Autoria: João G., Engenharia Física e Tecnológica, IST


Mais uma sexta-feira, mais uma Greve Climática. Por todo o mundo, milhares de jovens faltam às aulas e saem às ruas munidos de cartazes e das suas próprias vozes para protestar por uma intervenção mais ativa dos governos sobre os problemas que ameaçam de morte o meio ambiente do planeta em que todos vivemos. Será que começam finalmente a ser ouvidos?

… numa sociedade de informação rápida em que a notícia de hoje é esquecida amanhã, será o movimento ambientalista apenas uma nova trend destinada a cair no esquecimento?

Entre notícias e vídeos das Marchas pelo Clima e dos discursos de Greta Thunberg (sempre seguidos de louvores dos seus fervorosos adeptos e reprovações dos seus igualmente fervorosos inimigos), há que olhar para o mediatismo à volta do movimento ambientalista com um certo olhar crítico. Se por um lado ele é produtivo, quanto mais não seja para gerar discussão sobre um tópico que tantos tentam ignorar, por outro pode trivializar as preocupações que motivaram o início do próprio movimento, renegando-as assim à efemeridade e eventual esquecimento.

A última Marcha pelo Clima em Lisboa foi bastante diferente da primeira: teve menos gente, durou menos tempo, o percurso foi mais curto. O movimento continua vivo, é certo, mas não parece tão imparável como no início; numa sociedade de informação rápida em que a notícia de hoje é esquecida amanhã, será o movimento ambientalista apenas uma nova trend destinada a cair no esquecimento?

É importante não deixar que isso aconteça, mas o ambiente político que se vive no nosso país não o facilita. Em vésperas de eleições legislativas, partidos grandes e pequenos espalhados por todo o espectro económico e social aproveitaram a oportunidade para tomar parte nos protestos, ostentando bandeiras e distribuindo panfletos. Se é verdade que isto acontece, em certa medida, desde que o movimento começou, por outro é curioso notar que partidos que até há tão pouco tempo não priorizavam de todo as medidas ambientais nos seus programas parecem ter abraçado repentinamente esta nova causa mediática precisamente no momento em que mais podem beneficiar da exposição que ela lhes dá…

…a Marcha pelo Clima corre o risco de vir a ser confundida com uma moda passageira e de ser eventualmente renegada ao esquecimento que a elas está destinado.

Este pode ser um dos principais perigos que a causa ambientalista enfrenta neste momento: deixar-se vulgarizar e abraçar como oportunidade de exposição por parte de grupos (partidários e não só) com a sua própria agenda e que não se preocupam nem identificam com os valores que o movimento nasceu para defender. Pior do que isso, a Marcha pelo Clima corre o risco de vir a ser confundida com uma moda passageira e de ser eventualmente renegada ao esquecimento que a elas está destinado. É imperial impedir que isso aconteça e garantir que o movimento não perca o momentum com que começou nem o horizonte aos seus ideais e objetivos. É crucial continuar a sair às ruas, a empunhar cartazes, a gritar. O progresso far-se-á uma sexta-feira de cada vez, uma Greve Climática de cada vez.

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