Todo o princípio tem fim, todo o fim tem princípio; por muito distintos e até opostos que aparentem ser, estes conceitos surgem, quase paradoxalmente, como mutuamente dependentes.

Na atual edição, o Diferencial propôs o desafio de analisar esta dicotomia e a sua ubiquidade na existência humana nos seus diversos aspetos. O objetivo enunciado certamente nunca será alcançado: será inexequível delinear todas as vertentes da relação que o ser humano mantém com a inexorabilidade do destino – não seria esta talvez a questão que há mais tempo nos inquieta e continuará a inquietar, desde a génese da nossa espécie até ao nosso esperançosamente longínquo término. Tão complexa é a natureza de toda esta questão que se poderia argumentar que seria de uma certa arrogância afirmar que a conseguimos captar num breve conjunto de textos. Embora cientes deste paradigma, decidimos tentar.

Empenhámo-nos para evidenciar os princípios e os fins mais presentes nas nossas vidas nas circunstâncias académicas e sociais atuais. Desde a recente entrada de mais de um milhar de alunos no Instituto Superior Técnico à saída de muitos finalistas. Desde o início da pandemia até ao seu fim, ou até, pelo menos, ao chegar de uma nova normalidade. Desde o princípio da vida até à morte inevitável e à futilidade aparente das relações sociais.

Tentativas de relatar princípios e fins nas suas várias dimensões, bem como a linha que os une, é o que podem esperar deste agrupamento eclético de poesia e prosa.

Tomás Oliveira

P’la Direção do Diferencial

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