Autoria: João Patrício, MEFT (IST)

A doença mental assume-se, de forma cada vez mais evidente, como um flagelo de dimensões aterradoras, capaz de infligir efeitos profundamente nefastos em quem se vê por ela encarcerado numa espiral de desespero. Por vezes adjetivada como uma pandemia discreta e silenciosa, embora não alcance os níveis de mediatismo de outras suas congéneres, a perturbação do foro psicológico afetará, tendo em conta as conclusões do relatório Health at a Glance 2018, pelo menos um quinto da população nacional, tornando Portugal num dos países mais fustigados por essa problemática à escala europeia. Esta pode tomar forma através de ansiedade, transtornos de personalidade ou depressão e entre as suas manifestações mais comuns estão incluídas a ingestão desregrada de bebidas alcoólicas, a perturbação frequente do sono ou o isolamento.

Pese embora o facto de estes transtornos serem transversais a faixas etárias, a maioria manifesta-se antes dos vinte e quatro anos, o que deve fazer soar as nossas campainhas de alarme enquanto estudantes universitários. Perfilam-se entre as causas para esta realidade a sobrecarga de trabalho, o sentimento de desconexão perante o ambiente circundante ou o insucesso académico. Naturalmente, a incidência destes problemas é exacerbada pelo contexto de crise sanitária – e subsequentemente económica – que atravessamos, capaz de fazer despoletar outros fatores de angústia relacionados, por exemplo, com as dificuldades em assegurar o pagamento de despesas de educação e habitação ou mesmo relacionados com a entrada no mercado de trabalho em condições extremamente inóspitas. 

Lamentavelmente, parece-me inelutável reconhecer que o Instituto Superior Técnico não é imune a esta calamidade. Mais do que isso, arrisco-me a afirmar, sem ter por base dados concretos, que o número de membros da nossa comunidade educativa a debater-se com problemas mentais não será irrisório e muito menos desprezável. Neste sentido, numa primeira fase, será essencial que todos quantos são obrigados a lidar com questões desta ordem possam solicitar ajuda. No entanto, tenho consciência de que este meu apelo não passará de um conjunto de palavras ocas se não forem garantidas as condições para que essa ajuda chegue e se possa dar a devida resposta a cada pedido de auxílio, não deixando ninguém para trás. 

O IST providencia um serviço de acompanhamento psicológico assegurado por sete profissionais disponíveis para atender um vasto espectro de pacientes, que abarca alunos, professores e funcionários da instituição. Contudo, tem-se verificado alguma dificuldade em atender às necessidades de muitos dos que a ele recorrem, agravada pelo período de maior vulnerabilidade que vivemos, o que exige uma procura premente de soluções para mitigar este cenário. 

Será por isso imprescindível conhecer a realidade dos alunos do IST no que diz respeito à sua saúde mental e recolher dados que permitam uma caracterização fidedigna da dimensão do problema que pretendemos combater. É neste sentido que os Órgãos de Escola, através do Conselho Pedagógico, numa comunhão de esforços com a Associação dos Estudantes, assumem a obrigação de colocar o combate à doença mental no eixo central das suas ações. Por isso, será dinamizado um conjunto de inquéritos precisamente ao serviço do que anteriormente expus. Aproveito também para fazer um apelo a que estes sejam encarados com a seriedade que merecem e seria desejável que fossem o mais amplamente difundidos e participados possível. Só desta forma será possível identificar cabalmente as debilidades, que sabemos serem muitas, e propor soluções concretas para a melhoria das condições de estudo na nossa faculdade e de acompanhamento psicológico, seja ao nível do reforço do número de profissionais em funções de atendimento ou dos recursos colocados ao serviço dos estudantes. 

É certo que há ainda um longo caminho a percorrer, mas faço votos para que as sementes agora lançadas, com vista a minimizar um problema que não pode mais ser ignorado, possam dar frutos no futuro.

Comentários

«Maria Montessori (1870–1952), one of the most original and influential scholars of the 20th century, is best known for her revolutionary child-centred method of education,
which is still used in schools throughout the world.
Freud, the father of psychoanalysis, told her, “If everyone had your schools, they wouldn’t need me.” However, her educational philosophy—which was rooted in her
lifelong observation of children—was based on a number of strikingly accurate hypotheses on child development that predated several neuroscientific discoveries by
decades (Babini and Lama 2016).»
de
https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1073858420902677
Tal como a Dr.a Montessori foi reconhecida pelo Dr.Sigmund Freud, hoje tb. temos de saber seguir as evidências:

Se um Fisiologista reformado, que usa sistematicamente a expressão “Hoi polloi” para definir a própria classe social, tem vindo a se adaptar ao ensino à distância há mais de uma década… porque razão o “Conselho do Conhecimento Universal” alerta, nesta fase do Antropoceno, para a necessidade de «garantir [financiamento público para] formação aos professores sobre o ensino digital, tal como tem vindo a ser feito pelo Ministério da Educação para os níveis de escolaridade obrigatória.»?
https://expresso.pt/sociedade/2021-02-22-Ensino-Superior-quer-programa-de-compra-de-computadores-semelhante-ao-das-escolas
Em Portugal, a educação pré-escolar ainda não é universal. Ainda temos muito por desenvolver na educação infantil:

Corolário: certamente que não são os atuais avaliados/estudantes os responsáveis pelo docente desconforto sobre o «ensino digital». Mas os alunos podem ser os guias para a “reconciliação digital”. Eis uma premiada Alumna com influência na matéria:
https://tecnico.ulisboa.pt/pt/noticias/campus-e-comunidade/paula-panarra-e-catarina-belem-distinguidas-com-premio-maria-de-lourdes-pintasilgo/
Curioso por saber quem se lhe seguirá.

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