Após a publicação por parte do Diferencial da entrevista com o Presidente do Instituto Superior Técnico, um grupo de estudantes, querendo quebrar o anonimato, enviou um e-mail ao mesmo demonstrando a subscrição da Carta Aberta, de forma devidamente identificada. O professor convidou um número destes alunos a reunir-se com ele para que pudessem expressar as suas preocupações. O convite foi aceite pelos alunos e nós, Diferencial, perguntámos se podíamos estar presentes para fazer a divulgação dos conteúdos da reunião entre toda a comunidade do IST. Segue-se, primeiramente, um resumo da reunião e, posteriormente, um sumário das intervenções realizadas durante a mesma, bem como os tópicos mais importantes que foram discutidos.

Autoria: Carolina Bento, MEBiom (IST) & João Gonçalves, MEFT (IST)

O professor Rogério Colaço começou por explicar a relevância daquela reunião com estudantes do IST, devidamente identificados e com problemas a apresentar. Referiu, ainda, várias vezes ao longo da reunião que se existe cultura de medo, no Técnico, tem de se identificar a razão para tal e criar mecanismos de prevenção e mitigação da mesma.

Quando os estudantes tiveram a oportunidade de falar reportaram principalmente qual a razão para a onda de indignação que o comunicado gerou, bem como os mais determinantes fatores de descontentamento, nomeadamente a discrepância de deveres e direitos que os estudantes parecem ter em relação ao corpo docente. Os alunos presentes clarificaram, ainda, que são da opinião que a fraude tem de ser punida. Por fim, os estudantes afirmaram que não se sentem protegidos pelos órgãos do Técnico e que não confiam na sua imparcialidade.

O professor Rogério Colaço ouviu os alunos atentamente, tirando notas, e mostrando-se disponível para o diálogo. Concluiu que o comunicado tinha mérito, pois tinha criado uma atmosfera que permitia o debate e a procura de soluções conjuntas para o problema. O professor lembrou que os estudantes têm representatividade nos órgãos de escola e que se tiverem problemas ou sugestões devem reportar aos mesmos e serão ajudados. 

Após mais de 3 horas de reunião e de muitos apontamentos retirados por parte do professor Rogério Colaço, bem como o seu compromisso de analisar com atenção os problemas apresentados e soluções sugeridas pelos alunos, a reunião foi dada como encerrada. 

Depois da reunião, contactámos um dos estudantes envolvidos no movimento que afirmou que “foi uma oportunidade excelente de falar com o professor Rogério Colaço e, apesar de não termos chegado a um consenso sobre todas as questões, podemos concluir com certeza que da parte dele podemos contar com alguém disponível para dialogar”, além disso diz que “todos nós fomos alunos dele [professor Rogério Colaço] e estávamos desiludidos, porque aquele e-mail não era o que dele esperávamos. Pelo menos, conseguimos perceber o que o levou a escrever aquilo. Acho que, implicitamente, ele admitiu que não foi a forma mais correta”. Por fim, o estudante lembra que “neste momento cabe-nos a nós aproveitar este momento para tentar mudar algo na nossa faculdade”.

O assunto está ainda longe de encerrado. Da parte do Diferencial e na medida das nossas capacidades, tentaremos continuar a dar-lhe cobertura e a manter os alunos do Técnico informados sobre novos desenvolvimentos que possam surgir.

Ata da reunião com o Presidente do IST, o professor Rogério Colaço

01/02/2021

Presenças:

Rogério Colaço

João Gonçalves

Miguel Ribeiro

Sofia Sarmento

André Roque

Maria Neves

Henrique Silva

Rodrigo Freire

Diana Sanchez

Filipe Monteiro

João Tavares

Filipa Almeida

Maria Inês Lopes

Afonso Carvalho

Carolina Bento

Jorge Silveira

Miguel Santos

Francisco Nunes Trindade Santos

Ricardo Daniel Henriques Vaz

Maria Teresa Stadler

António Costa

Pedro Mineiro

Ricardo Espadinha

Catarina Bento

Estiveram presentes o professor Rogério Colaço (Presidente do IST), Francisco Santos (presidente da AE), António Costa (Vice-Presidente para os Assuntos Externos da AE), Carolina Bento e João Gonçalves (diretores do Diferencial), a professora Maria Teresa Stadler (presidente do Conselho Pedagógico) e alunos do IST.

Rogério Colaço

O professor começou por explicar os pontos que levaram ao seu interesse na realização da reunião, que permitia que se falasse “frente-a-frente”. Primeiramente, defendeu que “movimentos anónimos não são bons para nenhum dos intervenientes” e que, no contexto do nosso Instituto, “não parecem ser necessários”. A partir do momento em que começou a receber e-mails com a Carta de alunos do IST devidamente identificados, compreendeu que valeria a pena ouvir a opinião destes estudantes e, assim sendo, procedeu à leitura da Carta. Finalmente, o professor esclareceu que “não pode haver medo de represálias” e que “se há alunos que têm medo e se escondem atrás do anonimato tem de se perceber porquê e arranjar mecanismos para que tal não seja necessário”. Completou ainda dizendo que “somos sempre transparentes e há sempre vontade de conversar”.

O professor terminou o seu apontamento inicial dizendo que “a vossa geração passa por um momento mais difícil do que qualquer outra geração viva passou até agora”. No entanto, é necessário reconhecer que o IST sempre procurou ter uma resposta proativa a estas dificuldades. 

Sofia Sarmento

O professor deu a palavra à Sofia Sarmento que havia sido a primeira a entrar na reunião. A Sofia quis expressar os seus principais pontos de descontentamento, bem como apresentar algumas sugestões para que as avaliações pudessem correr da melhor forma possível.

A Sofia começou por referir a situação do teste de Gestão. Neste teste, explicou a aluna, apesar da suspeita de fraude ser prevalente num curso específico (LEIC), a prova acabou por ser anulada a todos os estudantes. Neste sentido, a Sofia considera que “os alunos honestos não foram protegidos”. Para além disso, referiu que os alunos não foram notificados relativamente à marcação da nova prova, tendo sido esta mudança comunicada apenas através da alteração de um anúncio já existente na página da cadeira.

A aluna continuou explicando que, na sua opinião, existiram cadeiras em que o ensino à distância não foi implementado de forma correta, havendo cadeiras onde os professores não permitiram a marcação de aulas de dúvidas ou não realizaram aulas síncronas. Para além disso, referiu que algumas avaliações são propícias a fraudes pela forma como são desenvolvidas e exemplificou, referindo testes de escolha múltipla onde não é necessário mostrar o raciocínio por trás da resposta.

A Sofia lembrou, no entanto, que também havia tido professores compreensivos e que utilizaram métodos de avaliação criativos para impedir a fraude e que tais métodos poderiam ser difundidos entres os docentes. Finalmente, terminou a sua intervenção sugerindo que, caso houvesse suspeitas de fraude, se deveria proceder à realização de provas orais, em vez de se proceder à anulação de todas as provas.

Henrique Silva (autor do e-mail original enviado ao professor que permitiu a realização desta reunião)

De seguida, o professor Rogério deu autorização a Henrique Silva para que este expusesse a sua opinião. Henrique começou por explicar que “todos nós já tivemos histórias como as da Sofia e que todos nós já nos sentimos incompreendidos”. Esclareceu ainda que “todos nos sentimos muito atacados com o envio do comunicado, pois este pareceu uma atribuição de culpa muito unilateral”. O aluno clarificou que o motivo da revolta é o facto de os alunos sentirem que não existem consequências para quando há uma falha da parte dos professores. Relembrou ainda que todos os estudantes que estavam na reunião condenavam a fraude, não sendo essa a questão em causa.

Referindo-se ao semestre passado, explicou que “houve inúmeras situações em que, após a saída das diretivas do CP e do Conselho de Gestão, houve avaliações que iam contra estas mesmas diretivas”. O aluno esclareceu ainda que, mesmo depois de os alunos se queixarem aos seus representantes, não havia ninguém que assumisse a culpa e que, nestas questões altamente burocráticas, os problemas não eram resolvidos em tempo útil. Henrique alertou para a existência “de uma cultura de passa-bola, que é um problema estrutural”. Por fim, referindo-se à entrevista do professor Rogério Colaço, disse que “mesmo que apenas 10% das avaliações corram mal, esses 10% podem ser catastróficos para os estudantes”.

João Tavares

A palavra foi passada ao João Tavares, que frisou que “o principal problema do e-mail é ter apelado apenas aos deveres dos alunos”. O João realçou que “tem de haver capacidade para filtrar os bons métodos de avaliação dos métodos de avaliação catastróficos” e explica que a não adaptação por parte dos professores a novos métodos de avaliação propicia o recurso à fraude. Como sugestão para solucionar este problema, o João afirmou que “os métodos de avaliação deviam passar por um processo de aprovação antes de serem administrados”. 

Por fim, disse ao professor Rogério Colaço que “não queria estar na sua posição e não estou a imputar-lhe culpa, sei que não é fácil e todos sabemos, mas há problemas que afetam os alunos e nunca nada é feito quanto a eles” (a isto, o professor Rogério respondeu com humor e lembrando a frase de um antigo presidente do Técnico, Carlos Matos Ferreira, disse “o presidente do Técnico, enquanto é o presidente do Técnico, não tem o direito a amuar”).

Rodrigo Freire

O Rodrigo Freire teve, de seguida, oportunidade de falar. Na sua intervenção, começou por agradecer o convite do Presidente e por dizer que “há dois lados para cada história: há fraude e testes falsos mas, do outro lado, há professores paranóicos que dificultam bastante a avaliação para evitar a fraude”. Referiu ainda que existe uma discrepância bastante significativa entre as médias do semestre corrente e as dos anteriores e que, relativamente ao segundo semestre do ano passado, os inquéritos mostram que as avaliações e o ensino à distância correram muito mal. Neste ponto, o professor Rogério Colaço interrompeu para concordar que “o semestre passado correu pessimamente”.

O Rodrigo finalizou explicando que “nós não estamos a exigir o mundo, apenas dizemos que neste momento não há um meio de garantir uma avaliação justa” e que “entre alunos e professores existe uma relação simbiótica e os alunos estão a ter mais deveres do que direitos”.

Ricardo Vaz

O Ricardo Vaz pegou num ponto que foi abordado por um dos seus colegas para explicar a existência de burocracia: “um dos objetivos da burocracia é separar a pessoa do cargo. O problema não é a burocracia, o problema é que muitas unidades curriculares estão ligadas a professores concretos”. O aluno admite que “enquanto não houver uma avaliação concreta e centralizada, enquanto a avaliação continuar a depender de uma pessoa apenas, vão continuar a existir problemas”. 

O Ricardo levantou ainda outro problema: os espaços físicos que nos são proporcionados para estudarmos não foram devidamente adaptados à pandemia. O estudante lembra que “em vez de se garantirem condições adequadas de distanciamento e desinfecção, foram fechadas salas de estudo”. Além das condições físicas, referiu que não são reunidas as condições psicológicas adequadas para a realização das avaliações. Por fim, explicou que é necessário haver uma discussão centralizada e construtiva sobre todas as questões referidas até então e que há mudanças operacionais a fazer.

Filipe Monteiro

O Filipe Monteiro começou por se referir à questão do anonimato, defendendo que “há pessoas que utilizam o anonimato como forma de se protegerem”. Reportando-se a casos passados, afirmou que “não há consequências para os professores, mesmo quando há 90% de reprovações”. O aluno alega ainda que “parece que, tal como alunos fraudulentos se aproveitaram da pandemia, houve professores que também se aproveitaram para ser mais preguiçosos”. Deste modo, esclareceu que o seu pedido é de que “haja auditorias às cadeiras que parecem funcionar de forma menos desejável e que existam consequências se isso se confirmar como sendo verdade”, porque senão “os professores bons também saem prejudicados”.

Jorge Silveira

Na sua intervenção, o Jorge Silveira explicou que “há muita responsabilidade da parte dos professores também, como os resultados dos inquéritos evidenciam”. O aluno pediu que “as avaliações às cadeiras sejam mais transparentes” e frisou que “esta repetição de críticas que são feitas e não são ouvidas fazem com que os alunos não se sintam protegidos”.

Francisco Santos

Seguiu-se a intervenção de Francisco Santos, presidente da Associação dos Estudantes, que começou por salientar o quão importante era para este órgão que os alunos estivessem ali presentes, dizendo também que, embora por vezes seja criticada, a verdade é que a AE está ativa e tenta antecipar-se aos problemas, dando o exemplo do inquérito aos alunos por este órgão lançado.

Salientou também que em vários aspetos existe ainda discórdia entre os próprios alunos, como em relação ao adiamento ou não dos exames. Criticou a excessiva autonomia do corpo docente, que nem sempre cumpre as diretrizes que foram criadas pelo próprio IST para as avaliações, inventando métodos alternativos que abrem muitas vezes as portas a fraudes.

    Apelou a que, se as diretrizes existem, haja também responsabilização pelo seu não cumprimento, mas salientou que as represálias de injustiças são sempre mais sentidas pelos estudantes. Um erro por parte de um professor numa avaliação, quer seja grande ou pequeno e mesmo sendo punido, pode fazer com que o aluno demore mais um ano a terminar o curso, o que tem um impacto muito significativo na vida de um estudante. Este aspeto também contribuiu, na sua opinião, para a indignação das pessoas.

    Acrescentou ainda que é importante imputar as diretrizes já criadas ao corpo docente e garantir o seu cumprimento, pois a indignação dos alunos é perigosa e pode levar a um ponto de ruptura.

Diana Sanchez

Diana Sanchez referiu que tanto o seu pai como o seu irmão foram estudantes do Técnico (há 40 e 10 anos, respetivamente) e que ambos se identificam com as queixas que os alunos apresentam atualmente. Isto, explica Diana, evidencia que a representação da voz dos estudantes não aumentou, nesta instituição, ao longo das décadas que se passaram, motivo pelo qual a indignação chegou a níveis tão elevados.

Rogério Colaço

O professor Rogério Colaço quis salientar que, quer se concorde ou discorde do tom e conteúdo do seu comunicado, este teve um mérito inegável: trazer à luz do dia uma situação dramática: “se não fosse a pandemia muitas das preocupações apresentadas pelos estudantes existiriam à mesma e se não fosse o e-mail os alunos continuariam a ter os mesmos problemas mas não estaríamos aqui reunidos”. Disse ainda que o elefante na sala era, na sua opinião, a fraude e os problemas que afetam as condições de ensino no Técnico, amplificados agora pelas condições pandémicas.

Reunidos com o Presidente: Será esta a janela para mudar o sistema?Falou da situação difícil que se vive e do enorme esforço que o Técnico tem feito para cumprir sempre todas as diretrizes do Governo (que são alteradas com frequência) e se adaptar às novas condições de ensino e avaliação à medida que estas vão aparecendo. Referiu ainda o problema da existência de uma pequena minoria fraudulenta que vê, no seu entender, esta situação como uma oportunidade, pondo em causa o esforço da maioria honesta através de fraudes e de críticas anónimas. Esclareceu que o seu comunicado 26 era sobre isso, não sendo uma culpabilização dos alunos nem um lavar as mão do corpo docente, mas sim uma crítica e demonstração de intransigência para com quem vê as circunstâncias de maneira oportunista e ignora os sacrifícios feitos pelo país e pela comunidade do IST.

Referindo-se aos pontos apresentados, o professor começou por dizer que é importante que não haja críticas anónimas, nem medo de consequências. Admitiu que ouvir os alunos revelar que, por vezes, temem represálias que possam surgir ao expressar as suas opiniões o surpreendeu, voltando a frisar que “no Técnico isto é inaceitável e é necessário que os problemas se discutam abertamente”.

Quanto à adaptação do corpo docente, admitiu que as queixas dos alunos eram legítimas e que “é um facto que houve casos de incapacidade de adaptação do corpo docente ao ensino online”.

Sobre a fricção existente entre professores e alunos, o professor disse que era um ponto importante e que, de facto, o regulamento de avaliações permite intervenções sobre casos de fraude por parte dos estudantes, incluindo a abertura de processos disciplinares, mas não prevê a abertura de processos semelhantes por motivos de taxa de reprovação excessiva. Sugeriu que os Órgãos de Escola discutissem este assunto e aconselhou os alunos a levar a proposta de implementação desta medida à próxima Assembleia de Escola, esta quinta-feira.

Pediu ainda aos alunos que lessem os estatutos do Técnico e que seguissem as linhas de ação nele previstas sempre que se sentissem injustiçados, reforçando ainda a importância de confiar no seu funcionamento e no dos Órgãos de Escola.

Maria Teresa Stadler 

Maria Teresa Stadler, presidente do Conselho Pedagógico, apelou a que os alunos enviassem a este órgão sugestões concretas de medidas que quisessem ver implementadas.

Rodrigo Freire

Rodrigo Freire disse, em referência à afirmação do professor Rogério Colaço de que confia nos seus alunos por serem os melhores do país, que “se quer que os alunos sejam os melhores do país, os professores têm de ser os melhores do país também”.

Rogério Colaço 

O professor disse que registou as notas e preocupações apresentadas relativamente ao corpo docente e ao modo como vários alunos têm encarado esta situação do ensino/aprendizagem e avaliação à distância.

Ricardo Vaz

Ricardo sugeriu que se estudassem casos de faculdades (como a de Manchester) que adotaram medidas de sucesso no período de pandemia.

João Tavares

João Tavares disse que o principal problema deste semestre foi “a prepotência de professores quanto à realização de exames on-line”, questionando o professor sobre a existência de algum órgão que pudesse avaliar se a metodologia escolhida por um determinado docente para aplicação de avaliações online é legítima ou não. O professor admitiu que tal órgão não existe.

João disse que é injusto colocar a obrigação de tomar ação contra casos de injustiça, como taxas de reprovação de 90%, do lado dos estudantes, que estão menos familiarizados e protegidos pelos regulamentos.

O professor disse que é sempre possível aos alunos expor os seus problemas aos Órgãos de Escola e que estes têm o poder de abrir um inquérito a uma unidade curricular com grande taxa de reprovação.

João perguntou então ao professor qual o processo neste momento para punir um professor que tenha quebrado diretrizes de avaliação.

O professor respondeu que os Órgãos de Escola não funcionam por si só, pois não é possível monitorizar todas as cadeiras ao mesmo tempo. O que acontece quando os professores consideram que houve fraude numa avaliação é a emissão de uma queixa, o órgão responsável investiga se esta é fundamentada e, se se comprovar que sim, procura-se uma solução. A decisão é comunicada ao Conselho de Gestão e ao Presidente do IST, sendo aberto um processo de inquérito. O professor revelou que, até agora, que ele saiba, não chegou aos Órgãos de Escola nenhuma participação por parte de alunos e disse que, quando não chegam participações, os órgãos não conseguem atuar.

O professor reforçou ainda que, na sua opinião, a palavra fulcral da discussão é “medo”, dizendo que este sentimento tem de ser combatido e que é necessário trabalhar numa base de confiança, usando os órgãos que já existem no IST. Disse ainda que não há perseguição a alunos na nossa faculdade e que nunca poderá haver, sendo que quem o fizer enfrentará consequências gravíssimas.

João argumentou que o problema é que, no Técnico, se um aluno se queixar de um professor ao Conselho Pedagógico e a queixa não tiver efeito, o professor fica com poder para o prejudicar em futuras avaliações, sendo muito difícil provar que alguma ação danosa da sua parte tenha ocorrido. Perguntou então ao professor se este concordava que o Conselho Pedagógico deveria ter o mesmo poder na defesa dos alunos que tem na defesa dos professores.

O professor concordou e acrescentou que na sua opinião já o tem, não sendo sequer aceitável que as coisas fossem de outra maneira.

João finalizou dizendo que seria interessante saber se todos os alunos concordam que assim é, fazendo por exemplo um inquérito online. Disse ainda que se essa iniciativa fosse implementada, os dados estatísticos dela resultantes iriam mostrar a necessidade daquela reunião.

Henrique Silva

Henrique mencionou o problema da saúde mental, dizendo que o Técnico tem feito aquilo que é parte da sua responsabilidade, tendo psicólogos e providenciando acompanhamento aos alunos. No entanto, salientou que a situação atual é particularmente complicada, havendo pessoas em burnout sem resposta e apelando a que o professor fizesse uso da sua posição de destaque para trazer mais atenção para este tópico.

Ricardo Vaz

Ricardo apelou a medidas de mitigação do impacto negativo da saúde mental dos alunos sobre as suas performances em avaliações, embora tenha admitido que este é um problema de difícil resolução.

Rogério Colaço

O professor referiu que o IST, para além do núcleo de acompanhamento médico que possui, que tem vários psicólogos, e do Gabinete de Apoio ao Tutorado e Núcleo de Desenvolvimento Académico liderado pela doutora Isabel Gonçalves, identificou há meses atrás e ainda neste semestre uma situação difícil em relação a alunos deslocados de todo o país que estão isolados das suas famílias. Disse que, em relação a este problema, foi montada uma rede de contactos que permite, em caso de necessidade, acompanhar alunos em dificuldades. 

Além disso, informou ainda que a Faculdade de Psicologia tinha montado uma rede de apoio psicológico a todos os alunos da ULisboa. Com estas medidas em vigor, admitiu não saber se seria possível fazer muito mais em relação ao problema do que aquilo que já está a ser feito.

Recomendou ainda aos alunos ligar para o NAPE se conhecerem casos que precisem de acompanhamento, sendo que este órgão os encaminhará para quem possa ajudar.

Diana Sanchez

Diana Sanchez disse que, embora possam não ser a maioria, existem professores que não têm o melhor interesse dos alunos em mente. Deu o exemplo de Gestão, onde um professor teve ações e comentários desagradáveis para com os alunos.

Rogério Colaço

O professor concordou que as circunstâncias não justificam os meios e que é preciso ser intransigente nesses casos também, reforçando o pedido aos alunos para tomarem ação quando se sentem injustiçados. Disse ainda que “o Técnico não funciona com o “diz que disse”, funciona com os seus estatutos”, que devem ser seguidos.

André Roque 

André Roque referiu os estatutos, dizendo que decretam que compete ao Conselho Pedagógico promover a qualidade de ensino e que, embora o professor não reconheça uma assimetria no tratamento que o CP dá aos alunos e aos professores, na sua opinião ela existe, apresentando alguns exemplos de situações ocorridas com conhecidos seus que ilustram este ponto.

Filipe Monteiro

Filipe Monteiro referiu um caso de contágio de covid-19 na residência que levou à necessidade de várias pessoas requererem o estatuto para a realização de avaliações online, defendendo que este requerimento foi por vezes difícil e apelando a uma maior flexibilidade deste processo no próximo semestre. 

Rogério Colaço

O professor agradeceu a todos pela reunião, que admitiu ter sido extremamente importante. Referiu também que o Conselho Pedagógico tem uma nova equipa que tomou posse 15 dias antes, uma nova presidente (Maria Teresa Stadler) e dois novos vice-presidentes, um professor e uma aluna. Reforçou ainda novamente que é necessário que os alunos sejam exigentes consigo próprios e que façam chegar as suas queixas aos Órgãos de Escola, sendo que quando não houver resposta têm de perguntar porque é que não houve resposta, não podendo deixar de ser exigentes com tudo: com professores, com colegas e consigo próprios.

“Nesta situação que todos vivemos, o único caminho a seguir é sermos exigentes e usarmos os órgãos. Não pode haver anonimatos.”

O professor salientou ainda que não há financiamento suficiente para investimentos nas infraestruturas do IST, sendo que o Orçamento de Estado só garante o suficiente para pagar 75% dos salários, tendo o próprio Técnico que gerar o rendimento necessário para assegurar o resto da sua atividade.

Deixou ainda o pedido de que os alunos ajudem o Técnico em tudo o que puderem, pois se há alguém que consegue fazê-lo são eles. Salientou ainda mais uma vez o forte “poder de fogo” do Técnico, que permitiu a resposta rápida e eficaz à pandemia e que “é o motivo do orgulho que sentimos pela nossa faculdade”. Deixou ainda um agradecimento à Associação dos Estudantes e ao António Costa e Francisco Santos, os seus representantes presentes na reunião, pelo contributo do IST ao país na produção de cinquenta mil zaragatoas em apenas 3 meses quando elas não existiam no resto do país, bem como a produção de álcool-gel, máscaras e viseiras.

Após mais de 3 horas de reunião e de muitos apontamentos retirados por parte do professor Rogério Colaço, bem como o seu compromisso de analisar com atenção os problemas apresentados e soluções sugeridas pelos alunos, a reunião foi dada como encerrada.

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