As incertezas deste período infinitamente mutável e pouco previsível que vivemos não escapam a ninguém, acumulam-se em todas as frentes e apontam para a recorrente nuvem pré-apocalíptica de rumo desconhecido. Se ninguém nesta redacção pode apaziguar as mentes sobre o futuro financeiro, político ou social de Portugal ou do Mundo, nem tampouco dar respostas concretas sobre o nosso grande amigo comum COVID-19, resta-nos, de mão dada com o NinTec, reduzir o raio da nossa preocupação ao que nos une de facto.

Autoria: Diana Oliveira, MEEC (IST)


Cada um de nós sabe como a pandemia afectou, e continua a afectar, a sua dinâmica pessoal com o IST e tem uma maior ou menor ideia de como o afectou enquanto um todo, consoante a sua persistência em acompanhar as actualizações por correio electrónico do Professor Rogério Colaço. Estamos mais leves por o estado de emergência ter ficado para trás e readaptamo-nos à “calamidade” (apesar de, sejamos honestos, em nada soar melhor), enquanto muitos abrem os braços aos exames.

No entanto, há perguntas que permanecem e no dia 15 de Junho, o Zoom teve outro propósito que não aulas ou reuniões formais e serviu de palco para um debate organizado pelo Diferencial e pelo Núcleo de Investigadores do IST, o NInTec. Com a participação da Professora Raquel Aires Barros e o Professor Luís Oliveira e Silva, respectivamente presidentes dos Conselhos Pedagógico e Científico, o objectivo da conversa foi responder a algumas dessas perguntas, tanto para o Ensino como para a Investigação, na nossa Escola.

O fecho dos campi do IST, mesmo antes de ser declarado o estado de emergência, teve implicações colossais para os dois mundos, o Ensino e a Investigação, destacando-se, para o primeiro, a plataforma Zoom como a melhor solução para uma adaptação flexível, tanto para os alunos como para os docentes, e com resultados positivos. No caso da Investigação e do trabalho de dissertação, o consequente fecho dos laboratórios afectou sem norma as diferentes áreas, mas em nenhuma se considera que o trabalho tenha sido favorecido pelo distanciamento social. “Nem todas as pessoas estão na mesma situação”, afirmou o Professor Luís Oliveira e Silva, continuando que “não se pode ter ilusões das condições individuais e diferentes do ambiente de trabalho [e] não se pode ter grandes expectativas sobre um aumento de eficiência – o teletrabalho não é mais eficiente, tem componentes mais eficientes!”

Apesar dos resultados positivos, paralelamente, a Professora Raquel Aires Barros prosseguiu em explicar como as diversas componentes do Ensino foram afectadas. A componente teórica, que por norma tem uma natureza de menor interacção, foi dinamizada com a ajuda de questionários, principalmente, mas o mesmo não podia acontecer para as componentes prática e laboratorial, onde o elemento experimental foi perdido “mesmo quando esse vazio [foi] preenchido com simuladores, quando possível”. E, portanto, sobre a permanência dos modelos em vigor, o Professor Luís Oliveira e Silva relembra como a “componente presencial é crítica para a experiência dos professores e dos alunos numa universidade”, em que a sua renúncia põe em risco a própria instituição. As ferramentas usadas têm potencial para além dos seus problemas (como o muito debatido Zoom fatigue), mas “uma universidade é feita de encontro de pessoas”, sublinha, adicionando que o IST tem de se diferenciar de um curso online e potenciar interacções e contextos não formais, de onde, tantas vezes, também surgem ideias, de forma a conseguir valorizar-se e competir com instituições internacionais.

Não rejeitando, claro, que se continue a recorrer e a explorar as ferramentas auxiliares dos modelos em prática, para as quais a Professora Raquel Aires Barros afirma já terem havido formações opcionais de emergência com especial foco nas ferramentas de avaliação, ou que se continue a dar uso ao site SaRTRE, uma plataforma criada de partilha de aulas e conteúdo também em auxílio à pedagogia, por parte dos docentes. “O esforço dos professores e alunos para se adaptar é notável”, confirma.

Sendo imprevisível o seguimento desta situação, para o próximo semestre ter-se-ão três cenários prontos a pôr em prática, consoante o contexto: os dois extremos, campi abertos ou fechados, e o híbrido. Destes, apenas um se encontra por finalizar, o híbrido, o mais complexo e ainda em construção, equacionando-se, para cadeiras comuns e com muita adesão, recorrer a aulas gravadas, diminuindo a repetição de conteúdo, aulas teórico-práticas com menos alunos e mais projectos e trabalhos com grupos menores.

Para além destas impressões, em comentário às recentes reorientações de alguns grupos de investigação para reforço da resposta à pandemia (e também às alterações climáticas) e o afunilamento das prioridades científicas, o Professor Luís Oliveira e Silva afirma a necessidade de “fazer investigação de qualidade, para além de aplicada, para ajudar a gerir as grandes questões”, não sendo previsível o abandono dessa distinção, entre investigação com e sem qualidade, no IST. De igual forma, afirma não haver alterações vindouras na estratégia de contratação, sendo “fundamental dar perspectivas de carreira” aos docentes no IST, prevendo, no entanto, ser preciso “reforçar o financiamento”.

Este foi, resumidamente, o resultado do primeiro webinar organizado pelo Diferencial e o NInTec: cerca de uma hora de conversa com os presidentes do CP e do CC, com comentários e perguntas do público pelo Facebook e com potencial para mais. Vivemos uma altura incerta em que, para além da fome por distracção e entretenimento, há uma sede crónica por informação que ainda não existe necessariamente. Eventos futuros do género podem ajudar a preencher este vazio, saciando, mesmo que momentaneamente, essa sede (e quiçá essa fome também) e na tentativa de dar resposta às inquietações de cada um, a participação da comunidade IST é essencial.

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