossível ignorar que Bad Bunny se prepara para atuar no Halftime Show do Super Bowl 2026, mesmo sem qualquer data da sua tour marcada nos EUA, um gesto que, por si só, sublinha o alcance que conquistou e a forma como consegue ocupar espaços de poder sem abdicar das suas convicções.

No fim, fica a sensação de que Bad Bunny não nos conta apenas uma história. Ele convida-nos a revisitar as nossas, a olhar e valorizar aquilo que se perde e o que permanece, lembrando-nos de que talvez todos devêssemos ter tirado mais fotos, ou, pelo menos, vivido com mais atenção aos momentos, às culturas e às memórias que nos constroem. – João Rodrigues

Freddie Gibbs & The Alchemist – Alfredo 2

Há uma expressão bastante popular no meio desportivo, nomeadamente nos desportos coletivos, que dita “Em equipa que ganha, não se mexe.” Ou seja, se está tudo bem, que sentido faz alterar as coisas? A dinâmica funciona, os intervenientes entendem a tática e entendem-se entre eles mesmos, o jogo flui de forma natural, e, como consequência, o resultado tenderá sempre a ser positivo para a equipa. 

Há um paralelismo quase perfeito que pode ser feito entre esta expressão e o trajeto (ainda que curto) de Freddie Gibbs e The Alchemist. O primeiro esforço conjunto culminou em Alfredo, lançado em 2020, que automaticamente ascendeu ao topo das discografias de ambos os artistas. Tracklist curta, coesa e sem gorduras; features meticulosamente posicionados (um dos melhores versos de Rick Ross aparece justamente aqui; Tyler, The Creator marca o seu regresso ao hip-hop, depois da era Igor; Benny The Butcher complementa Freddie de forma tão perfeita que dá pena ainda estarem chateados); e flows impecáveis de Gibbs, atacante de serviço, que é lançado a jogo por Alchemist e o seu cardápio de samples perfeitas. 

Não seria, portanto, surpreendente os fãs terem as expectativas tão altas quando foi anunciada a sequela Alfredo 2, que vinha com o single agarrado “1995” (por si só, uma sequela à intro de Alfredo, “1985”). O receio pairou no ar durante instantes: a sequela arruinará o franchise? Pelo contrário: cimentou Freddie Gibbs e The Alchemist como uma dupla que parece não conseguir parar de produzir obras-primas. 

Com um projeto mais ambicioso (mais faixas, mais features, mais publicidade, mais merchandising e até um short-film), Alfredo 2 consegue a proeza de ter exatamente a mesma qualidade do primeiro. A diferença estética é notável, e isso é realçado pela produção atmosférica de The Alchemist, que opta, desta vez, por excertos com uma estética yakuza; a Freddie, só lhe resta ser ele mesmo: uma espécie de ser metamorfo, capaz de se moldar a qualquer beat, flow, ou som que lhe é apresentado. “Skinny Suge II”, “Lemon Pepper Steppers” ou “Mar-A-Lago” mostram os seus dotes como um dos melhores MCs atualmente, enquanto “Feeling” ou “I Still Love H.E.R.” apresentam o seu lado mais melódico, ainda capaz de cativar o ouvinte a querer ouvir mais. 
As colaborações, uma vez mais, não desapontam: veja-se “Gold Feet”, retirado do baú de um JID de 2018, ou “Ensalada”, uma das melhores faixas de 2025, muito devido à contribuição de Anderson Paak.. Mas a maior prova da capacidade camaleónica de Freddie Gibbs surge logo na primeira faixa – “1995” – em que, apresentado com diversas variações de flows, beat switches loucos e cadências pouco comuns, Gibbs cavalga a batida como ninguém, numa luxuosa obra-prima curada, ao que parece, com recurso a alquimia, merecida dos mais rasgados elogios. A pergunta surge: como é que o duo repetiu a proeza do produto original de 2020? É simples: em equipa que ganha, não se mexe. – Pedro Ruas

Carminho – Eu Vou Morrer de Amor Ou Resistir

Carminho é já, há vários anos, um nome da casa quando se fala de fado. Cantou pela primeira vez em público aos 12 anos, no Coliseu dos Recreios. Em anos recentes, este reconhecimento tem-se alargado e chega agora de fora de portas: em 2023, chegou ao grande ecrã, quando participou na banda sonora do filme Poor Things, com direito a uma breve aparição. No mesmo ano edita também o álbum “Portuguesa”. Já no início de 2025 passa pelo palco da secretária mais famosa do mundo da música, o Tiny Desk, da NPR.

Numa óbvia excelente fase da sua carreira, Carminho lança em outubro deste ano Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir, um álbum de fado fresco, melancólico, introspectivo, e por vezes quase fantasmagórico[1]. Sem a intenção de mudar o fado, este disco arrisca e traz conceitos que à primeira vista seriam alienígenas ao género. As Ondes Martenot e o Cristal Baschet, saídos da secção dos instrumentos-novidade obscuros, juntam-se à guitarra elétrica, ao piano, e à poesia spoken word, numa mistura que cancela mutuamente as estranhezas e se torna quase uma evolução natural, num fado do século XXI.

O disco abre com a “Balada do país que dói”, um dueto entre Carminho e a sua própria voz samplada e modulada por sintetizador, que se combinam num efeito etéreo.

A quase obrigatória saudade surge na segunda faixa, “Trazes-me tanta saudade. Saudade do outro, de si mesmo, de lugares, e de períodos passados. A terceira faixa, “Saber”, conta com poema de Ana Hatherly, autora portuguesa, cantado por Carminho e declamado por Laurie Anderson, artista avant-garde americana.

Piano no fado? Sim, por favor. Na última faixa, Mário Laginha despe as melodias do supérfluo, e o álbum termina com o mais belo diálogo entre as teclas e a voz.

Carminho edita um dos melhores álbuns nacionais do ano, e que, arriscamos, rapidamente se tornará num monumento, a julgar pela arrebatadora reação que arrancou à crítica e ao público desde o lançamento. – Filipe Valquaresma

Venere Vai Venus – Divino

Após participarem no Concurso de Bandas do João Rock 2025, a banda brasileira Venere Vai Venus garantiu o seu lugar no palco principal do festival com o mesmo nome, que viria a ocorrer no dia 14 junho de 2025[2]. Foi assim, que este grande evento de brasilidade, se tornou não só numa oportunidade para a banda, mas na comemoração do lançamento do seu primeiro álbum, “Divino”, que foi para o ar no dia anterior.

Com pitadas de Terno Rei e Los Hermanos, respetivamente, nos álbuns Violeta e Ventura, Divino abre caminho com a sua força vocal, letras intensas que abordam facetas e sentimentos antagónicos, do desejo ao narcisismo. O instrumental berra as mais diversas sensações numa sonoridade de pop rock com traços de rock alternativo e glam rock.

O álbum estilhaça-se em quebras de ritmo, permutando entre uma estética mais veloz, dando ênfase a sentimentos mais fortes e pesados, sendo exemplos as faixas “Ego” e “Medusa” e a calmaria, que apesar de também evocar sentimentos arrebatadores, fá-lo de uma maneira subtil, quase frágil, como é exemplo “Anjos” e “Deusa”.

A faixa mais conhecida chama-se “Anjos”, que enaltece o equilíbrio de todo o álbum de doçura e intensidade. “Anjos” dramatiza a necessidade de um amor para dar cor à vida, afastando a monotonia. Percebe-se o anseio pela conexão que se abre na mais pura vulnerabilidade percetível na procura de proximidade. O uso da metáfora celestial, eleva este sentimento a um nível sagrado onde o amor transfigura algo transformador e puro. – Maria Alves

Lorde – Virgin

Nua e vulnerável, Lorde regressa com o seu quarto álbum de estúdio, Virgin. Numa avalanche de sentimentos simultaneamente melancólicos e energéticos, a compositora traz de volta uma sonoridade que recorda o famoso e, para muitos, inigualável, Melodrama. As 11 faixas que compõem o álbum oscilam entre beats sintéticos e baladas melancólicas, marcas já características da artista. Aos 28 anos, Lorde explora maioritariamente a relação com seu corpo, a intimidade e a fluidez de identidade, abordando também relações pessoais e inseguranças. 

Numa capa que surge de um scan de raio-X da zona pélvica da própria, Lorde consegue fazer o mix perfeito entre a nudez física e emocional. “Some days I’m a woman / Some days I’m a man” (“Hammer”), expõem claramente a dualidade da identidade de género que a artista aborda ao longo do álbum. Mais tarde, em “Man Of The Year”, questiona-se: “Who’s gonna love me like this?”. No respetivo videoclipe, Lorde apresenta-se numa sala fechada, com apenas umas calças e uma t-shirt simples, que eventualmente arranca do corpo. A artista mostra-se, então, a colocar fita adesiva no peito e dança de forma natural durante o resto da música, reforçando a vulnerabilidade presente em todo o disco. Esta fragilidade surge também noutros contextos, onde a artista expressa o desejo de validação e aprovação.

O álbum culmina com “David”, uma das músicas mais acarinhadas pelos fãs. Aqui, Lorde revisita uma relação passada, caracterizada pelo domínio do companheiro face ao lado submisso da cantora. A artista sugere uma entrega total de si mesma, usando a virgindade como metáfora daquilo que teria dado nessa relação.Entre confissões viscerais e introspeções, Lorde consegue sobressair na sua forma mais crua e honesta. Misturam-se questões existenciais, sexualidade, relações amorosas e laços familiares. Estas são questões que se refletem especialmente no público jovem dos dias de hoje, que inclusive se tem vindo a juntar em multidões para cantar em uníssono as letras da artista. Este é o poder de Lorde. E ela está de volta.[3][4] – Maria Abrantes

Turnstile – NEVER ENOUGH

Misturar sintetizadores e hard rock não fica bem? Fica, fica… basta ver as duas obras mais recentes dos Turnstile: GLOW ON e agora, passados quatro anos, em NEVER ENOUGH. QED (quod erat demonstrandum ou como queríamos demonstrar)

A verdade é que nem sempre foi esta a natureza da banda. Inicialmente o quinteto tinha uma sonoridade que se enquadrava perfeitamente no hardcore rock e nada fazia prever esta mudança completa de sons e uma transição para . Isto porque houve, já por duas vezes, alterações na formação da banda, mas apenas antes do lançamento de Time & Space e depois de GLOW ON. Assim, podemos atribuir talvez aos produtores de GLOW ON, o orgasmo musical trazido por estes dois álbuns, sendo eles Mike Elidonzo (conhecido por ter produzido músicas do Eminem, Snoop Dog, Fiona Apple e até do último álbum dos Linkin Park) e o próprio vocalista Brendan Yates.

A primeira faixa, que dá nome ao álbum, revela imediatamente ao ouvinte o que esperar do álbum: momentos mais calmos, em que se recorre à utilização dos ditos sintetizadores e uma voz calma por parte de Yates; outros em que o domínio do barulho é maior e traz o domínio das guitarras carregadas de overdrive e boosters, uma bateria dominante e uma voz enrouquecida pelo esforço. 

Outra coisa que o álbum consegue é uma transição altamente smooth entre as diferentes músicas. “DREAMING é uma música de audição obrigatória, já que junta não só os instrumentos anteriormente referidos, mas também um muito bem pensado trompete.

A verdade é que se trata de um álbum cheio de energia. Não é para quando acabas de te levantar e estás com ressaca, mas sim para aquelas alturas em que precisas de estudar e estás a precisar de motivação.

Outra faixa que precisamos de referir aqui é “SEEIN’ STARS, esta pequena maravilha tem a participação de mais dois artistas que também têm aqui os seus álbuns mencionados: Hayley Williams e Dev Hynes (também conhecido como Blood Orange). A sonoridade desta canção enquadra-se perfeitamente nos momentos calmos acima referidos e é um exemplo de arranjos maravilhosamente conseguidos, sem recorrer a demasiado overdrive, mostrando a versatilidade da banda.

Deixo-vos então com uma banda que tem vindo a surpreender pela positiva a todos os níveis e peço, mesmo a todos os puristas da música, que afirmam “distorção em demasia estraga uma música” (entre os quais eu já me revi, no passado), ouçam uma música que nos abençoa diretamente dos céus. – Manuel Botelho

Black Country, New Road – Forever Howlong

Banda nascida em 2018 em Cambrige, tendo ganho mais popularidade em 2019 graças aos singles “Athens, France” e “Sunglasses”, conquistando tanto a crítica como o público, Black Country, New Road soube desde o início como comover o público ao abordar os temas que fazem de nós seres humanos. 

O seu segundo álbum, Ants from Up There, de 2022, foi o que introduziu a banda a vários ouvintes, tendo sido considerado por muitos um álbum com sentimentos crus e melancólicos. É pouco depois do lançamento do mesmo que o vocalista da formação original toma a decisão de sair da banda, por motivos de saúde mental, contudo este infortúnio não os para.

Em 2025, lançam um novo álbum, Forever Howlong, com os vocais distribuídos por três dos restantes membros. Este novo álbum não detém da mesma “vibe” do álbum que levou tantos a amar e ressonar com a banda, mas é um bom passo na nova direção que a banda está a tomar, sendo um álbum mais alegre e otimista, mas que mesmo assim desperta sentimentos de nostalgia nos ouvintes.Neste, a banda assume um som mais folk e focado pela narrativa das letras, estando focado em temas com amizades, crescimento e navegar as incertezas da vida. O som é composto por camadas de melodias, dando foco a instrumentos acústicos e piano, com vocais femininos em contraste com os que marcaram os primeiros dois álbuns da banda. Com o passar das faixas, de músicas mais melancólicas e angustiadas para sons mais frescos e esperançosos, fica clara a direção que o conjunto pretende seguir. – Inês Firmino

Clipse – Let God Sort Em Out

Quantas metáforas se conseguem arranjar para o ato de “mover” cocaína? Três ou quatro para os comuns dos mortais; infinitas para os Clipse. Fazem-no desde 2002, quando abanaram o hip-hop com “Lord Willin’”, um álbum que levantou muita poeira (get it?) no género, produzido por uns estranhos tipos chamados The Neptunes. 

Um sucesso do underground, cozinhado pelos irmãos Pusha-T (Terrence Thornton) e Malice (Gene Thornton), que retratava com um realismo absurdo (e em certos pontos até desconfortável) todo o processo por detrás de um negócio de droga, ao que tudo indica, bem sucedido. Metáforas originais, duplos significados, duas canetas muito afiadas e uma química entre irmãos sem precedentes, Clipse tinham tudo para dar certo. 

E deram mesmo: o sucessor de 2005, “Hell Hath No Fury” confirmou que não se tratava de um sucesso fugaz, mas sim uma verdadeira afirmação de rap, capaz de tocar nas almas dos verdadeiros hip-hop heads. O álbum viria a ser relembrado até aos dias de hoje como um dos melhores projetos de sempre do género, onde a produção – uma vez mais dos Neptunes – quimicamente cozinhada se aliava na perfeição aos irmãos Thornton e às suas histórias, desta vez mais confiantes e sem muito a provar. 

O trajeto continuou sólido até 2010, quando a dupla anunciou uma pausa intermitente, pelo facto de Malice já não se identificar com o atual trajeto da sua carreira. Pusha-T prosseguiu com uma carreira a solo de sucesso, pela G.O.O.D. Music de Kanye West, enquanto Malice se dedicou à causa religiosa. Depois de toda esta história, com mudanças de trajeto e divergências criativas, seria razoável questionar como seria este regresso, com um intervalo de quase 16 anos para o anterior projeto. 

Pois bem, não haveria nada a temer: “Let God Sort Em Out” é Clipse no seu estado mais puro. Mais maduros, é certo, mas a criatividade, a coesão entre os irmãos, a produção (desta vez apenas com Pharrell Williams) e as barras fazem deste álbum um colosso musical de 2025. Além dos já famosíssimos versos sobre droga (“Mike Tyson Blow To The Face” é unanimemente genial para denominar o consumo de cocaína), Clipse abrem o jogo para além do antigo ganha-pão. Logo a primeira faixa, “The Birds Don’t Sing”, apresenta o contexto dos irmãos acerca dos últimos instantes com os seus pais, numa faceta particularmente sentimental. De seguida, a programação habitual: “Chains & Whips”, com Kendrick Lamar, é um manifesto à atualidade do hip-hop e à sua excessiva materialização; “P.O.V.”, com Tyler, The Creator (devoto fã da dupla desde criança, segundo o próprio) encarna a típica reunião de barões de droga; “F.I.C.O.” recruta Stove God Cooks, veterano do coke rap, para uma explicação acerca do código de conduta das ruas; “So Far Ahead”, com Pharrell Williams (também nas vozes) celebra o trajeto dos irmãos, que após estes anos todos, continuam a ser uma força perigosíssima do hip-hop
A tracklist é perfeitamente estruturada, não há um único colaborador que não faça sentido estar onde está e a produção – agora um pouco mais luxuosa – combina bem com o “amadurecer” dos Thornton. Talvez Clipse não seja como o vinho, na medida em que é discutível se este é de facto o melhor álbum, em comparação com os primeiros da dupla. Mas, quase duas décadas depois, chegar, ver e vencer, com aclamação em todos os setores (até no Vaticano, onde chegaram a atuar), não pode deixar muitos de nós indiferentes. Aos que deixam, o lema está dado: so be it. – Pedro Ruas

Rosalía – LUX

Em LUX, Rosalía constrói um oxímoro espiritual ao unir ideias inicialmente antitéticas: carne e transcendência, desejo e devoção, vazio e iluminação. A artista cria um novo campo de significado, onde o sagrado não se opõe ao humano, mas nasce dele. O mantra “Primeiro amar ao mundo, depois amar a Deus” abre a obra como um paradoxo fundacional: não há fé sem experiência, nem divindade sem corpo.

O projeto revela com clareza o peso da formação clássica de Rosalía na Escola Superior de Música da Catalunha. As referências às hagiografias e às vidas de santos não surgem como ornamento erudito, mas como matéria viva: o martírio, a renúncia e a redenção são encenados em chave contemporânea, onde o desejo é tão espiritual quanto carnal. A morte, recorrente, não é o fim, mas uma passagem. A redenção não vem da negação do mundo, mas do seu atravessamento.

Essa arquitetura conceptual espelha-se na materialidade sonora da obra. Se nas letras o sagrado toca o profano, na produção o silêncio é usado como um instrumento litúrgico. As harmonias vocais, que remetem à polifonia renascentista, são subitamente cortadas por texturas eletrónicas ríspidas, representando a audição da fricção entre o asseio espiritual e o caos do mundo.

A multiplicidade linguística, com canções em várias línguas, destacando o português ao lado de Carminho, reforça a ideia de uma artista que se expande para além de fronteiras nacionais e simbólicas. O refrão que “tira do leito o coração” não é apenas emotivo:  convoca uma tradição ibérica de canto doloroso, onde amar é sempre um gesto excessivo. Numa verdadeira lírica, o Fado faz-se, mais uma vez, Memória, que dá nome à faixa. Aqui, Rosalía bebe da saudade portuguesa.

Já o fecho em latim, “Eu não sou nada / Eu sou a luz do mundo”, sintetiza o eixo central de LUX: a anulação do ego como condição para a iluminação. Rosalía afirma-se ao desaparecer. É o despojamento final de quem entendeu que a luz não é algo que se possui, mas algo em que se transforma.Assim, LUX não é apenas um trabalho musical, mas um exercício de teologia sensível. Rosalía transforma o pop em ritual, a canção em oração ambígua, e prova que, na sua obra, a luz não nasce da pureza, mas da tensão constante entre a Terra e o Céu. Ela entrega ao ouvinte uma obra que é, simultaneamente, um espelho e um altar, consagrando-se como uma curadora de mitos capaz de transformar o consumo cultural numa experiência de transcendência real. – Maria Alves

Men I Trust – Equus Asinus

O mês era março e estava eu a sofrer com o apocalipse que é o fim de um quarter no Técnico, mas, no meio de toda esta agitação, encontrei um ansiolítico musical – o quinto álbum dos Men I Trust, Equus Asinus. O “tratamento” começa com “I Come With Mud”, uma faixa com um ambiente morno, que equilibra um poema romântico curto com um instrumental lento e tranquilizante, que após algumas faixas arrefece (pun intended) até “Frost Bite”, que não é apenas fria pelo seu título, mas também pela sua letra mais íntima.

A dose de tranquilidade acaba quando se chega a “I Don’t Like Music”, que contrasta uma letra alusiva a perdas de motivação (semelhante a como me sentia em relação às MAP que viria enfrentar) com um instrumental melódico e dançável. A esta seguem-se duas faixas instrumentais: “Moon 2” e “What Matters Most”. A primeira utiliza um arranjo parecido ao utilizado em “Show Me How” (uma guitarra de doze cordas e uma normal, piano, bateria, e baixo), criando uma simplicidade que não lá está, enquanto a segunda é composta sobretudo por suaves melodias de piano.
E, para todos os que ainda têm fome mesmo depois de devorar o Equus Asinus (que significa burro doméstico), a sobremesa aguarda-vos em Equus Caballus – que não só nas suas faixas como no nome (que, já agora, significa cavalo doméstico) complementa o quinto álbum de estúdio dos Men I Trust. – João Carriço

Valter Lobo – Melancólico Dançante

Ao longo da sua carreira, Valter Lobo tem sempre apostado na fórmula vencedora: melodias suaves que ganham pela simplicidade e que dão vida à poesia que emerge do seu dia-a-dia. Em eterna transformação, as diferentes maneiras em que se complementam definem o tom de cada disco.

Deste modo, nesta mais recente iteração, cada elemento evolui na direção contrária. Enquanto a lírica mergulha na melancolia, a melodia diverge para paisagens coloridas com uma produção mais completa, inspirada por “viagens por outras latitudes mais dançantes”[13]. Desta dicotomia nasce o melhor projeto do cantautor fafense, marcado por uma sinergia que une todas as músicas apesar do largo espectro de estilos que cada uma ocupa. Desde o desgosto de “Ainda ontem tinha céu” à clara e alegre influência da música brasileira em “Moleque”, jorra por todos os lados a criatividade de um artista que apenas agora está a alcançar o seu auge.

Muitas vezes falamos de “adição por subtração” em projetos que ganhariam em apostar na sua simplicidade, mas neste caso testemunhamos uma simples adição, em que cada camada contribui para um projeto que mostra o melhor que a música portuguesa produziu em 2025. – Mário Rui Viana

State Of The Art – Reverie

A minha vontade era falar-vos de Radio Free Alice, mas como estes insistem em lançar apenas EP’s, falo-vos de um conjunto ainda menos conhecido: os State Of The Art.

A verdade é que a sonoridade destes rapazes não tem nada de revolucionária e, quando ouvida em demasia, a sua música pode tornar-se um pouco repetitiva (um pouco como a garina que lançou um álbum em 2024, a Nilüfer Yanya). No entanto, é um álbum que se adequa perfeitamente à categoria de música ambiente: se calhar é até boa demais para o ser, mas encontra-se no espetro.
Assim, fazendo uma rápida descrição: hoje já não é raro encontrar bandas que fazem uma mistura entre diferentes estilos de música, mas a verdade é que poucos nos trazem uma frescura igual. Num álbum que combina tantos instrumentos ecléticos, entre o bandolim, o saxofone, um banjo e os outros instrumentos banais ao rock, é impossível não ficar satisfeito (e espantado) pela criatividade deste conjunto inglês, que não deixa que a sua pequeneza os impeça de lançar um álbum. – Manuel Botelho

Blood Orange – Essex Honey

Já se percebia qual seria a direção de Devonté Hynes, formalmente conhecido como Blood Orange, ao anunciar o seu novo álbum. Numa sentida publicação feita nas redes sociais, descreveu com detalhe o processo de criação e o ambiente bucólico vivido, citando “Carrie & Lowell”, de Sufjan Stevens, como uma das principais inspirações para o sentido do projeto.

Assombrado pela morte da mãe em 2023, Devonté afastou-se do tom romântico e confiante que traçava o seu trajeto, e regressou às origens da sua infância (Essex, na Inglaterra) para lidar com o luto e tentar fazer qualquer coisa desta situação. Essex Honey surge, então, como resultado destas inoportunas circunstâncias, com uma sonoridade drasticamente divergente dos anteriores álbuns, sem nunca soar forçado, mas também sem uma direção exatamente traçada. 

Há, sim, alguma coesão entre as faixas: a maioria lida com memórias da infância de Blood Orange, o seu crescimento em Inglaterra, o sentimento de saudade das pessoas que rodeavam aquele meio. Mas esta abordagem sem uma direção absoluta não põe em causa a qualidade de Essex Honey, antes pelo contrário: retrata de uma forma cruelmente gélida e crua o sentimento de luto que a grande maioria experiencia, inevitavelmente, ao longo da vida. Esta confusão na cabeça de Devonté, que ora se vira para a terra natal, ora para os amigos, ora para a mãe, ora para si mesmo e o seu estado atual, cria uma espécie de caos organizado, melancólico e até muito doce, em certas partes. 

Ainda que com uma lista de colaboradores de elite – Lorde e Caroline Polachek são algumas das artistas que entram no álbum – Blood Orange faz questão de ser o centro das atenções, com os restantes artistas a darem apenas a contribuição necessária, sem alguma vez tirar o foco do ator principal (só podia ser assim quando a temática é tão pessoal). 
No que toca à produção, o seu papel muitas vezes bucólico e de vez em quando colorido, oferecem uma tela branca da mais incrível qualidade possível, onde Blood Orange pinta todos os seus sentimentos. “The Last Of England” é capaz de ser dos momentos mais marcantes do disco, com Hynes a tentar colmatar a ausência da mãe, ao mesmo tempo que lamenta não ter estado tão presente quando queria. Mas outras, como “Countryside” ou “The Train (King’s Cross)” oferecem uma réstia de esperança para o futuro, neste mix de emoções perfeitamente curado. Um sentimento tão pessoal, e ao mesmo tempo praticamente universal a todos nós, pode ser complexo de descrever. Essex Honey pode servir de exemplo para todos nós: quando chegas ao fundo, o único caminho possível é para cima. – Pedro Ruas

Little Simz – Lotus

É difícil dissociar o sexto álbum de estúdio de Little Simz da separação atribulada do amigo de longa data e produtor musical Dean Cover, mais conhecido como Inflo. O título, Lotus, advém da flor lótus, que simbolicamente está associada a valores de resiliência, crescimento e beleza que emergem da adversidade. É precisamente assim que Little Simz se apresenta, focando as treze músicas que compõem o álbum em sentimentos de traição, raiva, insegurança e transformação.

No início deste ano, a rapper britânica acusou Inflo, líder da banda de R&B SAULT, de não devolver um empréstimo de 1.7 milhões de libras, que o multi-instrumentista terá utilizado para uma apresentação ao vivo de SAULT. Simz abre então o álbum com Thief, abordando diretamente esta situação. Embora não se trate de uma diss-track convencional, os sentimentos de revolta, tristeza e de traição da rapper não passam despercebidos em versos como “This person I’ve known my whole life / Comin’ like the devil in disguise”. Simz enfrenta pela primeira vez a produção de um álbum sem o apoio artístico de Inflo. Em temas como “Lonely, a artista confessa dúvidas e inseguranças que a levaram a refletir sobre a sua continuidade no mundo da música, a necessidade de mudança e a auto redescoberta. Nos temas finais, estende ainda estes sentimentos a outros assuntos, abordando desde relações familiares estagnadas, ao estado atual do mundo e a sua posição nele.Lotus marca-se pela solidão e procura de identidade pessoal. O álbum vem reafirmar a versatilidade de Little Simz que introduz influências de jazz, afrobeat e rock, ao habitual rap britânico lírico, consolidando a autenticidade que a tem distinguido de muitos artistas[5][6][7]. – Maria Abrantes

Hayley Williams – Ego Death At A Bachelorette Party

Numa era dominada pela luta constante pela atenção do público, a vocalista dos Paramore confiou que os fãs estavam curiosos o suficiente para irem eles mesmos à procura do seu novo projeto. Assim, entre singles surpresa, uma inesperada performance no Newport Folk Festival e um misterioso website onde o disco completo esteve disponível por apenas 24 horas, este rollout ambicioso captou mais atenção do que qualquer marketing tradicional.

No entanto, nenhuma artimanha consegue salvar um lançamento da irrelevância se a música não se apresentar à altura da promessa. Felizmente, a atenção foi mais do que merecida para um excelente disco que une o instinto experimentalista da artista com letras pesadas e introspectivas, uma união que se materializa como uma banda sonora perfeitamente adequada aos tempos caóticos que vivemos. As influências do shoegaze e da inescapável veia rockeira de Williams, adornam o seu pop alternativo, que finalmente chegou a um equilíbrio sonoro, com a ajuda de nomes como Jim-E Stack e Daniel James na produção. Este equilíbrio culmina em músicas como “Glum” e “Parachute”, cujos versos arrebatadores as tornam estrelas maiores desta coleção de canções.

Podem chamar-lhe “Miss Paramore”, mas, ao terceiro álbum a solo, Hayley Williams confirma que não precisa da banda que fundou aos dezasseis anos para brilhar. Aliás, é certamente o contrário. – Mário Rui Viana

Luedji Luna – Antes que a Terra Acabe

Luedji Luna surpreendeu o público com o lançamento de um álbum surpresa, Antes que a Terra Acabe. Este trabalho é, então, considerado uma antítese a Um Mar Pra Cada Um, também lançado este ano. Pelas palavras da autora: “Enquanto o primeiro ilustra minha busca por amar e ser amada, o segundo revela até onde eu posso ir para resolver essa carência”[8].

Numa fusão orgânica de neo-soul e jazz, a obra da cantora e compositora baiana vai direta ao ponto com “Apocalipse”, música que dá nome ao álbum, que exemplifica a profundeza emocional e toda a estética do disco. Entre versos partilhados com Seu Jorge, numa perspetiva quase hedonista, a música ressalva a necessidade de viver e a fragilidade humana de amar até o desvelamento do mundo.

A faixa “Pavão”, fazendo referência a um animal que usa a sua própria beleza para afastar e seduzir, é mediada por lirismo, como nas passagens “Seduzo pra me entreter” e o “O meu ego tem fome/ O seu ego tem fome de quê?,” que apontam a fragilidade da beleza da entrega consciente ao desejo.

Juntamente com Alaíde Costa, precursora da bossa nova, Luediji embrulha o jazz em música popular brasileira (MPB). Numa mistura adimensional entre o inglês e o português, as cantoras abrangem com melancolia a sutileza de amar que acaba por concatenar num perfeito encontro de mulheres negras no MPB.Entre estas e as restantes faixas do álbum, Luedji Luna afirma-se como uma artista disposta a inscrever o seu nome na história da música brasileira. O lançamento duplo constrói uma narrativa simultaneamente íntima e revolucionária, na qual a cantora primeiro mergulha em temas como o afeto, a empatia e o desejo de pertença, para depois emergir nas contradições, excessos e fragilidades do amor contemporâneo. Antes que a Terra Acabe não é apenas um disco sobre amar, mas sobre insistir no amor como gesto urgente num mundo à beira do colapso. – Maria Alves

NewDad – Altar

Um álbum perfeito para todos os que sonham com a Irlanda, Altar é descrito pelos NewDad como “uma carta de amor a Galway”, a cidade irlandesa de onde a banda origina. Tendo demorado apenas um ano e meio a conceber uma sequela do seu primeiro álbum de estúdio – Madra – o quarteto irlandês presenteou-nos com um refresco para as nossas rotações musicais, desta vez numa nota mais energética, como mostra o single “Roobosh” ou a igualmente notória “Misery”. A estas juntam-se ainda outras faixas mais melódicas, como é o caso de “Other Side”, a opening track (que, curiosamente, foi das últimas a serem escritas!) que, fazendo jus ao tema do álbum, justapõe o ambiente monótono e rígido de Londres – onde Altar foi gravado – ao desejo de voltar à quase paradisíaca Galway. Não nos esqueçamos ainda dos memoráveis singles, que ao longo do ano nos foram dados, servindo de teasers, desde “Entertainer” a “Everything I Wanted”, tendo-se infiltrado progressivamente na minha rotação musical com os meses, e espero que, lançado o álbum, invadam a vossa também. – João Carriço

FKA Twigs – EUSEXUA

Mas afinal o que significa “eusexua”? A palavra, inventada por FKA Twigs e que dá o título ao seu terceiro álbum, descreve simultaneamente um sentimento de euforia e um estado de espírito transcendente. Em entrevistas, a própria descreveu “eusexua” como o “pináculo da existência humana”, o “sentimento de dançar sete horas seguidas pela noite fora”, ou mesmo, um estado pré-orgásmico[9][10]. Explicar o impacto e a mensagem de FKA Twigs a quem não a conhece é certamente desafiante, e EUSEXUA surge como uma representação perfeita da artista.

Ao contrário de Caprisongs (2022), classificado como uma mixtape, EUSEXUA consiste numa viagem que deve ser ouvida do início ao fim. Com fortes influências da eletrónica dos anos 90, Twigs abraça a club music numa sequência de beats sintéticos e contemporâneos. Pop, hyperpop, techno, house e R&B misturam-se ao longo das 11 faixas que compõem o disco. “Perfect Stranger e “Drums of Death”, curiosamente colocadas consecutivamente (no álbum), são uma combinação interessante do espetro sonoro do álbum: enquanto a primeira se aproxima de um pop mais acessível e cativante, a segunda evidencia o lado mais experimentalista e arrojado da artista.EUSEXUA, que entretanto teve a sua continuidade em EUSEXUA: Afterglow, lançado em novembro, é realmente uma experiência individual, vivida de forma pessoal por cada ouvinte. E é precisamente ao ouvir o álbum que se consegue responder à questão: afinal quem nunca sentiu “eusexua”?[11][12] – Maria Abrantes

Pulp – More

A banda Pulp fez a sua estreia há mais de quatro décadas com o lançamento do álbum It, sendo, contudo, mais conhecida pela música Common People, do álbum Different Class. Pouco depois deste começo promissor, a banda começou a conhecer o seu declínio, que se tornou fatal com o lançamento do álbum This is Hardcore, sendo que a banda se separou em 2002. É portanto normal que os antigos fãs, na verdade o público em geral, não esperasse o reaparecimento da banda, quase 23 anos depois, muito menos um reaparecimento tão bem aclamado pela crítica. O álbum More entrega aquilo que a banda pareceu sempre prometer: britpop puro e cru. As faixas têm todas aquele feeling que só pode ser descrito pela essência daquilo que é o britpop: apetece-me ouvir isto e ser jovem, cometer erros, remediá-los, rir com os nossos amigos, sonhar pela vida que aí vem: tantos sentimentos em tão poucos minutos. – Inês Firmino

Referências:

[1] – Público – Vídeo: tema a tema, Carminho revela o seu novo álbum, Eu Vou Morrer de Amor ou Resistir

[2] – Venere Vai Venus é campeã do do Concurso de Bandas João Rock

[3] – Pitchfork – Lorde: Virgin Album Review

[4] – Tracklist – Review: Lorde renasce e se reconstrói em “Virgin” 

[5] – Pitchfork – Little Simz: Lotus Album Review 

[6] – BBC – Little Simz says recording new album was a journey of healing 

[7] – Pop Fantasma – Ouvimos: Little Simz – “Lotus” 

[8]  Citação da Cantora em Por Trás do Disco #096 – Luedji Luna : “Um Mar Pra Cada Um,” / “Antes Que A Terra Acabe” 

[9] Hypebae – WTF Is ‘Eusexua?’ 

[10] Pitchfork – FKA twigs: EUSEXUA Album Review 

[11] – Beats Per Minute – Album Review: FKA twigs – Eusexua [12] – Rolling Stone Philippines – FKA twigs’ ‘Eusexua’ is a World You Can’t Turn Away From [13]-https://sicnoticias.pt/programas/cartaz/2025-02-28-video-valter-lobo-e-agora-melancolico-dancante-mas-e-a-mesma-pessoa-agora-no-palco-ou-no-meio-da-rua-82affe9d

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