Autores: Daniela Marreiros (LEQ) e Inês Firmino (MeMec)
Com o objetivo de analisar as diferenças na organização dos serviços do Social e da Cantina Velha, o Diferencial entrou em contacto com os SASUL.
As cantinas dos SASUL, Serviços da Ação Social da Universidade de Lisboa, estão presentes de forma ativa na vida dos estudantes desta Universidade. Como são vários os pontos de divergência entre as mesmas, neste artigo faremos uma comparação entre a Cantina Velha, a cantina da Cidade Universitária, e a Cantina do Técnico (Alameda), por muitos conhecida como “Social” (como será referida).
Antes de mais, é de notar que a Cantina Velha é diretamente organizada e dirigida pelos SASUL, já o Social é regido por uma empresa privada, “Eat Dream Smile”.
Os horários de ambas as cantinas são bastante concordantes, com exceção de sábado, dia em que o Social é a única cantina dos SASUL aberta.
A Cantina Velha no ano letivo passado serviu cerca de 260 mil refeições, já o Social serviu apenas menos 13% de refeições.[3] A Cantina Velha inclui bar, snack-bar, a macrobiótica (opção vegetariana) e a linha, estes dois últimos são o que podemos aproximar à opção vegetariana e ao prato de peixe ou de carne do Social, respetivamente. É de notar que o IST acolhe cerca de 21% dos estudantes e docentes que compõem a UL. [4] [5]
O número de funcionários que trabalham na Cantina Velha é 42. Já o Social tem 17 funcionários.[3] Este conta com instalações para 3 filas de senhas e 3 filas para a distribuição de comida. No primeiro semestre às horas de almoço havia, por vezes, todas as filas abertas em simultâneo, depois passou a apenas duas filas para as senhas. Agora, geralmente, estão em funcionamento duas filas para as senhas e duas para a comida. Ao jantar apenas uma de cada.
Nas últimas semanas, as filas à hora de almoço têm sido prolongadas. Em alguns períodos de maior afluência, esteve disponível apenas uma fila para compra de senhas e duas estações de distribuição de comida (semana de 20-24 de abril).
Ao sábado, em dias com atividades como o Dia Aberto do Técnico, onde é expectável um aumento da afluência, foi mantida aberta apenas uma estação de distribuição de comida. Nessas situações, registaram-se tempos de espera elevados.
Ao jantar, em dias de MAPs envolvendo unidades curriculares com grande número de alunos, transversais a vários cursos, como o caso das cadeiras de base de Matemática não se verifica qualquer alteração à dinâmica previamente mencionada. Nesses períodos registam-se tempos de espera superiores a 30 minutos e, por vezes, indisponibilidade de alguns pratos antes do final do horário de serviço. Situações semelhantes também ocorrem em dias de menor afluência, particularmente após as 20h.
Em entrevista ao Diferencial, Pedro Simão, representando os SASUL, informou-nos que a perspetiva para maior afluência de alunos nas cantinas é de março a maio e de setembro a novembro. A abertura ou não das várias estações é gerida pela afluência, mas também pela capacidade das cantinas, “não interessa despachar muitas refeições porque a certa altura deixam de ter lugar para pousar o tabuleiro”, foi ainda referido que “aquela cantina [Velha] chega a ter uma rotação de três refeições por lugar”. Sendo assim, o entrevistado refletiu que “ou os vossos colegas comem muito depressa ou então se eu tenho as linhas todas abertas e estão a debitar tabuleiros em grande, há uma altura em que estão de tabuleiro na mão a olhar para as mesas […] é a diferença entre estar a esperar com o tabuleiro na mão e a comida a arrefecer ou estar a esperar na linha”.
As diferenças entre as duas cantinas irmãs, no entanto, não terminam por aqui. É verdade que a maioria dos estudantes que frequentam estes estabelecimentos não o fazem com a sua ementa em mente…É uma opção que apesar de amada ou odiada oferece refeições confeccionadas no local a preços bastante acessíveis. Refeições estas, em princípio, mais nutritivas que as outras contrapartidas económicas, como os salgados do Pingo Doce Express. É aqui que é encontrada uma vez mais disparidades entre as cantinas: enquanto a Cantina Velha dispõe de uma ementa armada de todas as informações nutricionais e ingredientes que compõem os pratos daquele dia, isto não ocorre no Social.


De relance, este reparo, parece pura melindragem, contudo mesmo que apenas uma pequena percentagem da população faça uso de textos em braille, percebe-se o porquê da sua necessidade existencial. Pessoas com necessidades nutricionais específicas ou com intolerâncias, ao saberem tudo o que a sua refeição contém, podem tomar a decisão adequada. Em entrevista com os SASUL, as respostas relativamente às quantidades proporcionadas aos estudantes em cada cantina foram de certo modo contraditórias. Foi-nos contada uma situação que tomou lugar na Cantina Velha, “Um mocinho, […] comeu assim, uma montanha de esparguete, e depois foi pedir um reforço, e a senhora na linha perguntou
«Mas tu comes bem?», [o rapaz responde] «Eu como». E ela foi [pôr] mais outra montanha de esparguete”. Esta história foi contada como um reparo que apesar das cantinas SAS terem instruções para servirem um prato não muito cheio, se o aluno sentir que precisará de mais, pode pedir um reforço. Hipoteticamente, no Social, este reforço, passa de uma segunda montanha de esparguete para “Mas um reforço não é um prato completo. Um reforço é mais um bocadinho de arroz, um bocadinho de esparguete […]”.
Fica claro que estas irmãs sofrem com o divórcio dos pais, uma na guarda dos SASUL, a outra deixada ao encargo da empresa privada Eat Dream Smile, o que levanta a pergunta: Se algo corre bem num lado, porque não copiar exatamente essas condições se o objetivo é recriá-lo? No fim de contas, a loucura é fazer algo igual duas vezes e esperar algo diferente.
Referências:
[1]- https://www.sas.ulisboa.pt/unidade-alimentar-cantina-velha (acedido pela última vez a 11/05/2026)
[2]- https://www.sas.ulisboa.pt/unidade-alimentar-tecnico-alameda (acedido pela última vez a 11/05/2026)
[3] – Dados fornecidos pelos SASUL
[4]- https://tecnico.ulisboa.pt/pt/sobre-o-tecnico/ (acedido pela última vez a 19/05/2026)
[5]- https://www.ulisboa.pt/sobre-nos (acedido pela última vez a 19/05/2026)




