Quando ouvimos a defesa que o professor Rogério Colaço ofereceu, em entrevista ao Diferencial, ficámos desiludidos com a sua falta de substância. Essa desilusão rapidamente se transformou em mais energia para aquela que está a ser a maior mobilização estudantil de que tenho memória de ver no IST. De várias formas, os alunos do Instituto exigem ser ouvidos e respeitados.

Prevejo que esta fase do movimento estudantil, caracterizada por um tremendo fervilhar de ideias, terá nesta AGA o seu culminar. Na Assembleia, certamente, estarão em discussão várias propostas de mérito e tudo indica que será a AGA com maior participação dos últimos anos.

Autoria: Baltasar Dinis, MEIC (IST)

Caros colegas, tenho a confessar — estou cansado. Os últimos dias têm sido, creio que para todos, de uma intensidade esgotante.

Após o agora infame comunicado, as reações foram muitas, mas dispersas. Depois das declarações do presidente da CRUP [1] e do reitor da UL [2], onde os estudantes universitários eram caracterizados como uma espécie de gatunos, que só querem festa e copianço, foi a vez do presidente do IST efetuar uma comunicação, no mínimo, extremamente infeliz. Isto promoveu aquilo que foi a faísca de uma explosão no movimento estudantil que se aparentava letárgico, quase adormecido. A carta de “uma aluna desiludida”[3] e a correspondente petição, assinada publicamente por mais de 3000 pessoas. A carta ultrapassou a crítica ao comunicado, passando para uma exposição sóbria, informada, intelectualmente honesta e com propostas concretas sobre os problemas do IST, que transcendem a adaptação do ensino e avaliação às restrições da pandemia. Foi nesta cristalina representação da nossa Faculdade e das suas falhas que eu e, decerto, muitos outros nos revemos.

Nos dias que se seguiram, nós, os estudantes, envolvemo-nos, num espírito de união como há muito tempo não se via nestas bandas, para fazer circular a petição e respetiva carta aberta, apelando que a AEIST ouvisse as preocupações dos alunos e convocasse uma AGA para tal efeito. E, quando ouvimos a defesa que o professor Rogério Colaço ofereceu, em entrevista ao Diferencial [4], ficámos desiludidos com a sua falta de substância. Essa desilusão rapidamente se transformou em mais energia para aquela que está a ser a maior mobilização estudantil de que tenho memória de ver no IST. De várias formas, os alunos do Instituto exigem ser ouvidos e respeitados.

Prevejo que esta fase do movimento estudantil, caracterizada por um tremendo fervilhar de ideias, terá nesta AGA o seu culminar. Na Assembleia, certamente, estarão em discussão várias propostas de mérito e tudo indica que será a AGA com maior participação dos últimos anos. Quando acabarmos, espero que tenhamos conseguido cumprir com a nossa vontade de propor melhorias exequíveis e sensatas para o ensino no IST e para com as responsabilidades do Instituto para com os seus alunos. Contudo, espero, também, que consigamos refletir sobre como é que a representação estudantil pode melhorar a partir de hoje. Os estudantes sabem que manter esta intensidade por um período prolongado será impossível. O que não pode acontecer é deixar as nossas reivindicações cair por terra, e para isso é fulcral que consigamos estabelecer como a AE, núcleos e delegados nos podem melhor representar. Depois das ideias, terá que vir, obrigatoriamente, a implementação.

Agora, eu vou dormir, tenho de descansar um pouco. Mas os estudantes, esses sei que acabaram de acordar.

Referências:

[1]https://www.publico.pt/2021/01/20/sociedade/noticia/universidades-ponderam-adiar-exames-iniciar-aulas-online-1947232

[2]https://www.lusa.pt/article/7BKWA_j_EvDlTuDg3SJscTMSZM5iuSI1

[3]https://diferencial.tecnico.ulisboa.pt/tecnico/carta-aberta-ao-exmo-presidente-do-instituto-superior-tecnico/

[4] https://diferencial.tecnico.ulisboa.pt/tecnico/entrevista-a-rogerio-colaco-presidente-do-ist/

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