FINALMENTE UMA MUDANÇA DO MEPP?

Tudo começou em 2019, quando o Professor Pedro Brogueira, atual Presidente do Conselho Científico entregou a versão final do relatório da CAMEPP (Comissão de Análise ao Modelo de Ensino e Práticas Pedagógicas do IST). Este documento visionava uma escola do século XXI com mudanças profundas, propunha-se um futuro brilhante para o IST, com alterações na carga letiva, no ensino laboratorial e a revisão do regime semestral.

Contudo, este sonho visionário pouco tempo durou, enquanto o relatório final da CAMEPP era composto por 151 páginas, o consenso na escola surgiu à volta do PERCIST (Princípios Enquadradores para a Reestruturação dos Cursos de 1º e 2º ciclo do Instituto Superior Técnico), um documento de 18 páginas aprovado em maio de 2019. Em 3 meses várias ideias foram cortadas e reestruturadas, caminhando o IST de uma utopia para o regime que atualmente se vive.

Desde logo começaram as contestações, primeiramente vindas dos estudantes, tendo até sido realizado um referendo pela AEIST, com resultados avassaladores no que respeita aos que preferiam o regime semestral, posteriormente por parte dos docentes, com o desmultiplicar de listas para as eleições do Órgãos de Escola do IST para o quadriénio 2025-2028, onde nenhuma obteve maioria.

Após tanta contestação o Presidente do IST, o Professor Rogério Colaço, lançou no passado dia 5 de fevereiro a revisão do PERCIST (a revisão do MEPP) propondo uma mudança naquilo que é a lecionação por períodos, colocando em cima da mesa uma proposta que há tanto que era revindicada.

A AEIST sempre esteve do lado da mudança, desde cedo era claro que este regime não funcionava e vemos agora o caminho para uma mudança necessária. Apesar disto, os problemas do ensino são muito mais do que apenas o regime de períodos/semestres. É necessário refletir sobre os métodos de avaliação, sobre as componentes práticas e laboratoriais e vários outros fatores.

A iniciativa de mudança proposta pelo Presidente do IST é sem dúvida alguma algo positivo, contudo passar as cadeiras para regime semestral apenas irá permitir um relaxamento da carga de cada Unidade Curricular. O Técnico do futuro tem de ser muito mais do que isso, tem que ser uma escola onde se aposte na aprendizagem problem-based learning, a avaliação de futuros engenheiros não pode ser baseada em respostas de múltipla escolha ou de introdução de valor, apenas quando se valorizar o raciocínio teremos um ensino e uma avaliação que verdadeiramente potencia os seus estudantes.

António Jarmela,
Presidente da Direção da AEIST

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