Editorial

Bem-vindos a mais uma edição do Diferencial!

Dizer que 2020 foi um ano meramente “atípico” seria um eufemismo. A pandemia global de COVID-19 alterou radicalmente o paradigma das nossas vidas e promete continuar a fazê-lo durante um tempo indefinido. No entanto, e embora esta doença tenha, em muitos aspetos, parado o mundo, há outras igualmente graves que aproveitam para prosperar enquanto, na nossa distração, as ignoramos.

A procura por uma vacina para a COVID-19 é sem dúvida uma prioridade para a ciência neste momento, com todos os países de olhos postos no progresso do seu desenvolvimento e discussões políticas sobre a sua aceleração em cima da mesa, mas como é que esta convergência de esforços e recursos afeta o apoio aos investigadores de outras áreas científicas? Da mesma forma, e embora a proteção contra a doença seja fundamental, até que ponto é legítimo abdicarmos da nossa saúde mental para a alcançar? Enquanto estudantes universitários e futuros trabalhadores (ou teletrabalhadores), esta questão é especialmente premente.

A nível social, a pandemia tem ainda sido fonte de fortes polarizações na sociedade: não só se têm visto manifestações sobre tópicos desde a justiça racial ao dever do uso de máscara, como discussões sobre o próprio direito à manifestação, que nunca esteve tanto em causa em anos recentes como atualmente. Os conflitos etários e a procura por bodes expiatórios entre os jovens, os idosos ou outros grupos sociais são também catalisadores de acesas discussões nesta época onde a nossa nova forma de conviver, a nível pessoal mas mesmo internacional, parece estar a despoletar uma nova era na história da globalização.

Finalmente, e idealizando um futuro pós-COVID, vemos que as devastadoras alterações climáticas se continuam a aproximar a um ritmo mais rápido do que aquele a que as estamos a combater, já para não falar de outras ameaças existenciais que se encontram à espreita e se preparam para nos encontrar tão mal preparados como estávamos para esta pandemia.

Num mundo que é hoje em tudo diferente do que era há 1 ano, o Diferencial lança a sua primeira edição deste ano letivo tentando repor alguma normalidade e voltando ao trabalho de informação e análise rigorosa e pertinente a que tem vindo a habituar os seus leitores.

João Gonçalves

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