Autoria: Sofia Grilo

Como é dura a sede de querer ser vista. 
Ultrapassar quem outra hora esteve no meu lugar.
Sem poder descansar, desespero. Exaustão.

Quando no meu redor batem as asas da vida. 
Andorinhas navegam pelo rio gilão,
Onde as carpas tagarelam com o vento.
Nós nos encontramos rindo e falando com os demais.

É difícil ignorar quando na cidade dos gatos habitamos.
Rosas trepadeiras entrelaçam os azulejos vaidosos de uma Terra que só poderia ser esta.

Não me atormenta que chilrem os pássaros de uma espécie que desconheço. Chilrem sem parar! 
Ao meu redor quero um mar lilás: estamos em Abril.
Para além de nós não existiria Abril ou Lilás. 

Rua acima cruzo-me com esta Sra. que desce.
Cobrimos o nariz para que me possa atirar:
Quando é que isto vai terminar?
Sorriu. Agrada-me a presença passageira.
O desejo de permanecer.

Amanhã  — 22/04 — dizem que haverá chuva.  
Aborrece-me poder dançar nas estradas de alcatrão,
Quiçá troveje para me impedir a noção.
Inspiro a angústia de poder agir;
Livre mente (…)

Múltiplas histórias ficam agora por contar,
Até que soltos do cercante horizonte
Qualquer um as possa expirar.Atento a improbabilidade do redor assimétrico
Onde não existo, aquém nem além. 
Destarte engenhosa que permite deturpar infligidos limites,
Na necessidade descartável deste astro escrutinado
Secretamente ambicionando ser tão-somente adorado.

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