Autoria: Gustavo Ramos (LEMec)

A vida universitária e o seu ritmo frenético. O que andamos nós a fazer com a nossa experiência universitária? O que acontece no modelo de ensino atual e qual o impacto que tem em ti, são algumas das questões abordadas ao longo deste artigo.

Para muitos de nós, a entrada no Ensino Superior representou uma saída do “ninho”, o levantar do véu daquilo que é a entrada na vida adulta, com tudo o que a esta vem associado. Para outros, é o quebrar de um ciclo de estudos e a saída da sua zona de conforto, rumo a uma inquietante, mas ansiada nova etapa.

Ao falar com familiares e amigos mais velhos que já percorreram os caminhos universitários que estamos nós, agora, a percorrer, encontro os mais diversos relatos sobre aquilo que foi a sua experiência universitária, mas uma coisa é transversal: foi uma experiência que a todos marcou.

Por esta altura, estou eu e estarás tu, leitor, algures nesta caminhada (que por vezes se torna num sprint) que é a experiência universitária. Durante três, cinco, ou mais anos, viveremos esta montanha-russa de experiências e emoções que é a vida de universitário. Assim sendo, vale a pena parar para refletir sobre aquilo que tem sido a nossa experiência até ao momento e o que poderemos fazer para melhorá-la.

Entre tantos novos estímulos e experiências que são característicos dos primeiros meses académicos, acabamos por deixar para trás vários hábitos que nos eram familiares. Pouco tempo depois, não por vontade própria, cai-nos a realidade em cima (e com estrondo): temos trabalhos e matéria a acumular e somos obrigados a direcionar para aí o nosso foco. É, por isso, importante termos consciência de onde nos estamos a focar e de ter noção que é importante um equilíbrio entre as várias áreas da nossa vida.

Questiono quando foi a última vez que praticaste exercício físico intenso? Certamente muitos de nós praticaram algum tipo de desporto ao longo da nossa vida. Chegados à Universidade, quantos de nós reduziram o tempo que ao exercício físico dedicamos ou o abandonaram por completo? A resposta é: uma grande parte! E quem diz a prática de exercício físico, diz também os hábitos de leitura, os passeios pela Natureza, aquele jogo ao fim de semana com os amigos ou mesmo o ‘dolce far niente’ (a agradável ociosidade). 

Tudo isto nos leva à questão: Estaremos nós, ao percorrer este sinuoso trilho universitário, a construir as bases para ter uma vida melhor do que a dos nossos antepassados, com mais qualidade e concretização? Ou estaremos a cair na armadilha de nos focarmos apenas naquilo que é urgente no momento, acabando por ignorar as maravilhas do mundo à nossa volta? E, se estamos realmente num processo de automatização, sempre com foco no urgente, será isso nossa responsabilidade ou culpa da sociedade e do sistema de ensino que nos é imposto?

Estas são perguntas diretas e para as quais cada um de nós terá de refletir e responder da forma que lhe fizer mais sentido. Ainda assim, há que salientar algo: somos seres livres, com excelente capacidade de perceção do “eu” e das nossas capacidades, comparativamente aos nossos coabitantes deste planeta azul. Independentemente do que possam dizer filósofos e estudiosos sobre a temática do livre-arbítrio, acredito que cada um de nós tem a liberdade de fazer o que bem entende com o seu tempo e com os seus recursos. Escolher direcionar o nosso foco para o problema e não para a solução é uma escolha individual, ter tempo para realizar as atividades que nos dão mais prazer é, (adivinhem vocês) uma escolha individual, independentemente daquilo que se possa pensar e da controvérsia que o assunto possa levantar. 

Tendo nós esta capacidade extraordinária de podermos decidir o que fazer e quando o fazer e tendo em conta aquilo que deve ser a memorável experiência universitária, para a qual cada um terá o seu ideal, será moralmente aceitável a imposição de prazos asfixiantes para trabalhos e projetos que exigem elevados níveis de preparação, limitando assim a nossa liberdade de escolher o que fazer em cada dia? Não trabalhamos todos melhor quando estamos motivados e felizes? Claro que sim! E se assim o é, porque é que nos levam, sucessivamente, ao longo de todo um percurso escolar, a dedicar um tempo excessivo e desequilibrado à parte escolar, tendo de colocar de lado as pequenas atividades do dia a dia que nos vão dando prazer e motivação para continuar a fazer mais e melhor por nós e pelos que nos rodeiam? Reflete sobre o assunto e não te esqueças, vive e exige que te deixem viver a vida de universitário como a experiência inigualável que esta deve ser!

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