Autoria: Diogo Faustino (LEAer), João Carranca (LEEC)

No longínquo dia de 27 de maio de 2011 assinava-se um acordo de princípio para a cedência do direito de superfície da Antiga Gare do Arco do Cego entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Instituto Superior Técnico. Este protocolo foi assinado por António Costa, que liderava na altura os destinos do município, e por António Cruz Serra, certamente já sonhando com a fusão da Universidade Técnica. 10 anos depois, a 19 de outubro de 2021, foi lançada a primeira pedra deste novo espaço.

O projeto de reabilitação deste espaço, integralmente concebido por docentes do Técnico, foi originalmente anunciado a 6 de abril de 2015, no último ato público de Costa enquanto presidente da CML. Na altura conhecido como “IST Learning Center”, estimava-se que estivesse operacional até ao final de 2016. Após um “deslizar” dos prazos, já que o projeto teve que ser refeito numa altura em que já estava essencialmente finalizado, o IST preparava-se para lançar o concurso de empreitada até ao final de 2017. 

Lançado finalmente em 2018, nenhum empreiteiro concorreu ao projeto. Quando se tentou relançar o concurso, o eclodir da pandemia obrigou a mais um atraso na realização deste projeto. 

Embora a história deste espaço seja avessa a prazos, a expetativa atual é que todo o edifício deverá ficar pronto na primeira metade de 2023. Este projeto representa um investimento de 12 milhões de euros: a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de LVT contribui com 40% da verba, a Fidelidade, parceiro mecenas, com 15% do valor da obra, e o restante é conseguido através de um empréstimo bancário.

Albergará uma diversidade de espaços, como o átrio principal, com receção, espaço comercial e cafetaria. Um dos maiores atrativos será sem dúvida o Espaço 24 e respetivo lounge, um espaço de estudo informal de acesso 24h. Ainda haverá um espaço multiusos destinado a eventos e atividades culturais.

E como a beleza da vida está em partilhar, teremos como vizinhos o Posto de Socorro Avançado do Regimento Sapadores Bombeiros, independente e com acesso autónomo: algo que estava previsto no acordo de cedência do espaço do Arco do Cego devido às condições do Quartel na Avenida Defensores de Chaves.

Muitos têm vindo a questionar a utilidade desta obra e o peso do investimento que lhe está associado tendo em conta o estado de degradação de vários pavilhões do campus da Alameda. É difícil fazer um julgamento nesta fase daquilo que parece ser uma mistura de “Centro Cultural IST” e espaço modernizado de estudo em complemento ao campus Alameda, mas tendo em conta a natureza do projeto, tudo irá inevitavelmente depender da gestão que será feita posteriormente à construção do espaço. Parece-nos, no entanto, inegável que o espaço ocupado pelos escombros da antiga Gare do Arco do Cego apenas tem a ganhar com um projeto moderno para benefício da comunidade.

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