Tomada de posse dos novos órgãos da AEIST

Após as últimas eleições para a AEIST, assistiu-se no dia 14 de novembro à cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais. Nesta intervieram o presidente cessante Rodrigo do Ó, o presidente do IST Prof. Arlindo Oliveira e, finalmente, o novo Presidente da AEIST João Silva.

Começou com uma intervenção do presidente cessante Rodrigo Do Ó, na qual reflectiu sobre o ano e meio em que esteve à frente da AEIST. Destacou o facto de se ter tratado de uma equipa composta por pessoas que nunca tinham ocupado cargos na AEIST até àquele momento, tendo como principal objectivo a implementação de uma gestão financeira responsável. Ainda que, aos seus olhos, os primeiros seis meses tenham sido atribulados, destaca o trabalho realizado: a produção própria de folhas de teste, o fecho das piscinas e a realização de eventos como o Arraial do Técnico, que foram bem sucedidos e constituíram exercícios financeiros positivos. Um dos pontos que, segundo o presidente cessante, marca o anterior mandato é a alteração dos estatutos do aluno através de debates, uma campanha intensa e um referendo final no qual participaram 2400 alunos, tendo sido aprovada a alteração. A acabar, voltou-se mais para o panorama internacional, onde criticou a onda de xenofobia, racismo e isolacionismo intensificada pelos últimos eventos, tais como o Brexit e as eleições nos EUA. A nível nacional, afirmou que é importante pressionar os governos e políticos para produzir alterações ao nível do ensino, remodelando disciplinas como Formação Cívica para educar as crianças sobre os valores da democracia e estendendo programas deste género ao resto da população, e lutar por uma economia que não coloque em causa o ambiente e ao mesmo tempo fomente a criação de emprego não precário.

De seguida falou o presidente do Técnico, professor Arlindo Oliveira, que apontou alguns dos pontos mais importantes em que a AEIST, do seu ponto de vista, se deve focar. Primeiro, o alheamento dos alunos pelas causas políticas e sociais. É fundamental atraí-los e encorajar uma participação mais activa, acabando com a falta de representatividade de toda a comunidade no debate de ideias e problemas que por agora é apenas feito pelas elites. Como segundo ponto, refere ainda que a AEIST não pode estar apenas focada em fazer bons eventos como o Arraial do Técnico. É fundamental que se adapte aos novos tempos, onde as novas tecnologias levam a alterações da relevância e utilidade de funções que a AE costumava exercer. Olhando para o mandato anterior, elogiou a capacidade demonstrada em sanear o grave problema financeiro da AEIST, manifestando disponibilidade para trabalhar em conjunto para decidir como dar bom uso ao património desta, mais concretamente, às piscinas fechadas, mas também a outros espaços inutilizados.

Por fim, João Silva, o novo presidente da AEIST, prometeu continuar o projecto iniciado pela direcção anterior, fazendo uma gestão eficiente e responsável dos recursos e defendendo ao mesmo tempo os interesses dos alunos. Um ponto que destacou que tem de ser prontamente resolvido é a falta de espaços de estudo, alavancando que é necessário aproveitar melhor os espaços existentes, bem como procurar novas opções. Defende um diálogo e colaboração com os diversos grupos de estudantes, prometendo fazer do Fórum AEIST uma realidade durante o seu mandato para tornar esta cooperação mais eficaz. Falou também da necessidade da AEIST se aproximar das residências de estudantes e das suas comissões. Para finalizar, prometeu que a AEIST continuará a ter um papel preponderante no movimento associativo estudantil a nível nacional.

Grande Entrevista: Arlindo Oliveira

(esta é a versão na íntegra da entrevista publicada na edição impressa de Novembro de 2016)

Ao fundo do corredor do Conselho de Gestão, o professor Arlindo Oliveira, Presidente do Técnico, recebeu-nos no seu gabinete para uma entrevista descontraída e sem formalidades. Nesta conversa pragmática e de “engenheiros” foram discutidos vários temas relevantes aos alunos e comunidade académica, desde o processo de transição do aluno para o ensino superior até aos desafios futuros do Técnico. No fim, ainda houve fotografias, em que a confiança do professor nos dotes do Gonçalo o levou a dizer “vê lá se me apanhas aí mais direito, que eu estou um bocado torto”.

 


 

Diferencial: Quais foram as razões que o levaram a decidir-se por um curso nesta instituição? Sabia que era isto que queria?arl2pbb

Alindo Oliveira: Já sabia, eu gostava muito de computadores, na altura usava um ZX Spectrum, portanto
na altura foi muito fácil escolher engenharia Electrotécnica e de Computadores.

Durante a sua vida estudantil chegou a participar em associações ou grupos de estudantes?

Não tive uma vida muita activa nos grupos de estudantes, porque também comecei a trabalhar cedo. Entrei no 3º ano para o laboratório no INESC e a partir daí fiz actividades de investigação e desenvolvimento. Na altura também jogava xadrez, que me ocupava um bocado do resto do tempo. Devo ter ido a algumas actividades, mas não estive directamente envolvido. Também na altura não havia tantos núcleos com há agora.

Que tipo de hobbies gosta de praticar no tempo livre?

Eu não tenho assim muito tempo livre, mas jogo ténis e paddle quando posso. Faço jogging uma vez por outra e ski no inverno, quando posso. Já não jogo xadrez, mas quando era novo jogava muito a sério. Agora, volta e meia faço uma perninha no xadrez.

A entrada para o ensino superior é um momento marcante na vida de um estudante. Acha que as escolas secundárias são eficazes nesse processo de transição?

Não sei se as escolas secundárias ajudam muito. Por exemplo, na das minhas filhas os alunos tiveram a oportunidade de visitar universidades, mas acho que é difícil para muitos jovens saber o que que querem quando estão no 12º ano. Eu não sei o que é que podiam fazer para além de algumas alterações.

“[O processo de transição] depende muito de os jovens terem ideias definidas e hoje em dia se calhar têm cada vez menos.”

Por exemplo, a cadeira de Informática podia ter uma componente maior de programação, os laboratórios podiam incluir um pouco de electrónica, mas expor os alunos a outras disciplinas é mais difícil. Estou a pensar em Engenharia Civil, por exemplo. Depende muito de os jovens terem ideias definidas e hoje em dia se calhar têm cada vez menos.

E quanto ao papel do Técnico neste processo?

Acho que aqui eles aprendem rapidamente. Ao fim de um semestre já perceberam bem o que é o curso, não totalmente, porque ainda têm uma carga grande de Matemática e Física, mas existem pelo menos uma ou duas disciplinas no primeiro ano que dão uma boa ideia do que os alunos vão estudar no futuro. Além disso, têm alguma liberdade para mudar (de curso).

Se a chegada à universidade é um ponto fulcral na vida de um estudante, outro é a saída deste meio e a entrada no mercado de trabalho. Como encarou essa fase?

Na altura entrava-se para a carreira de docente como assistente, logo quando se acabava a licenciatura até. Eu na altura tinha-me candidatado para assistente, tinha sido um dos melhores alunos do meu curso, e decidi seguir a carreira académica, que implica o doutoramento. Quis fazer o doutoramento nos EUA, concorri a algumas universidades, entrei numas e não entrei noutras, e acabei depois por ir para Berkeley. Na altura não tive grande dúvida, porque também já estava na carreira académica.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior Manuel Heitor considerou a Praxe uma “prática fascizante” e apelou tanto aos dirigentes académicos como aos representantes dos alunos que acabassem com a Praxe, substituindo-a por actividades com vista à integração do aluno na comunidade académica. Qual é a posição do Técnico em relação a este tema?

Concordo com o ministro no que respeita aos casos em que a Praxe é de alguma maneira humilhante, feita de forma a baixar a auto-estima dos alunos. Eu acho que a recepção aos alunos tal como é feita no Técnico, que foge muito a esse tipo de Praxe humilhante, tem os seus lados positivos, embora por vezes se excedam um bocado. São todos jovens…

“Acho que a recepção feita no Técnico é uma coisa positiva de que a maior parte dos alunos gosta, e aqueles que não gostam não têm qualquer pressão para participar.”

Eu tive duas filhas que entraram aqui e até gostaram dessas cerimónias de recepção. Acho que a recepção feita no Técnico é uma coisa positiva de que a maior parte dos alunos gosta, e aqueles que não gostam não têm qualquer pressão para participar.

Quais são as áreas da Engenharia que acha que se estão a expandir actualmente?

Acho que a área da interface entre as tecnologias de informação e comunicação, electrónica, informática, biomédica e biologia, física e nanotecnologia vai ter um grande desenvolvimento nas próximas décadas. Assiste-se também neste momento a um grande interesse noutras áreas que não estão muito relacionadas com esta, nomeadamente as áreas do espaço e da energia e ambiente. Todas estas áreas têm relações com outras como a Engenharia Mecânica, que está a ter grandes desenvolvimentos, um bocado por força da electrónica e da computação.

Este ano lectivo é marcado por uma alteração de paradigma ao nível das médias de entrada. Isto representa uma aposta dos jovens na instituição e a fé de que uma formação nestas Engenharias constitui uma mais-valia. Como vai responder o Técnico a este crescente nível de exigência e expectativa?

Havia já uma tendência, a média dos nossos cursos (Engenharia Aeroespacial e Física Tecnológica) estava a subir e a de Medicina a descer devagar. Há também outros cursos do Técnico, como Matemática e Engenharia Biomédica, que ficaram com médias muito altas. Isso mostra que a Engenharia é uma disciplina atraente neste momento para os jovens e que existe também algum desânimo com a Medicina. É verdade que coloca uma maior responsabilidade, mas temos vindo a crescer e isto já tem muitos anos. Tenho a certeza de que continuaremos a ter cursos com médias muito altas e com alunos muito bons.

Qual é a sua perspectiva relativamente às novas tendências de e-learning face a um ensino mais tradicional?

Acho que relativamente a essas tendências, onde se incluem os MOOCs (Massive Online Open Courses), se tenha exagerado um bocado na velocidade e no impacto com que vão entrar no ensino superior. Nós olhamos à volta para o MIT, CMU, Berkeley, etc., e continua a haver muitas aulas no formato clássico, embora haja já algumas nesse formato. Não é uma coisa que acontece de um momento para o outro, tal como não acontece que toda a gente deixa de vir à universidade e são só MOOCs para todos.

“Não faz muito sentido termos uma aula teórica a ser dada por um professor e gravar a aula inteira, quando os alunos podem ver um vídeo de um professor muito mais interessante e resolver exercícios em casa.”

No entanto, não acontecendo de um momento para o outro, acho que é uma tendência que nós temos de seguir, porque, com tudo o que há na Web e ao nível de aplicações móveis, com as imensas maneiras que há de aprender agora, não faz muito sentido termos uma aula teórica a ser dada por um professor e gravar a aula inteira, quando os alunos podem ver um vídeo de um professor muito mais interessante e resolver exercícios em casa. Acho que nos temos de adaptar progressivamente. Não há justificação para haver más aulas, as aulas deviam ser todas boas, mas se não há condições para que todas sejam boas, se calhar mais vale que estas sejam vistas em casa e que na universidade sejam mais interactivas. Também obriga à alteração dos hábitos dos alunos, que não estão habituados a vir para cá já com o material preparado. Nós vamos agora lançar alguns MOOCs e isto é um passo nessa direcção.

Então esse foi o único passo dado até agora nesse sentido?

Não foi o único, há algumas cadeiras que estão a funcionar em regimes alternativos, mais experimentais, pelo menos no Taguspark.

Uma realidade que afecta grande parte dos estudantes do Técnico é a dificuldade em encontrar um espaço para estudar e trabalhar. É público que há em vista a construção do Técnico Learning Center na antiga gare do Arco do Cego, mas esse é um projecto a longo prazo…

Não é muito a longo prazo, nós queremos iniciar a construção no princípio de 2017 e acabar em menos de dois anos. Neste momento, temos tudo preparado para lançar o concurso este ano. Acho que vai ser um espaço que poderá funcionar em adição a este (Espaço24). Há outros espaços que nós estamos a tentar recuperar para dar melhores condições aos alunos.

Aarlindocores que espaços se refere?

Estamos a pensar qual é a melhor função a dar à piscina, que neste momento está fechada e que provavelmente não vale a pena recuperar.

Existem algumas salas e infraestruturas que apenas podem ser acedidas por alunos de cursos que pertencem a certos departamentos, o que leva a que os alunos tenham uma experiência diferente em termos de qualidade. O que acha desta situação?

A gestão de espaços no Técnico é uma das coisas mais difíceis. Existem de facto alguns cursos mais pequenos que conseguem gerir um pouco melhor os seus espaços e ter algumas salas. Não sei se elas estão completamente reservadas para eles. A nossa ideia é criar boas condições para todos e também pretendemos fazer outra coisa: criar espaços onde os alunos de diferentes cursos estejam juntos para aprenderem uns com os outros, trocarem experiências, fazerem projectos. O Learning Center, além do Espaço24, vai ter espaços para este tipo de colaboração. Aquilo que posso dizer é que também não vale a pena ir piorar as condições de alguns cursos que se calhar têm as condições que todos os cursos deviam ter. A minha esperança é que melhorando as condições globais se elimine um bocado essa assimetria que eu até aceito que haja.

No passado referiu que existia uma disparidade brutal ao nível do salário de um engenheiro no primeiro emprego entre estados da UE. Acha que está a aumentar?

Até pode ser que esteja estável, mas continua a ser grande. Falamos de um factor de 2 ou 3 para a Alemanha e 5 para a Suíça. Os salários em Portugal não têm aumentado e isso causa uma pressão competitiva que é difícil para Portugal, porque há muitos engenheiros que decidem ir para esses países e isso constitui uma preocupação. No entanto, para os engenheiros que não querem sair do país, é um factor competitivo importante. Há muitas empresas a quererem estabelecer-se aqui porque a mão-de-obra de engenharia é mais barata. Ainda agora cheguei de Silicon Valley, onde há várias empresas portuguesas que têm lá o CEO e o departamento de vendas, enquanto toda a equipa de engenharia está em Portugal, nomeadamente em Lisboa e no Porto. Lá, um engenheiro custa à volta de 150 m€ anuais, aqui se for 50 m€ por ano já é um bom salário. Há coisas boas e coisas más.

Tendo em conta o papel das instituições de ensino superior no desenvolvimento da sociedade, o que podem fazer para combater esta realidade e melhorar as perspectivas profissionais dos engenheiros que pretendam trabalhar em Portugal?

Eu tenho andado a pensar bastante nisso. Porque é que em Portugal um engenheiro ganha menos do que na Alemanha ou em Silicon Valley? Porque estas outras sociedades como um todo são mais ricas. Ou seja, um engenheiro lá ganha mais, mas o mesmo é verdade para um professor, por exemplo. Apesar de tudo, o salário de um engenheiro em Portugal não é mau comparado com o salário médio nacional.

“Para aumentar a riqueza geral do país é preciso exportarmos mais e isso implica que tenhamos mais tecnologia (…) O grande valor acrescentado está nas empresas tecnológicas.”

Porque é que este não é mais alto? Não se pode aumentar por decreto como querem os sindicatos. Para aumentar a riqueza geral do país é preciso exportarmos mais e isso implica que tenhamos mais tecnologia, porque neste momento o que se exporta são produtos de metalurgia, biotecnologia, agricultura e pouco mais. O grande valor acrescentado está nas empresas tecnológicas. É necessário criar empresas que exportem mais. Isto é uma coisa que não tem corrido bem, nas últimas décadas não temos crescido quase nada. Penso que neste momento há alguns bons indícios, temos muitas startups, temos empresas de natureza tecnológica já com alguma dimensão. Também temos algumas preocupações, o sistema bancário está muito mal, o sistema industrial também não está como devia estar, mas nós não temos nenhuma mágica.

Passemos à questão da autonomia das universidades. No último orçamento de estado, as universidades ganharam alguma autonomia…

Quase nada, aquilo foi uma coisa muito pequena…

Então diga-me como tem visto a relação entre universidades e o estado.

Nós não temos mais autonomia, o Estado dá-nos um orçamento de 50 M€ e depois não nos deixam fazer nada com esse dinheiro. Não podemos contratar e, quando se compra qualquer coisa, tem de se ir à eSPap (Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública). Dêem o dinheiro que têm, não é muito, o país é pobrezinho, tudo bem. Mas não nos chateiem, deixem-nos gerir esse dinheiro.

“O Estado dá-nos um orçamento um orçamento de 50 M€ e depois não nos deixam fazer nada com esse dinheiro (…) Dêem o dinheiro que têm, não é muito, o país é pobrezinho, tudo bem. Mas não nos chateiem, deixem-nos gerir esse dinheiro.”

Porque existe essa desconfiança?

Porque outros serviços do Estado têm de ser muito bem controlados. Nesses serviços, se se meterem mais pessoas depois tem de se meter lá o dinheiro para pagá-las. As universidades não são assim, não recebem pelas pessoas que têm, recebem pelos alunos que formam. Devem ter total liberdade de fazer o que querem com o dinheiro, naturalmente fazendo concursos públicos para as posições de pessoal, etc. É uma coisa difícil de mudar, porque o Estado continua a olhar para as universidades como repartições públicas. A semana passada estava a ouvir o presidente de Cambridge a dizer que há duas coisas que a universidade precisa: public trust, ou seja, que as pessoas confiem na universidade, e isso já vimos que as universidades e o Técnico, em particular, têm. Depois, de autonomia. O public trust nós conseguimos, a autonomia só quando os legisladores mudarem.

“Há duas coisas que a universidade precisa: public trust, ou seja, que as pessoas confiem na universidade (…) e autonomia. [A primeira] nós conseguimos, a autonomia só quando os legisladores mudarem. “

Qual é a direcção que o Técnico deve tomar nos próximos 10 anos?

Estamos a tentar reforçar as ligações com a sociedade e com as empresas. Temos o programa de Parcerias Empresariais que está agora a ser criado com a comunidade Alumni. Queremos em geral reforçar a transferência de tecnologia e a capacidade de criar empresas e startups. Também queremos internacionalizar mais o corpo docente e os alunos, eventualmente evoluindo para um ensino cada vez mais em inglês ao nível do 2º e 3º ciclos. Há obviamente o desafio orçamental, onde vamos continuar a lutar por outras fontes de financiamento.

Texto – Miguel Martinho

Fotografia – Gonçalo Ferreira

*Este texto não segue o novo acordo ortográfico

Entrevista João Silva – Candidato à Presidência da AEIST

O Diferencial entrevistou a três dias das eleições João Silva, o único candidato à Presidência da AEIST.

João Silva é o actual Coordenador de Gestão e Serviços da AEIST e cabeça da Lista E,  figurando assim uma proposta para a continuidade da lista que finda o mandato.

 

Em seguimento da entrevista com o Presidente cessante, na qual foi admitido que tem de haver uma política de sustentabilidade e responsabilidade orçamental, qual é o vosso plano orçamental para o próximo ano?

Primeiro, é preciso dizer que a dívida foi abatida em 20% neste mandato, o que significa que já temos uma folga um pouco maior do que a do mandato anterior.  Isto não significa que podemos fazer tudo o que quisermos, o objectivo é ir pagando com responsabilidade os planos de pagamento que estão em dia e que têm de ser pagos, fazendo face às despesas que temos. No entanto queremos sempre, e dentro das possibilidades, melhorar ao máximo todas as condições que temos enquanto associação e todos os serviços que fornecemos aos alunos. Como exemplo, posso dizer que a situação dos microondas é uma das situações que estamos a analisar, até para rever o nosso espaço de alimentação, e que estamos a tentar que seja melhorada sem gastos, através de uma parceria ou patrocínio. No entanto, se chegarmos ao caso em que temos de gastar dinheiro, será em prol dos alunos e é o que faremos. Temos de ter noção que não podemos fazer nada megalómano, porque estamos sempre numa posição complicada.

 

Tens em mente algum valor ou percentagem do passivo que tencionam abater até ao final do mandato?   

Nesse campo não temos uma percentagem definida, simplesmente porque não sabemos que coisas podem vir a acontecer no futuro. No entanto, querendo continuar nesse caminho [de sustentabilidade e responsabilidade], talvez a meta dos 20% fosse uma boa meta a atingir.

 

Relativamente à Piscina da AEIST, esta foi encerrada e a última informação publicada foi que estavam a decorrer conversas entre o Conselho de Gestão (CG) e a AEIST. Vai haver algum investimento? Tencionam abrir o espaço novamente este ano? Qual é o uso que tencionam dar ao espaço?

 

A piscina, como foi referido na entrevista ao Rodrigo, para voltar a abrir enquanto piscina, teria de ter obras muito profundas e isso é um investimento que a Associação não consegue fazer. Toda a canalização teria de ser substituída. Além disso, a piscina não é rentável no seu funcionamento normal. Temos de ter em conta que à volta temos concorrência, com melhores condições e preços competitivos. Nem a piscina no seu máximo funcionamento seria rentável para a AE.

Sim, o que está em causa é se a piscina voltará a ser usada como piscina ou se esse plano foi completamente abandonado, a longo ou a curto prazo. A forma de utilização do espaço está indefinida. Com este novo mandato, qual é a tua decisão ou plano para a piscina?

Na minha perspectiva, a perspectiva de quem acompanhou este mandato [como Coordenador de Gestão e Serviços], a piscina enquanto piscina, no Técnico, é uma coisa que tem os dias contados. Como tal, o objectivo seria transformar aquele espaço noutro equipamento com funcionalidade diferente. No entanto, é um investimento que a AE não consegue fazer neste momento. Existem as tais conversações com o CG para saber o que podemos fazer e, neste momento, estamos à espera que o CG avance. Já apresentámos o nosso projecto.

Em que consiste esse projecto?

Implica uma remodelação do espaço da piscina no sentido de ficarmos com um centro de estudos, com algumas salas para os Núcleos e espaço de salas de reunião para as Secções Autónomas.

 

No vosso programa, na rubrica de Administração, há um plano para “Incremento de Recursos na Secção de Folhas” (SF). Em que consiste esse plano?

A SF funciona como venda de sebentas e fotocópias, e o objectivo é aumentar o portfólio de material que se pode vender. Têm decorrido algumas conversas com empresas para podermos vender material informático e computadores, e já temos actividade aberta nas Finanças para que isso aconteça. Pretendemos ainda aumentar o portfólio de material escolar e de escritório para que os alunos tenham uma oferta mais variada.

 

Qual é o sentido da tua candidatura?

Acho que nem vale a pena estar a referir o passado da mais antiga e maior associação de estudantes do País, o que acarreta uma grande responsabilidade. O meu objectivo primário é melhorar a situação em que a AE se encontra, relativamente ao seu passivo, através de uma política de responsabilidade e de gestão consciente. Além disso, espero conseguir que os alunos se aproximem da AE. Noto que há uma grande distância entre os alunos e a AEIST e quero que, durante este mandato, haja abertura para que os alunos se dirijam à AE por todo e qualquer problema que tenham, pois a AE é o orgão que os deve representar e defender.

A proposta do Fórum AEIST serve para complementar esse sentido? É suposto ser aberto aos vários Núcleos e Grupos de estudantes? É suposto ser uma plataforma entre Núcleos ou entre Núcleos e a AEIST?

O Fórum AEIST é uma proposta que já vem de há muito tempo e ainda não pôde ser realizada. Para isso queremos ter uma plataforma de diálogo mais próxima e mais rápida, de modo a que os Núcleos possam, por exemplo, reservar salas directamente com a Associação, visto que actualmente não podem. Queremos ter uma relação próxima com os Núcleos e queremos que a relação com os mesmos seja formalizada, e desta forma será mais fácil. Queremos estar a trabalhar com os Núcleos agora, e pode acontecer que uma próxima direcção não tenha essa filosofia e não queira trabalhar nessa forma. Queremos protocolar as relações entre as duas partes, com um espírito de vantagem para os dois lados.

Piscinas encerradas por tempo indeterminado

Este artigo é uma republicação da edição impressa de Novembro de 2015.

“Reabertura é um prejuízo que não podemos suportar até arranjar investimento para renovar as instalações” esclarece Rodrigo Barbosa, presidente da AEIST. O funcionamento e manutenção das piscinas são um prejuízo que a AE afirma não poder suportar neste momento e acrescenta que, sem soluções que viabilizem a abertura da piscina e sem um plano de marketing para atrair pessoas, as coisas não podem rearrancar.

Ao que consta, o mapa de utilização da piscina na posse da AE parece indicar que esta carece de utilização; um argumento adicional para o encerramento das mesmas. Rodrigo Barbosa explica que a concorrência é grande e que, ainda por cima, o comprimento da piscina (24,9 metros) fica 10 centímetros aquém do mandatório para poder albergar provas desportivas oficiais. Ainda assim, convém relembrar que, parte dos utentes, aqueles que tinham comprado entrada nas piscinas e delas não puderam usufruir, ainda não viu reembolsado o dinheiro usado na compra.

O último suspiro do complexo aquático deu-se aquando da visita da Direcção Geral de Saúde, em meados de Fevereiro de 2015. A inspecção acusou a necessidade de obras avultadas num futuro muito próximo, sem as quais a piscina não poderia continuar aberta. Perante a possibilidade de evitar algum do prejuízo que advém do seu funcionamento e antecipando o inevitável encerramento, a direcção da AEIST de 2014/2015 optou por, de forma inesperada para os utentes, encerrar o complexo.

Já no ano lectivo de 2015/2016, a nova direcção da AEIST, após concluir que não dispunha das verbas necessárias para a renovação dos equipamentos da piscina, contactou o Conselho de Gestão (CG) expondo o problema. A possibilidade de encerrar definitivamente as instalações e dar uma nova utilização ao espaço, que chegou a estar em cima da mesa, parece não agradar ao CG. Rogério Colaço, Professor e Vice-Presidente do IST, recorda os tempos em que ainda se faziam praxes na piscina e sublinha o valor histórico e tradicional do complexo aquático do Técnico, um dos poucos no país situado dentro de uma Universidade. Complexo esse que serviu durante muitos anos as necessidades dos seus estudantes e se tornou parte da memória do nosso Instituto. O Vice-Presidente esclarece que “até ao final do ano, o Técnico vai tentar perceber o que se pode fazer da piscina” e, referindo-se à utilização do espaço para outros fins, pediu à associação “que não torne já o processo irreversível”. Até ao final deste ano lectivo, o CG vai explorar alternativas para obter financiamento, entre elas tentar encaixar financeiramente o problema no orçamento da Universidade de Lisboa.

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A piscina passa assim a integrar o lote das instalações que não foram poupadas pela tão infame crise que assolou as universidades do nosso país. A estrutura está velhinha e precisa de obras de remodelação. Não será de admirar, tendo em conta que já lá se nadava na década de 40! Mas atenção, banhos só no Verão. No Inverno os custos do aquecimento eram incomportáveis e as instalações encerravam. Por força da necessidade, ou talvez apenas por agilidade de pensamento, não tardou até que alguém sugerisse utilizar o espaço, sazonalmente desocupado, para outros fins. Foi quando o Técnico adquiriu um estrado de madeira para cobrir a área da piscina, que se transformou numa sala polivalente onde chegaram a decorrer assembleias de alunos, reuniões informais e até mesmo exames! Num trabalho intitulado “Dinâmicas Estudantis, Mónica Maurício, reúne relatos de antigos estudantes que contam como algumas provas, coincidindo com a data de uma importante reunião da NATO realizada no campus, tiveram de decorrer em mesas e cadeiras improvisadas, em cima do dito estrado. Tudo porque simplesmente não havia salas disponíveis.

Entretanto, prevê-se que o hiato se prolongue indefinidamente, uma vez que, ainda que Poseidon decida encher de novo o Grande Tanque do Técnico, e tal pode nunca mais vir a acontecer, ainda é preciso fazer-se as ditas obras.

É caso para olhar para o passado e talvez colocar a questão: onde anda o estrado de madeira?

Entrevista Rodrigo do Ó – Presidente Cessante da AEIST

Entrevista ao Presidente cessante da AEIST, em Abril de 2016

 

Uma das principais decisões da direção da AEIST este ano foi publicar na Assembleia Geral de Alunos (AGA) o valor do passivo da AEIST, 415.000€. Qual é o contexto desta dívida? Há quanto tempo começou a ser contraída?

Apesar de termos tido uma perspetiva totalmente diferente da tida anteriormente, eu consigo compreender que, em ocasiões passadas, não se tenha exposto abertamente esta situação, visto ser chocante e fraturante termos chegado a este ponto. No entanto, achámos, tendo em conta o passivo existente, que os estudantes iam compreender pelo menos o porquê da associação não conseguir fazer o mesmo tipo de atividades que fazia antigamente.

Não consigo precisar quando é que esta dívida começou a ser contraída, em grande parte porque foi gerida durante muito tempo. Houve bastante tempo para agir, contudo, era, e é, precisa abertura por parte das várias direções para se perceber que há mudanças a fazer e tendo mandatos tão curtos, de um ano ou dois, torna-se difícil realizar mudanças profundas. Se se for gerindo, vai-se acumulando sempre mais, embora tenham ocorrido flutuações entre crescimento e mitigação de dívida. Para estas flutuações terminarem seria necessária, durante uma série de anos, a existência de uma política, não digo de contingência, mas de responsabilidade e sustentabilidade. Acho que a maneira real como se tem de olhar para uma associação de estudantes é, por um lado, numa perspectiva empresarial e, por outro, numa perspectiva de associação. E a parte empresarial, com todas as actividades correntes, tem de ser no mínimo sustentável e, preferencialmente, lucrativa, de modo a financiar a perspetiva da associação.

 

-Na estrutura da AEIST o Conselho Fiscal (CF), que supostamente deve confirmar e dar o seu parecer sobre os relatórios de contas, não resultou. Não se deveria ponderar uma correção da estrutura da AEIST? Porque é o CF não foi eficaz ao longo deste tempo?

O que eu penso é que não deve haver um acerto à estrutura mas sim um acerto de mentalidades, mais concretamente de como nós gerimos a situação. Analisando a situação de forma simples, o CF recebe o plano de actividades e orçamento no início do ano e, no fim, pede o relatório das respetivas atividades e despesas. No entanto, há muitas medidas tomadas que não têm necessariamente repercussões imediatamente visíveis. Desta forma, há coisas que podem passar despercebidas ao CF ou à direção.

Uma sugestão que deixo aqui, para aqueles que vierem a seguir, é a realização de relatórios de contas trimestrais, de modo a melhor se compreender a evolução durante os mandatos.

 

Outro problema que também pode ser identificado é que, sendo o CF eleito democraticamente, ser recorrente existirem listas com candidaturas paralelas à presidência e aos órgãos de controlo, o que pode retirar alguma imparcialidade ao CF. Não há também a possibilidade de alterar a forma de eleição? Elegendo o cargo num regime menos transitório ou com imparcialidade mais definida, recorrendo, por exemplo, ao Conselho de Gestão do Técnico (CG)?

Antes de responder, discordo completamente que o CG tenha algo a ver com a AEIST e acho que tem de ser uma máxima, que algumas vezes tem sido esquecida, o facto de a AEIST ser completamente independente do CG para que, assim, possa defender bem os direitos dos alunos.

Quanto à questão das candidaturas paralelas, não acho que isso seja necessariamente um problema, pois não implica que não exista profissionalismo. De facto, a minha lista de CF foi constituída por pessoas que já tinham pertencido a mandatos anteriores, enquanto a minha lista de direção era composta por 95% de pessoas novas, não foi uma lista de continuidade. A candidatura para o CF era constituída por pessoas do mandato anterior e de outras abrangências do técnico, com perspetiva de querer nesse órgão pessoas que não tivessem problemas em questionar-me. Não quer isto dizer que não aconteça tomar-se uma decisão errada, visto estarmos tão envolvidos no meio em que estamos a trabalhar.

Sim, essa responsabilidade também não é só de quem se está a candidatar mas, deve ser responsabilidade dos alunos ou da estrutura democrática…

Sim, se houvessem mais listas, mas isto remete para outro problema que é a participação dos estudantes na vida associativa ou governativa, que é mais preocupante.

 

Continuando no âmbito financeiro da AEIST, na AGA deste ano foram referidos os balanços dos 2 últimos anos letivos, sendo estes negativos, de 150 mil euros em 2014 e 40 mil euros em 2015. Este ano, já se consegue dizer se em Maio o balanço será positivo?

Existiram várias nuances em 2014 devido ao projecto Copypoint, que teve um investimento grande, mas não foi essa a única razão. Estamos a falar de uma situação de crise económica e a AEIST é sustentada por apoios do IPDJ, da CML e do Técnico, que também tiveram as suas estruturas reduzidas e cujos apoios foram cortados. Julgo ter sido uma das nossas principais vulnerabilidades.

Enquanto o ano não acabar efectivamente, não te posso avançar se vamos ter lucro ou não, nem te consigo adiantar valores. Mas posso avançar-te que ainda estamos com resultado positivo e abatemos 20% do nosso passivo, o que já é bastante bom. Nesta cadência, ainda vamos demorar 4 anos até estarmos completamente sustentáveis.

 

A piscina da AEIST, tinha sido encerrada em fevereiro de 2015, o vosso plano é reabilitar a piscina fazendo uma parceria com o técnico? Qual é esse plano?

A piscina foi encerrada na altura por uma questão de segurança, mas foi nos entregue no inicio do mandato já com capacidade  de ser aberta, a decisão de não a abrir foi minha. Mesmo na altura em que a piscina funcionava em pleno, tínhamos prejuízos mensais a rondar os 6 mil euros. As dimensões da piscina tornaram-se uma limitação, só tem 4 pistas de 25 metros de comprimento, e tornam-na inviável, porque a piscina costumava estar cheia. Como não é possível expandir a piscina e abriu muita concorrência recentemente à nossa volta, que pratica preços muitos baixos, é difícil mantermos o nosso género de mercado. A hipótese alternativa, que seria renovar um pavilhão de 1937 para condições exuberantes, para se poderem aplicar preços mais altos, implicaria uma exuberância de dinheiro também, que não é oportuna.

Depois de tomada esta decisão, surgiu a necessidade de revermos o que podemos fazer com a piscina, tivemos reuniões com o CG do Técnico e com a reitoria da Universidade de Lisboa. Há várias possibilidades a ser discutidas e vamos analisar em breve, com arquitetos indicados pelo Técnico e com o vice-presidente da Gestão de Espaços do IST, outros usos possíveis para o pavilhão.

 

Outro assunto, apresentado no plano de actividades da vossa candidatura e também no discurso de tomada de posse, é o vosso objectivo de “mudar o paradigma de desinteresse da nossa geração”, como aproximar a AEIST dos alunos. Como avalias o teu trabalho, ou como é a tua antevisão de como consegues acabar o ano, relativamente a este assunto?

A mudança do paradigma de desinteresse não é um processo que se resolva de um ano para o outro. Não há uma alavanca mágica que se possa puxar para resolver o problema.

Considero que tem havido mais abertura este ano, pelo menos dentro dos membros da AEIST e dentro da própria direção, à qual até dei um pequeno mote para que fossem capazes de saberem eles próprios, por convivência, quais são os problemas dos alunos do técnico e não se fecharem no edifício da associação, ao inverso do que se via no passado. Eu não consegui sair tantas vezes como queria, mas uns “sacanas” ainda conseguiram umas fotografias minhas a estudar no Aquário [Risos], porque é verdade, eu estudo. Não tenho muito tempo para o fazer, mas estudo.

Contudo, é complicado a AEIST credibilizar-se perante os alunos se não consegue ter noção dos seus problemas, o que só consegue com contacto permanente. É um traço comum haver muitas queixas entre colegas, mas não é vulgar entenderem que se levarem essa queixa à associação o resultado pode ser diferente e que não cai em ouvidos moucos. O problema é este distanciamento entre o aluno, os seus problemas e a associação como estrutura. Acho que se as pessoas compreenderem melhor a Associação dos Estudantes acabará por haver uma maior afluência a esta, com a intenção de ajudar os outros.

 

A direção atual foi eleita com cerca de 700 votos, numa faculdade de 12.000 alunos, o que demonstra que não há essa concretização de interesse. Onde é que isso pode ser corrigido? Mas, em consciência de que é difícil ser a AEIST a ter de se corrigir sozinha, sendo só um lado da questão. Qual é o sentido de resolução do problema?

Isto é parte de um problema muito maior que não podemos ver como algo específico do Técnico, pois atinge a nossa geração a nível nacional. É um panorama de descrédito dos jovens nas estruturas representativas e governativas. Não acreditam que sejam capazes de realmente os representar ou ajudar a resolver problemas; o que vem desde cima: governo, autarquias, por aí a baixo. O que acontece é, em concordância com essa perspectiva que já têm de outras instituições, olham para a associação da mesma forma.

Mas na nossa perspectiva interna, cabe-nos a nós tentar fechar este gap, encontrarmos os problemas dos alunos, demonstrar-lhes que os conseguimos resolver e que não caiu do céu. Várias vezes a AEIST resolve problemas em conjunto com o Técnico, no entanto, é o Técnico quem lança a notícia de como foi corrigido e de como vai passar a funcionar, o que agrada os alunos, mas depois ficam com a ideia que a resolução foi ação exclusiva do CG, quando foi a AEIST a pressionar e a queixar-se das situações. Não nos damos a conhecer como queríamos.

1º Encontro de alumni da especialização em Jogos de MEIC

 

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No passado dia 16 de setembro, realizou-se no campus do Taguspark do Instituto Superior Técnico o primeiro encontro de Alumni da especialização em Jogos do mestrado em Engenharia Informática e de Computadores, celebrando os 9 anos de existência e a passagem de mais de 280 alunos, agora ancorados no tecido empresarial português, pelas unidades curriculares oferecidas.

“Espero um dia ter uma carreira ao nível dos alumni dos painéis, de modo a ser convidado para o meu próprio painel.” – Carlos Margarido

O encontro teve a participação de 50 alunos que assistiram às apresentações de: André Almeida, aluno de 2008 e hoje game designer independente com vários jogos internacionalmente reconhecidos no mercado; Daniela Fontes, aluna de 2013 que se deslocou da sua startup Coimbrã focada em Realidade Virtual para partilhar a sua experiência no evento; e Nuno Monteiro, aluno saído em 2008 e que esteve ligado à evolução de vários grandes nomes da indústria portuguesa de videojogos.
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Os  presentes tiveram ainda o privilégio de visitar o novo espaço do Laboratório de Jogos do IST e participar (de uma forma fortemente interativa, não fosse um evento sobre videojogos!) num painel composto pelos oradores e mais dois antigos alunos: Miguel Tomás, aluno de 2013 e sócio fundador da Bica Studios e Pedro Engana, aluno saído em 2014 e correntemente na Miniclip. Suportado por perspetivas cruzadas sobre 9 anos de ensino e estudo de videojogos no ISt, o painel abordou o passado, o presente e o futuro da especialização em jogos e discutiu o formato do próprio encontro de Alumni. Vários participantes decidiram prolongar a experiência e prosseguir a discussão dos diversos tópicos ao jantar. A reportagem fotográfica ficou ao encargo do LAGE2.

“Encontro necessário para todos aqueles que pretendem seguir a Área de Jogos.” – Pedro Saldanha

O nível de participação dos alunos dos vários anos que passaram pela especialização de jogos tornou claro que este é um evento que todos desejam ver repetir regularmente. Em particular, no próximo ano, a especialização faz um década de existência e será um evento com uma carga muito especial.

                                                                                                                    artigo da autoria de Prof. Carlos Martinho

Mariano Gago: o Ministro do Laboratório

Conhecido pelo desenvolvimento que deu à ciência em Portugal, Mariano Gago faleceu no passado dia 17 de Abril de 2015. Começou a sua carreira como Engenheiro e terminou-a não só como ministro, mas como inspiração para muitos portugueses.

Teve como formação base Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico. Doutorou-se posteriormente em Física, em Paris, tendo trabalhado como investigador durante os primeiros anos da sua carreira. Esteve no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) na Suíça.

Volta para Portugal depois da queda do Estado Novo, e assim da PIDE, começando a organizar as Jornadas Nacionais de Investigação Científica e Tecnológica, em função do seu cargo na Junta de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT), que viria depois a ser a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). Esta é a principal entidade de financiamento público de projetos científicos no país.

As jornadas fomentavam a reunião da comunidade científica nacional, permitindo a troca de ideias, desenvolvimento e discussão do estado da ciência no país. Estas contribuíram não só para o desenvolvimento da ciência per si, mas também para que esta passasse a fazer parte da agenda politica.

Após abandonar a presidência da JNICT, escreveu o livro ‘’Manifesto para a Ciência em Portugal’’, sendo este algo semelhante a um programa de governo para a ciência, voltando depois à Suíça.

Volta a Portugal como ministro da Ciência e Tecnologia, em 1995, contribuindo, por exemplo, para a criação da Ciência Viva-Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, que tem hoje um vasto número de centros espalhados por todo o país, incluindo o Pavilhão do Conhecimento. Nestes centros são realizados todos os meses atividades que visam aproximar os portugueses, especialmente as crianças, da ciência, e mostrar o que de melhor é feito no país nesta área.

Tomou ainda medidas mais controversas no Ensino Superior como os cortes orçamentais aplicados e a criação do Regime Jurídico para as instituições deste nível de ensino, levando à reorganização das mesmas.

“Sem pensamento, sem diálogo estruturado sobre o porquê das coisas, sem controvérsia, sem enigma, sem verdadeira experimentação, não há ciência nem educação científica.” foram estas as palavras do Professor José Mariano Gago na abertura do primeiro Fórum Ciência Viva, em 1997.

Entrevista a João Jerónimo do Movimento Técnico

O Diferencial foi entrevistar João Jerónimo, membro do Movimento Técnico, de modo a perceber como se rege e o que motiva o movimento político de estudantes ávido de mudança que promete, entre outros, lutar pelo direito a um ensino superior “Público, Gratuito, Democrático e de Qualidade.”

Quando e por quem foi criado o Movimento Técnico? Fala-me um pouco sobre a motivação que levou à sua criação.

João: O Movimento Técnico foi criado no início do ano lectivo de 2009/2010 por um conjunto de estudantes do Técnico. O objectivo é mobilizar os estudantes do IST para que lutem pelos seus direitos, para que desse modo possamos todos defender e construir esses mesmos direitos. Apesar de o IST ter uma história de participação nas lutas estudantis, nomeadamente na época das lutas contra a ditadura fascista, verifica-se que a Associação de Estudantes se encontra na maior parte das vezes desligada das lutas actuais. Pretendemos mudar isso. Nesse sentido, o Movimento propõe-se fundamentalmente a envolver os estudantes nas decisões que lhes dizem respeito e a dar o exemplo, para que no IST haja um exemplo de luta e de protesto consequente contra as políticas que hoje prejudicam os estudantes.

No vosso manifesto comprometem-se a “mobilizar os estudantes para que reivindiquem o seu direito a um ensino superior Público, Gratuito, Democrático e de Qualidade”. Na prática, como é que levam a cabo esta tarefa?

João: O Movimento Técnico recorre a todos os meios de que dispõe, desde os mais clássicos, em que conversamos presencialmente com as pessoas, como a distribuição de panfletos, a recolha de assinaturas e a convocação de concentrações, até aos mais tecnológicos, como o recurso ao Facebook. A mobilização dos estudantes é uma tarefa complexa mas muito necessária, pois sem ela não é possível os estudantes defenderem os seus direitos. Procuramos envolver as pessoas sem fazer grandes exigências, pois notamos uma grande dificuldade em conseguir que as pessoas se comprometam. Sabemos que temos muito a ganhar se permitirmos que cada um ajude da maneira que pode. O Movimento Técnico tem participado nos actos eleitorais para os órgãos da AEIST e para os órgãos de gestão do IST, pois vemo-los como espaços de intervenção essenciais, onde poderia ser feito muito mais para envolver os estudantes e tomar posições colectivas pelos seus interesses.

O que é para vocês um ensino superior “Democrático”?

João: O ensino superior de um país democrático tem que ser um sistema capaz de elevar toda a juventude aos mais elevados graus do conhecimento e não um ensino elitista como o que temos actualmente em Portugal. É assim que se consegue contrariar as desigualdades sociais que o próprio sistema económico cria. A maneira de o conseguir torna-se óbvia se olharmos para o que já foi o ensino superior português. Conquistado pelos estudantes, até 1991 tínhamos um ensino superior gratuito, sem propinas, ou seja, sem uma barreira financeira óbvia que impede a igualdade de oportunidades no acesso à educação. Um ensino superior democrático requer ainda que haja bons apoios para quem quer estudar e que as universidades sejam adequadamente financiadas pelo Estado, pois os impostos têm que servir para investir no futuro do país e, actualmente, isso não tem acontecido. Para além disso, é necessário que se re-democratize a gestão do ensino superior, garantindo a participação e o poder de decisão dos estudantes nos órgãos de gestão.

Existe alguma ligação entre o Movimento Técnico e algum outro movimento à escala nacional ou internacional?

João: O Movimento Técnico não está ligado a mais nenhuma organização. Isso não quer dizer que estejamos isolados, nem quer dizer que todas as pessoas que participam no Movimento sejam política e partidariamente neutras. Somos compostos por pessoas variadas com disponibilidades variadas e que podem, obviamente, ter ligação com estudantes de outras faculdades. Somos um espaço de discussão aberto a todos os alunos do IST que desejem reivindicar o seu direito a um ensino Superior Público, Gratuito, Democrático e de Qualidade. Também os membros do Diferencial estão convidados a aparecer!

Quais são, na tua opinião, os maiores problemas que nós, como alunos, enfrentamos?

João: Na nossa opinião o maior problema é, sem dúvida, os milhares de jovens que gostariam de estudar mas não conseguem suportar os custos. Depois temos os encargos suportados por quem se encontra a estudar, como a necessidade de pagar passes que em alguns casos ascendem aos 100 euros mensais, e a necessidade de comprar materiais para os projectos do curso. Finalmente, há algo que todos sentimos: a degradação geral das condições materiais e humanas do ensino superior, causada pela falta de financiamento. Este último aspecto tem vindo a piorar no IST, com edifícios degradados, fecho de serviços, etc.

Assistimos recentemente a uma alteração da gestão da cantina social de um sistema de concessões para os serviços de acção social. Consideras que esta mudança foi consequência de protestos estudantis? De que forma interveio o Movimento Técnico?

João: Há muitos anos que os estudantes protestavam contra a qualidade vergonhosa que era causada pela gestão privada da cantina. Algum dia o protesto teria de dar resultado e, no semestre passado, o Movimento Técnico foi consistente nos apelos à mobilização, o que teve resultados consequentes e acabou por resolver o problema. Não temos dúvidas nenhumas de que se os estudantes não tivessem agido em protesto contra a situação que existia, ainda hoje comeríamos a mesma comida. E o Movimento incentivou-os para essa acção, por isso estamos orgulhosos do nosso papel. No futuro será igual: ou os estudantes se mobilizam ou corremos o risco de voltar à velha situação.

Como se organiza o Movimento internamente? As reuniões são regulares? Como se processa uma reunião habitual?

João: Procuramos que as nossas reuniões sejam produtivas, mas o mais descontraídas possível. Há normalmente uma ordem de trabalhos que se decide no início. Por vezes escolhe-se alguém para dirigir a reunião, dar a palavra, escrever o resumo, etc, mas o essencial é tornar a reunião produtiva e participada. A nossa intervenção é muito prática, mas sem discutir os temas seria difícil conseguir unir as pessoas. Nas reuniões discutimos as iniciativas que é necessário preparar, sejam a mobilização para uma luta local, para uma manifestação, seja a participação do Movimento nos actos eleitorais, distribuímos tarefas, etc.

Supõe que um aluno do Técnico, ao ler esta entrevista, fica interessado em participar no Movimento. De que modo o pode fazer?

João: As reuniões são geralmente a cada duas semanas, mas não há um dia definido. A melhor maneira é mesmo enviar uma mensagem para a página de Facebook do Movimento, ou para o nosso endereço de e-mail, a perguntar quando será a reunião seguinte (endereços em baixo). Claro que também podem comunicar connosco se nos virem a agir enquanto Movimento Técnico. Temos gosto em que qualquer pessoa apareça nas reuniões, para discutir a acção do Movimento Técnico e o seu possível envolvimento no Movimento.

Mais Informações em:

  • https://www.facebook.com/mov.tecnico
  • movimento-unitario-ist@sapo.pt

ULisboa no ranking para melhor faculdade

ULISBOA_HORIZONTAL_RGBNo passado dia 28 de Outubro de 2014 o Best Global Universities Rankings distinguiu a Universidade de Lisboa como uma das melhores universidades do mundo e a melhor de Portugal.

O BGUR disponibilizou, numa edição supervisionada pela Reuters, uma lista com as 500 melhores universidades de 49 países com base em dez parâmetros indicadores de fatores como a reputação nacional e internacional das instituições, o investimento na investigação, entre outros.

Segundo a lista apresentada, a ULisboa é a melhor universidade portuguesa, a 113ªeuropeia e a 265ª mundial. Neste ranking, o Instituto Superior Técnico destaca-se, sendo uma das 15 melhores escolas de engenharia europeias.

A intenção deste género de rankings é permitir aos estudantes explorar as opções de ensino superior que existem para além dos seus próprios países “fronteiras e comparar aspetos-chave das escolas”.

A Universidade de Lisboa é a maior universidade portuguesa, resulta da fusão, em 2012, da antiga Universidade de Lisboa com a Universidade Técnica de Lisboa, englobando também o Estádio Universitário de Lisboa. Dois anos depois desta grande mudança, a ULisboa acumula distinções relativas à sua qualidade.